(Assista) Em um intervalo de 37 anos, da Ditadura à Democracia, duas autoridades da República mandaram jornalistas calarem a boca durante entrevistas coletivas. São...

(Assista) Em um intervalo de 37 anos, da Ditadura à Democracia, duas autoridades da República mandaram jornalistas calarem a boca durante entrevistas coletivas. São eles: o general Newton Cruz e Jair Bolsonaro

Por Rafael Bruza

Em 1983, o general da Ditadura, Newton Cruz, mandou o jornalista Honório Dantas calar a boca após ser questionado sobre retrocessos do Regime Militar à Democracia brasileira. Cerca de 37 anos depois, nesta terça-feira (05), o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) ordena que jornalistas “calem a boca”, ao criticar, berrando, uma reportagem do jornal Folha de SP, diante do Palácio da Alvorada.

No caso da Ditadura, o jornalista Honório Dantas, da Rádio Planalto, foi agredido por Newton Cruz após desligar o gravador na entrevista coletiva, em gesto de desprezo à ordem do militar.

O militar fez uma chave de braço em Honório Dantas. Com o intuito de humilhá-lo, ordenou que o jornalista pedisse desculpas. “Peça desculpas, moleque”, exigiu. Dantas, sem escolhas, obedeceu, pedindo desculpas ao seu agressor. Mas ele não estava satisfeito: “não é assim. Diga eu peço desculpas”, ameaçou novamente o militar.

No caso de Bolsonaro, apoiadores xingaram repórteres presentes no Palácio da Alvorada, após a fala do presidente. No fim de semana, jornalistas foram agredidos em manifestações pró-Bolsonaro, em Brasília (DF), e em Curitiba (PR), onde o ex-ministro Sergio Moro prestou depoimento à Polícia Federal contra o presidente.

Agressão de Brasília

No protesto diante do Palácio da Alvorada, onde ocorreram aglomerações, durante a crise do coronavírus no Brasil, um repórter fotográfico do Estado de São Paulo foi derrubado duas vezes, foi chutado e levou murros na barriga. Um motorista do jornal levou uma rasteira.

Em nota, a Associação Nacional dos Jornalistas (ANJ) condenou os ataques aos profissionais e afirmou que os agressores “atacaram frontalmente a própria liberdade de imprensa”.

As agressões receberam também críticas e o repúdio de diversas outras autoridades e entidades da sociedade civil, como a ministra Cármen Lúcia, do STF, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Agressão em Curitiba

A agressão no Paraná ocorreu em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no último sábado (30), onde ocorreu o depoimento de Sergio Moro no inquérito que investiga a tentativa de Jair Bolsonaro de interferir politicamente na corporação.

Um manifestante tentou derrubar a câmera do cinegrafista Robson Willian da Silva, da TV Record.

A Polícia Militar teve que fazer um um cordão de isolamento no local. Outras pessoas contiveram o agressor, que ainda não foi identificado.

Havia dois grupos no local, um de partidários de Moro e outro de Bolsonaro.

Fabio Pannunzio

Nenhum comentário ainda. Comente!

Be first to leave comment below.

O seu endereço de e-mail não será publicado.