Um dos mistérios da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes é o paradeiro das armas utilizadas pelo ex-policial militar... Caso Marielle: pescador  diz à Justiça que armas usadas no crime foram jogadas no mar

(foto Beno Suckeveris)

Um dos mistérios da execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes é o paradeiro das armas utilizadas pelo ex-policial militar Ronnie Lessa no crime ocorrido em março de 2018.

Uma pista é o depoimento de um barqueiro contratado por Josinaldo Lucas Freiras, Djaca, um ano depois dos assassinatos.

Em depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ele voltava de uma pescaria no dia 14 de março, quando Djaca pediu para ser levado até às Ilhas Tijucas, a 1,8 km do quebra-mar da Barra da Tijuca, onde supostamente iria mergulhar.

Djaca embarcou no barco com malas, caixas e bolsas.

Dois dias antes, Ronnie Lessa e o cúmplice Élcio de Queiroz tinham sido presos.

A polícia teve acesso a uma escuta telefônica autorizada pela Justiça, na qual Djaca admite ter sido chamado “para fazer a limpeza” no apartamento de Lessa.

A “limpeza” foi jogar no mar várias armas, incluindo um fuzil e uma submetralhadora que teria sido usada no crime.

No dia 3 de outubro do ano passado, Djaca foi preso com mais três pessoas na Operação Submersus.

Ele mais Elaine, a mulher de Ronnie Lessa; o cunhado Bruno Figueiredo; e o empresário José Márcio Mantovano, o Márcio Gordo, foram acusados de atrapalhar as investigações sobre o caso Marielle.

Os quatro teriam ajudado a dar fim às armas e estão presos até hoje.

A defesa de Djaca afirmou que não há “nenhum fragmento de prova” e que espera a absolvição do cliente.

A defesa de Márcio Gordo declarou que as acusações do MP-RJ são “infundadas” e que confia em um julgamento justo.

O advogado do casal Ronnie e Elaine Lessa e do cunhado Bruno não se manifestaram sobre as denúncias.

A Polícia, Marinha e bombeiros fizeram 28 buscas pelas armas, mas não encontraram nada até hoje.

No depoimento a uma promotora, o pescador contou que, “no trajeto, ele (Djaca) começou a abrir lá e jogar as coisas fora. Fiquei até assustado”.

As “coisas” eram armas de grosso calibre e munição que afundaram imediatamente.

“Fiquei com mais medo, tremendo. Aí falei: ‘Ih, será que ele vai me matar?'”, lembrou o pescador.

Ele disse para Djaca: “Você vai ferrar minha vida, cara, você vai f*der minha vida, cara! Desculpe a expressão. Você vai f*der minha vida, cara”.

Djaca respondeu: “Não vai pegar nada para você, não. Qualquer coisa eu assumo tudo”.

Na audiência, o delegado Daniel Rosa lamentou o fato das armas nunca terem sido achadas.

“Foi uma pena não ter encontrado essas armas. Certamente foram usadas em outros homicídios pelo bando de Ronnie Lessa. Foi uma pena não ter achado pra fazer o confronto balístico”.

Outras dúvidas não respondidas são: quem mandou matar Marielle e qual foi o motivo para ela ser executada em plena região central do Rio?

Equipe TV Democracia

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