O Brasil bateu o recorde de casos de pessoas infectadas pelo coronavírus em um só dia. De acordo com o levantamento do consórcio de... Brasil bate recorde de casos de coronavírus em 24h: 58.080

O Brasil bateu o recorde de casos de pessoas infectadas pelo coronavírus em um só dia. De acordo com o levantamento do consórcio de veículos de mídia divulgado às 8h desta segunda-feira (24), foram 58.080 nas últimas 24h (alta de 5% na média móvel dos últimos 7 dias). O total desde o início da pandemia chegou a 2.292.386 casos.

O número de mortes subiu para 84.251 – 1.317 nas últimas 24h.

“A pandemia deixou claro que despesas na área de saúde são investimentos e é algo urgente”. É o que afirmou o diretor-adjunto da divisão de saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o ítalo-brasileiro Frederico Guanais.

Ele explica que “o Brasil gasta em Saúde 9,2% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, pouco acima da média dos 37 países-membros da OCDE, a maioria ricos, que é de 8,8% do PIB. Mas, no caso do Brasil boa parte dessas despesas são privadas. A fatia de recursos públicos nessa área representa apenas 4% do PIB, enquanto na média da organização ela é de 6,6% do PIB”.

Guanais também diz que, além de ampliar os recursos nos sistema público de saúde, é preciso gastá-los melhor e garantir que eles sejam mais bem utilizados: “Há bons investimentos e maus investimentos na Saúde”.

Como exemplos, ele citou o “elevado índice de cesarianas, muito acima da média da OCDE, prescrições de antibióticos desnecessárias em muitos casos, procedimentos cirúrgicos que não garantem taxa de retorno; hospitalizações que poderiam ser evitadas com o melhor atendimento primário de saúde ou ainda o uso de remédios de marca em vez de genéricos”.

O diretor da OCDE ressalta a importância do financiamento para a manutenção da infraestrutura de hospitais e laboratórios: “Já surgiram temores no Brasil sobre a possibilidade de falta de verbas nos municípios e estados para manter, após a crise sanitária, os novos equipamentos adquiridos durante a pandemia, como respiradores, monitores e tomógrafos, que reforçaram as capacidades de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

A pandemia também chamou a atenção para a necessidade de aperfeiçoamento de vários mecanismos do SUS. Um deles, é o sistema de informações integradas, que pode ter uma melhor utilização de dados, como hospitalizações, uso de medicamentos e número de mortes, para detectar precocemente epidemias, rastrear a propagação delas e ainda analisar a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

Outro problema mencionado por Guanais é a duplicação de funções. “Há estados e municípios construindo hospitais e deixando um vazio na atenção primária ou um estado que espera que o município faça algo ou vice-versa. É preciso melhorar essa articulação”.

Há também a questão dos subsídios públicos à saúde privada, com deduções dos gastos no Imposto de Renda. Pela nova proposta de reforma tributária, o governo estuda encerrar ou limitar esses abatimentos.

Ele também citou a situação que está acontecendo na pandemia, em muitas pessoas recorrem ao setor privado para fazer testes de detecção da Covid-19, um trabalho que deveria estar a cargo do SUS : “A testagem maciça da população é uma função básica do sistema público e deve ser realizada por ele”.

Outra recomendação de Guanais é a maior participação dos agentes comunitários de saúde no rastreamento de pessoas contaminadas pelo coronavírus.

Ele criticou o fato do Brasil ser o segundo país em números de casos e mortes por Covid-19, mas é um dos que menos faz testagem na população. O ministério da Saúde alega a falta de insumos para aumentar a realização dos exames, por causa da alta demanda mundial.

Enquanto a maioria dos países-membros da OCDE se mobilizou mais cedo para combater a doença, o Brasil, que desde 2017 quer entrar para o bloco, demorou para tomar medidas como isolamento social e o uso de máscaras. Por causa disso, afirma Guanais, os impactos econômicos de não aplicar estas medidas serão mais elevados de que quando eles são implementados.

Em junho, a OCDE previu que o PIB brasileiro vai terminar o ano com uma queda de 7,4%, mas, se houver uma segunda onda de Covid-19 após a reabertura da economia, pode despencar para 9,1%.

Equipe TV Democracia

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