O presidente Jair Bolsonaro declarou que não pretende tabelar os preços dos produtos essenciais e apelou para os donos de supermercados reduzirem as margens... Bolsonaro nega tabelamento de preços e apela para os supermercados baixarem as margens de lucro

O presidente Jair Bolsonaro declarou que não pretende tabelar os preços dos produtos essenciais e apelou para os donos de supermercados reduzirem as margens de lucro do arroz.

Na tarde desta terça-feira (8), durante encontro com médicos favoráveis ao uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com coronavírus – está comprovado cientificamente que ele não serve para isso, Bolsonaro comentou sobre o preço do arroz.

“Tenho apelado para eles (donos dos supermercados), ninguém vai usar a caneta Bic para tabelar nada, não existe tabelamento, mas pedindo para eles que o lucro desses produtos essenciais nos supermercados seja próximo de zero. Acredito que nova safra começa a ser colhida em dezembro, janeiro, de arroz em especial, a tendência é normalizar o preço”.

Sem dar maiores detalhes, o presidente disse que o governo prepara outras medidas para encarar a inflação dos alimentos e “dar uma resposta a esses preços que dispararam nos supermercados”.

Mais cedo, ele participou da reunião do conselho de governo com o vice Hamilton Mourão e ministros.

Ele pediu a uma youtuber de 10 anos perguntar à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se o preço do arroz ia subir ou cair.

A ministra respondeu: “O arroz não vai faltar. Agora ele está alto, mas nós vamos fazer ele baixar, se Deus quiser vamos ter uma supersafra no ano que vem”.

Outros produtos essenciais como o feijão, a carne e o leite tiveram altas expressivas nos últimos meses que repercutiram na inflação da cesta básica.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a cesta básica subiu acima da inflação oficial de julho (0,46%) em 16 das 17 capitais pesquisadas. Apenas em Brasília, ela ficou mais barata.

Dois motivos são o aumento do consumo de alimentos das famílias por causa da pandemia e o dólar alto que ficou mais atraente a exportação do que o abastecimento do mercado interno, como explicou a economista sênior do DIEESE, Patrícia Costa.

“Quando se exporta um produto, você manda ele para fora, o produtor recebe em dólar, e na hora que ele transforma em real ele ganha mais. Então uma taxa de câmbio desvalorizada, ela estimula a exportação. Você tem um impacto muito grande das exportações, no volume de produtos ofertados no mercado interno. Quando eles chegam em menor quantidade, uma redução da oferta interna e eles chegam mais caros para as famílias”.

O superintendente-técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Bruno Lucchi concorda e vai além. Para ele, a pandemia fez os brasileiros comprarem mais alimentos, o que forçou preços para cima antes mesmo das altas provocadas pela entressafras.

Lucchi também ressaltou que a disparada do dólar em relação ao real encareceu os insumos da agropecuária.

“Com o câmbio mais elevado, o fertilizante está mais caro. O farelo de soja e de milho que é utilizado na ração de animais tem regiões com mais de 50% de aumento de custos de produção”.

Equipe TV Democracia

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