A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga as fake news, vai pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemáticos de mais... Caso Facebook/Instagram: CPMI vai pedir quebra de sigilos de mais de 60 pessoas

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que investiga as fake news, vai pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemáticos de mais de 60 pessoas e todo o conteúdo publicado por servidores ligados à família Bolsonaro e ao PSL. O material foi removido pelo Facebook e ao Instagram.

A CPMI está em recesso e deve votar os pedidos em agosto. O presidente da comissão, o senador Angelo Coronel (PSD-BA) disse que, o material “servirá de confirmação de que as mensagens disseminavam o ódio e a desinformação e se também injuriavam e caluniavam terceiros”. Só depois desta primeira análise, a CPMI vai convocar os envolvidos.

Um deles é Tercio Arnaud Tomaz (foto). Ele trabalha diretamente com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. A sala dele fica próxima a do presidente. Recebe quase R$ 14 mil de salário e mora em apartamento funcional.

Tomaz trabalhou no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e administrou as redes sociais de Jair Bolsonaro na eleição de 2018.

Segundo as investigações do Facebook e do Instagram, duas das maiores redes sociais do mundo, páginas sob responsabilidade de Tercio chegaram a ter mais de 1 milhão de seguidores. Ele publicava conteúdos a favor do presidente, de ataques a adversários políticos como o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) e ex-ministros do próprio governo Bolsonaro, como Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e Sergio Moro, da Justiça e Segurança Pública; e publicava notícias falsas.

Além do assessor do presidente, foram identificados dois funcionários do gabinete do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Paulo Eduardo Lopes, o Paulo “Chuchu”, e Eduardo Guimarães, como envolvidos na rede removida pelo Facebook e Instagram. O gabinete de outro filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) também faz parte do chamado “gabinete do ódio”.

A rede funcionava há mais de dois anos. Tinham 35 contas, 14 páginas e um grupo no Facebook e 38 contas no Instagram. Reunia cerca de 350 pessoas e era acompanhada por quase 2 milhões de seguidores. Cerca de US$ 1,5 mil foram gastos em anúncios. O dinheiro foi pagado em real.

A remoção deste tamanho foi a primeira a ser feita no Brasil. Em comunicado, o Facebook disse que “a atividade incluiu a criação de pessoas fictícias fingindo ser repórteres, publicação de conteúdo e gerenciamento de páginas fingindo ser veículos de notícias’.

Assessores do presidente Bolsonaro questionaram a empresa americana dona das duas redes sociais. Eles perguntaram se a ação tinha a ver com o inquérito sobre fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Facebook respondeu que não. A remoção faz parte de uma operação global e não era nenhuma perseguição contra o governo federal ou contra bolsonaristas.

Equipe TV Democracia

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