O presidente Jair Bolsonaro abriu a 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22), a primeira realizada por videoconferência. Desde... Bolsonaro se defende das críticas às políticas ambientais e de saúde no discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU


O presidente Jair Bolsonaro abriu a 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22), a primeira realizada por videoconferência.

Desde 1947, o Brasil inaugura a Assembleia Geral da ONU.

Esta foi a segunda vez que o presidente brasileiro discursou na reunião.

Em vídeo gravado de cerca de 15 minutos (veja a íntegra no link), Bolsonaro lamentou as vítimas da pandemia do coronavírus – o Brasil é o segundo país do mundo com mais mortes e o terceiro com mais casos da doença.

Afirmou que desde o início, as prioridades do governo eram combater simultaneamente o vírus e o desemprego.

No entanto, se eximiu de responsabilidades maiores como a decretação, por ordem judicial, de medidas mais restritivas de quarentena que foram tomadas pelos governadores.

Ele também acusou parte da imprensa de “politizar o vírus e disseminar o pânico entre a população sob os ‘lemas Fique em Casa’ e ‘A economia a gente vê depois’ quase trouxeram o caos social ao país”.

Bolsonaro disse que o seu governo tomou medidas “arrojadas”, como o maior programa de assistência aos pobres no Brasil, “talvez um dos maiores do mundo”, referência ao Auxílio Emergencial, cujas parcelas somadas totalizaram cerca de US$ 1.000 e beneficiaram 65 milhões de pessoas.

O presidente também citou o investimento de mais de US$ 100 bilhões no combate à pandemia, incluindo ajuda às pequenas e médias empresas, compensação nas perdas de arrecadação de estados e municípios, auxílio para 200 mil famílias indígenas e US$ 400 milhões no desenvolvimento da vacina Oxford.

Ele disse que a pandemia ensinou o Brasil a não depender de um pequeno número de países produtores de insumos e meios essenciais de sobrevivência e, mais uma vez, falou da hidroxicloroquina, medicamento sem nenhum eficácia científica comprovada no tratamento de pacientes com Covid-19. que teve o preço aumentado em mais de 500% no período.

Bolsonaro afirmou que o país tem a “melhor legislação” sobre o meio ambiente em todo o mundo, que respeita as regras de preservação da natureza e é vítima de campanha “brutal” de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.

Obviamente, omitiu que o que chamou de desinformação sobre os recordes históricos de incêndios e desmatamentos nos dois biomas vem de órgãos oficiais do próprio governo, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para ele, as pressões contra o governo são “impatrióticas e são escoradas em interesses escusos”.

“Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima, isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”.

O presidente justificou os incêndios da Amazônia como práticas tradicionais da população local, “esquecendo” do avanço do agronegócio na região.

“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”.

Apesar das críticas internacionais sobre o afrouxamento na fiscalização de delitos ambientais, Bolsonaro declarou que “os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. Juntamente com o Congresso Nacional, buscamos a regularização fundiária, visando identificar os autores desses crimes”.

Citou a dificuldade de combater os crimes ambientais na Amazônia: “Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater, não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria. Por isso, estamos ampliando e aperfeiçoando o emprego de tecnologias e aprimorando as operações interagências, contando, inclusive, com a participação das Forças Armadas”.

Afirmou que os incêndios no Pantanal tinham causas naturais: “O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”.

Bolsonaro acusou a Venezuela pelo vazamento de petróleo na costa brasileira ocorrido no ano passado: “Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo”.

O acolhimento de milhares de refugiados venezuelanos foi utilizado como exemplo da política dos direitos humanos do governo, que é alvo de denúncias na própria ONU.

Bolsonaro comemorou os recentes acordos firmados entre Israel, Emirados Árabes e Bahrein na Casa Branca, que aproveitou para elogiar o amigo Trump: “O Brasil saúda também o plano de paz e prosperidade lançado pelo presidente (dos EUA), Donald Trump, com uma visão promissora para, após mais de sete décadas de esforços, retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino”.

A referência ao presidente americano acontece no momento em que ele está perdendo nas pesquisas eleitorais para o adversário democrata, Joe Biden. As eleições presidenciais americanas serão no dia 3 de novembro.

O Itamaraty havia recomendado para Bolsonaro não citar Trump para evitar o erro cometido ao apoiar o presidente da Argentina, Maurício Macri, que perdeu a reeleição para o peronista Alberto Fernández.

Bolsonaro terminou o discurso dizendo que “o Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base”.

Equipe TV Democracia
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