A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) venceu o prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos 2020, do Instituo de Estudos Políticos de Washington.... Articulação dos Povos Indígenas do Brasil vai receber prêmio internacional de direitos humanos

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) venceu o prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos 2020, do Instituo de Estudos Políticos de Washington.

Segundo o correspondente da TV DEMOCRACIA na Suíça, Jamil Chade, a entrega será no dia 15 por meio virtual.

A ativista e escritora canadense Naomi Klein vai entregar o prêmio à coordenadora-executiva da APIB, Sonia Guajajara.

O reconhecimento internacional é trunfo contra o governo Bolsonaro, duramente criticado pelas políticas ambientais, de direitos humanos e indígena.

Na semana passada, em discurso gravado apresentado na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente brasileiro culpou os “índios e os caboclos” pelas queimadas na Amazônia e ontem (30), na reunião sobre Biodiversidade da ONU, acusou, sem provas, organizações não governamentais de crimes ambientais no país e no exterior.

Há poucas semanas, o ministro do gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, acusou a APIB de “crimes lesa-pátria” por manchar a imagem do Brasil no exterior e de estar envolvida com líderes internacionais de esquerda, até do ator americano Leonardo Di Caprio.

Foi uma referência à jornada “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais”, uma viagem de 35 dias por 12 países europeus.

A comitiva formada pelos líderes indígenas, Alberto Terena, Angela Kaxuyana, Célia Xakriabá, Dinaman Xakriabá, Dinaman Tuxá, Elizeu Guarani Kaiowá e Kretã Kaingang, denunciou as graves violações cometidas pelo governo Bolsonaro contra os povos indígenas.

A indicação da APIB para o prêmio Letelier-Moffitt de Direitos Humanos foi de Lisa Haugaard, do Grupo de Trabalho para a América Latina.

É a terceira vez em 31 anos que o prêmio vai para o Brasil.

O primeiro premiado foi o Cardeal-Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, figura histórica na luta pelos direitos humanos.

Em 1989, a ganhadora foi a União das Nações Indígenas (UNI) pela contribuição ao capítulo sobre os direitos indígenas da Constituição de 1988.

O nome do prêmio criado em 1978 é uma homenagem a dois membros do Instituto de Estudos Políticos, o chanceler chileno no governo Allende, Orlando Letelier, e a secretária, a americana Ronnie Karpen Moffitt, assassinados em um atentado praticado pela polícia secreta do ditador chileno Augusto Pinochet, em 1976, em Washington.

Em comunicado divulgado para agradecer a premiação, a APIB denunciou que os ataques aos direitos e territórios indígenas multiplicaram-se em quase um ano.

“As invasões em terras indígenas, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio mais do que dobraram no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, passando de 109 casos, em 2018, para 256 no ano passado – um crescimento de 135%”, disse. Os dados são do relatório anual Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, publicado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). As “mortes por desassistência” passaram de 11, em 2018, para 31 em 2019, enquanto as ameaças de morte cresceram de oito para 33″.

Sonia Guajajara, que foi candidata à vice na chapa do candidato à presidência, Guilherme Boulos (PSOL), nas eleições de 2018, afirmou no comunicado: “A APIB é a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil que une a luta dos povos originários que são as raízes deste país. Com a força de nossos ancestrais, a APIB luta há mais de 15 anos pelos direitos indígenas em todas as regiões do Brasil. Em nossa luta pela proteção de nossas florestas, trabalhamos por uma cultura inclusiva e pela saúde pública indígena. Resistimos há mais de 500 anos e continuaremos trabalhando incansavelmente pela justiça. Estamos honrados pelo reconhecimento do Instituto de Estudos de Políticos pelo nosso trabalho em defesa do Brasil e dos povos indígenas contra a destruição ambiental e cultural. Nossa luta, por extensão, é por todas”.

Outro trabalho importante é a de combate à pandemia do coronavírus.

O Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena faz o mapeamento e a divulgação dos números de vítimas indígenas, como dos povos impactados.

Para o grupo, o ministério da Saúde tem números subnotificados e só nesta quinta-feira (1º), o governo editou Medida Provisória sobre a instalação imediata de barreiras sanitárias em terras indígenas.

Segundo a APIB, a Covid-19 causou a morte de 839 indígenas e contaminou 34.402 em 158 comunidades indígenas.

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