Como é tradição, o Brasil abrirá a 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22). Desta vez, o presidente Jair... Bolsonaro vai abrir Assembleia Geral da ONU defendendo políticas ambiental e de combate à pandemia

Como é tradição, o Brasil abrirá a 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22).

Desta vez, o presidente Jair Bolsonaro participará com um vídeo gravado na semana passada.

Sob fortes pressões mundiais por causa das políticas ambientais e de combate à pandemia do coronavírus, ele vai defender que o país não só teve bom desempenho na crise de saúde como garantiu a segurança alimentar de um bilhão de pessoas graças ao agronegócio.

Para o governo, as queimadas no Pantanal e o desmatamento na Amazônia são utilizadas por países e investidores internacionais para prejudicar o agronegócio brasileiro.

Mesmo sendo o segundo país do mundo com mais mortes e o terceiro com mais casos de Covid-19 e por adotar postura contrária às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de especialistas, como a recusa de medidas mais restritivas de isolamento social e de uso obrigatório de máscara, além de prescrever tratamentos sem qualquer comprovação científica no tratamento da pandemia, como a hidroxicloroquina, o presidente vai ressaltar a recente tendência de queda dos números da pandemia no país.

Ele deve afirmar que a pandemia está sob controle e que graças à sua resistência em determinar a paralisação das atividades econômicas e ao auxílio-emergencial de R$ 600 mensais recebido por mais de 60 milhões de brasileiros, o chamado “coronavoucher”, a economia brasileira seguiu em funcionamento e as perspectivas de recessão do país não são tão severas quanto as de outras nações emergentes, como a Índia.

Bolsonaro também vai enfatizar que, mesmo diante da crise, o Brasil cumpriu um papel pelo qual merece respeito internacional: forneceu alimentos para uma série de países no mundo.

O presidente tem dito que se tivesse continuado a fazer demarcações de terra indígena, essa produção não seria possível.

“A ONU queria que nós passássemos de 14% para 20% de território demarcado. Falei-lhes: ‘Não’. Nós não podemos sufocar aquilo que nós temos aqui que tem nos garantido a nossa segurança alimentar bem como a de mais de um bilhão de habitantes do mundo”, afirmou nesta sexta-feira (18), diante de representantes do agronegócio em Sinop (MT).

Bolsonaro, que também é criticado pela política em relação aos povos indígenas, deve ainda dizer que as queimadas são processos naturais e que tem acontecido não só no Brasil, como nos Estados Unidos e na África. E que o agronegócio brasileiro é eficiente e não têm responsabilidade pela devastação. Como já fez no discurso na ONU no ano passado, Bolsonaro acusará os críticos de ter motivação protecionista. A pauta ambiental seria apenas uma desculpa para que países europeus fechassem seus mercados para produtos brasileiros.

Segundo o Itamaraty, o governo está preparado para um inevitável momento de constrangimento brasileiro no evento de amanhã e em reuniões multilaterais sobre biodiversidade.

Um vídeo de 3 minutos foi gravado pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, para responder às possíveis críticas.

Pela primeira vez em 75 anos, a Assembleia Geral da ONU será realizada principalmente com discursos dos chefes de Estado por meio remoto e não presencialmente na sede em Nova York.

Apenas votações de resoluções em que não há consenso contam com a participação de um membro de cada delegação em plenário.

Países como a Rússia se opuseram à possibilidade de votação online alegando risco de invasão por hackers.

Como Nova York foi o primeiro epicentro da pandemia nos EUA, a organização da ONU não abriu mão de exigir o cumprimento da quarentena de 14 dias para as autoridades estrangeiras antes delas se apresentarem na Assembleia Geral.

Normalmente, o plenário ficaria lotado de diplomatas. Dessa vez, a entrada será limitada a um representante da delegação fixa de cada país, que será o responsável por apresentar o discurso do respectivo chefe de Estado antes da participação dele por vídeo.

A expectativa é que a fala de Bolsonaro seja mais moderada do que no ano passado, quando ele quebrou o protocolo para acusar nominalmente cidadãos do próprio país, como o cacique Raoni, e afirmou que ia salvar o Brasil do socialismo.

Não está descartada alguma referência ao presidente dos EUA, Donald Trump, que é candidato à reeleição em novembro.

A diplomacia brasileira não recomendou isso, especialmente neste momento em que Trump está atrás do democrata Joe Biden nas pesquisas eleitorais.

Em caso de vitória de Biden, o Brasil correria o risco de ser colocado no limbo pelo futuro governo americano.

Mas, há o precedente da eleição argentina, quando Bolsonaro não desistiu de apoiar Maurício Macri, que perdeu a reeleição para o oposicionista Alberto Fernández.

Equipe TV Democracia

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