Deltan Dallagnol não é mais o coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba. O procurador da República anunciou a saída em um vídeo postado... Dallagnol alega questões familiares e deixa a coordenação da Lava Jato depois de 6 anos

Procurador Deltan Dallagnol (foto Orlando Brito)

Deltan Dallagnol não é mais o coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba.

O procurador da República anunciou a saída em um vídeo postado na internet nesta terça-feira (1º).

Ele alegou que precisa dedicar mais tempo para cuidar da filha de 1 ano e 10 meses, que tem problemas de desenvolvimento, mas disse que vai continuar na ativa como procurador.

O Ministério Público Federal (MPF) já nomeou o Procurador da República no Paraná, Alessandro José Fernandes de Oliveira, para o cargo de Dallagnol.

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná foi criada em abril de 2014, um mês depois da primeira operação de combate à corrupção ter sido deflagrada.

Ela tem prazo previsto para encerrar no próximo dia 10, mas foi pedida a prorrogação dos trabalhos à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A equipe de Dallagnol apresentou 217 acusações criminais contra 543 pessoas.

Os processos serviram de base para a Justiça condenar 166 réus, entre elas, o ex-presidente Lula, os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci e o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha,

A gestão do agora ex-coordenador da Lava Jato foi marcada por polêmicas. Para muitos, ele foi além do que determina a Constituição e teve um comportamento típico de uma estrela pop.

Dallagnol enfrenta dois processos disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que estão suspensos.

Um deles, no qual ele é acusado de cometer infração disciplinar ao tentar interferir na disputa pela presidência do Senado, com publicações contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL), tem prazo para ser julgado até o dia 10.

A Advocacia-Geral da União (AGU) alertou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (31), que o processo pode ser prescrito se não houver o julgamento no CNMP.

O outro caso é movido pela senadora Kátia Abreu (PP-TO).

Ela pediu a remoção de Dallagnol do cargo, já que ele é alvo de 16 reclamações disciplinares no CNMP, deu palestras remuneradas e assinou acordo com a Petrobras para que R$ 2,5 bilhões recuperados pela Lava Jato fossem destinados a uma fundação.

Na semana passada, o procurador e outros dois integrantes da força-tarefa tiveram um pedido do ex-presidente Lula arquivado pelo CNMP.

O petista acusou os três de promover julgamento midiático em coletiva de imprensa, em setembro de 2016. Dallagnol chegou a acusar o ex-presidente de ser chefe de uma organização criminosa.

No ano passado, conversas dele com o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil.

Em um dos diálogos, Moro chega a cobrar Dallagnol pelo longo prazo sem operações da Lava Jato, com o que o coordenador da força-tarefa concorda.

Em outra troca de mensagens, os dois discutem a solidez da denúncia contra Lula no caso do triplex do Guarujá, a quatro dias dela ser oferecida a Moro.

Dallagnol criticou a ida do ex-juiz para o ministério da Justiça e Segurança Pública e nos últimos meses, teve embates públicos com o chefe da PGR, Augusto Aras e observou, apesar das negativas do governo Bolsonaro, o inegável esvaziamento da Lava Jato.

Equipe TV Democracia

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