O presidente recebe apoio apenas de seus seguidores mais fiéis nas redes sociais, que ainda se destacam no mundo virtual, msa defendem o Governo...

O presidente recebe apoio apenas de seus seguidores mais fiéis nas redes sociais, que ainda se destacam no mundo virtual, msa defendem o Governo Bolsonaro de forma isolada

Edição de Rafael Bruza * com informações do Yahoo

Um estudo da consultoria Arquimedes, feito após a manifestação de domingo (19), em frente ao QG do Exército em Brasília, mostrou que Jair Bolsonaro viu seu apoio nas redes sociais cair, após ele marcar presença nestes atos que pediram intervenção federal e um “novo AI-5”.

Numa análise amostral de 38 mil menções, foi identificado o percentual de 30% de apoio a Bolsonaro. “Não há, fora do isolado grupo bolsonarista, apoio ao presidente”, afirma o relatório.

Nesta queda, que ocorre em meio à pandemia do coronavírus, Bolsonaro voltou a usar a tática aplicada na disputa eleitoral de 2018, com ataques orquestrados contra adversários no Twitter por meio de uso de robôs e criação de grupos de WhatsApp para difundir informações falsas.

Apesar da atuação constante desde a posse, há, por um outro lado, constatação de que a base de Jair Bolsonaro vem caindo. No entanto, esse grupo não perde a capacidade de pautar o debate que se destaca no mundo virtual.

Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Monitor de Debate Político no Meio Digital, afirma que os bolsonaristas atuam de forma diferente em cada plataforma.

“No Twitter, há um ataque coordenado. No WhatsApp, é campanha de desinformação pesada. No YouTube, há muito uso de imagens oficiais do presidente. Canais bolsonarisitas do YouTube têm quatro vezes mais visualização do que outros canais políticos”, afirma.

Ortellado relata ainda ter recebido informação de três pessoas diferentes que afirmam ter sido acrescentadas recentemente em grupos de WhatsApp bolsonaristas voltados para informações sobre o novo coronavírus.

“Como estudo isso, as pessoas me procuram. Foi feito esse relato de três pessoas com backgrounds muito diferentes”, declara. “Essa estratégia foi usada na eleição e aparentemente reativada. Isso só ocorreu na eleição porque é muito caro manter. Entre as informações disseminadas nesse tipo de grupo, está a de que os hospitais estão vazios e que o vírus é uma artimanha criada por chineses. Os assuntos são abordados em áudio, textos e vídeos”.

Ortellado faz monitoramentos diários de grupos bolsonaristas:

“Constatei três coisas no meu monitoramento (desta segunda-feira): os governadores estariam inflando os números de doentes, a cloroquina seria a salvação e os governadores seriam os responsáveis pelo coronavírus porque incentivaram o carnaval”, declara o professor.

Na última sexta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sofreu o maior ataque até hoje no Twitter. A hasthag #ForaMaia ficou em primeiro lugar na lista de assuntos mais comentados da plataforma no Brasil.

A ofensiva ocorreu após Bolsonaro disparar, em entrevista à CNN Brasil, na quinta-feira, críticas contra Maia chegando a dizer que ele quer “enfiar a faca no governo”.

O presidente da Câmara costuma ser alvo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro no mundo virtual desde o ano passado, mas os ataques de sexta-feira superaram todos os anteriores.

“Foi o maior ataque de todos os tempos contra a figura dele”, afirma David Nemer, professor do departamento de estudos de mídia da Universidade da Virgínia.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a ilustração de um robô de redes sociais

Fabio Pannunzio

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