Onde vai dar isso tudo? Vamos botar um pé de volta na realidade e partir do princípio de que o projeto do Bolsonaro não... Bolsonaro, o estranho apostador que aposta na própria derrota

Onde vai dar isso tudo?

Vamos botar um pé de volta na realidade e partir do princípio de que o projeto do Bolsonaro não tem final feliz para ninguém — especialmente para ele próprio e seus delfins atrevidos. Vai ‘dar ruim’ para eles todos. Ainda que seja lá na frente. Ninguém desafia tanto assim o paradigma ocidental impunemente.

O tensionamento permanente da ordem constitucional e o pesadelo diário que tem sido infligido à população causam um tal nível de desagregação que provavelmente o sistema institucional já não tem mais energia para conter tanta entropia caótica .

Alguma coisa vai acontecer. Ou Bolsonaro tenta um autogolpe, ou será deposto. Não há nenhum estudioso sério da Ciência Política que vislumbre hoje qualquer possibilidade de chegarmos a 2022 no meio dessa tormenta gigantesca sem que haja uma ruptura.

Ou a democracia derrota Bolsonaro, ou Bolsonaro derrota a democracia. Inimigos viscerais, o regime e o pretenso ditador não coexistirão no mesmo sistema. A democracia precisa de luz e ar. Bolsonaro é um ser anaeróbico, um bolor que não depende do oxigênio das instituições e se nutre do escuro. Mas esse fungo deletério uma hora vai ter de se haver com luz.

O que é que Bolsonaro ganha com isto que está promovendo? Que sentido faz desagregar tanto tudo no País? Vão sobrar escombros institucionais cuja reconstrução vai custar décadas. Ele não lucra nada com isso. Vai ser odiado pela população porque a cegueira, o tempo cura. O problema é que o sofrimento dessa direita odienta virá no futuro, enquanto nosso, temos que purgar agora. Veja bem que o custo dessa loucura já está sendo amortizado com a vida das vítimas indefesas do genocídio da pandemia.

O que é que justifica uma aposta tão arriscada a favor da morte? O que será que o tanatocrata  Bolsonaro pensa que poderá ganhar negando 35 mil, 125 mil vidas perdidas a não ser o repúdio?

Não se pode dizer que ele tenha tido até aqui qualquer ganho simbólico com essa estratégia amalucada. Faz algum sentido para você que alguém trabalhe tão arduamente para ser reconhecido como pária global, destruidor do meio-ambiente, o pior chefe de Estado do planeta, o cruzado anti-iluminista, merecedor de todos os ‘istas’ e ‘óbicos’ que lhe pregam?

No fim desse filme de terror, que tem tido uma cena nova a dia, quem se sai pior são Bolsonaro e seus filhos. Eles perdem em qualquer cenário. Podem até ter neste momento o apoio que dizem ter de todos os generais, almirantes e brigadeiros. Mas não terão no futuro muito próximo, quando a realidade se impuser. Não tem final feliz para essa trama.

Seja lá qual for o resultado, o método sobre o qual ele assenta sua estratégia encontra um limitador no tempo. Bolsonaro está premido pelos caixões que baixam sepultura às centenas  todo santo dia. Não demora para os mais empedernidos dos bolsonaristas começarem a entender o que está acontecendo no Brasil. E que eles foram empurrados para o lado errado da trincheira quando decidiram acreditar num maluco irresponsável.

Em agosto, Bolsonaro vai ter de enfrentar os fantasmas dos mais de 100 mil brasileiros que terão perdido a vida por causa de seu comportamento criminoso. É muita gente morta. Muita imagem, foto de caixão, de choro, de tristeza, dor e desespero. Ele não vai sobreviver a isso. É culpa dele, e vai lhe custar caro.

Por isso tudo é que as perguntas que venho reiterando desde o começo deste post vão permanecer sem resposta: o que pretende Bolsonaro? Onde ele acha que vai chegar?

 

 

 

 

 

Fabio Pannunzio

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