Um grupo independente de pesquisadores brasileiros e do exterior, o Observatório Covid-19 BR, defende a adoção imediata de medidas mais restritivas de quarentena, incluindo... Cientistas defendem a adoção imediata de medidas mais severas de quarentena no Brasil

São Paulo (foto Beno Suckeveris)

Um grupo independente de pesquisadores brasileiros e do exterior, o Observatório Covid-19 BR, defende a adoção imediata de medidas mais restritivas de quarentena, incluindo toque de recolher, para frear o avanço da pandemia do coronavírus no país.

O grupo é contra o funcionamento de restaurantes e academias e a realização de festas e eventos neste final de ano.

“A diretriz básica seria o fechamento do comércio e serviços não essenciais. Eventualmente e localizadamente, pode ser necessária a decretação de toque de recolher noturno”.

No relatório, os cientistas ressaltam a importância do distanciamento social e que as medidas sugeridas tenham validade até meados de janeiro para uma reavaliação.

“A catástrofe que se anuncia não vai se reverter de forma natural. A lógica de multiplicação de casos é simples e incomplacente: novos casos geram outros novos casos. Não podemos colocar a perder todo o esforço feito até agora. Com o aumento de casos e a saturação do sistema de saúde em vários estados, somados às festas de final de ano que se aproximam, é imperativo que medidas sejam tomadas com a urgência necessária, de modo que possamos reduzir o número de vidas perdidas”.

“A gente está vendo aqui um novo crescimento depois de uma queda. Esse novo crescimento precisa ser interrompido. Nos angustia ver uma inversão na tendência de número de casos. [Ver] casos subindo e mortos subindo”, disse um dos integrantes do Observatório, o professor do Instituto de Física Teórica (IFT) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Roberto Kraenkel.

Exemplo disso é o estado de São Paulo, que afrouxou as regras da quarentena e agora enfrenta um aumento de internações entre jovens.

Entre março e novembro, a maioria dos leitos era ocupada por pessoas entre 55 e 75 anos. Este mês, a maior demanda é de pacientes com Covid-19 entre 30 e 50 anos.

Por isso, nesta semana, o governo estadual voltou a restringir os horários de funcionamento de bares e restaurantes.

“Não adianta dizer que o bar pode ficar aberto e depois dizer para o sujeito não ir para o bar. Isso gera mensagens contraditórias. O governo tem que se claro sobre o que pode ou o que não pode. Não vamos esperar uma auto-organização da sociedade nesse sentido. Se está permitido fazer as coisas, o cidadão as faz porque não há nada que proíba. Junta isso com um certo cansaço e a sensação de que isso não acaba nunca mais, e você acaba tendo um monte de gente na rua”, comentou o professor.

Para Kraenkel, as pessoas não podem deixar de cumprir as medidas de proteção contra a pandemia em razão da expectativa pela vacina contra a covid-19.

Quem faz isso está “de acordo que, dentro desses dois, três meses, morram mais pessoas do que é necessário morrer. Ainda acho que o esclarecimento da população é importante. O objetivo final é diminuir o número de mortes, de casos. E isso é alcançado com o distanciamento”.

Outra integrante do grupo, a professora Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Politica da Universidade de São Paulo (USP), reforçou que “nunca é muito tarde para reagir. E este é um momento muito importante para a gente reagir. Quando houve cenários parecidos [de intensificação da pandemia] no passado, foram necessárias medidas mais rígidas para reverter esse quadro. Se isso funcionou no passado, por que este não seria o momento para adotar as mesmas [medidas]”?

Ela enfatizou que a campanha de vacinação só vai funcionar se a pandemia estiver controlada.

Equipe TV Democracia

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