O orçamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) poderá ficar 48,5% menor em 2021 em relação ao previsto para este ano. O Inpe... Defesa vai usar o dobro de verbas pedidas pelo Inpe para comprar microssatélite de monitoramento na Amazônia

O orçamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) poderá ficar 48,5% menor em 2021 em relação ao previsto para este ano.

O Inpe pediu R$ 78 milhões à Agência Espacial Brasileira (AEB), mas, segundo o jornal Folha de São Paulo, o repasse previsto no orçamento é de R$ 32,7 milhões.

Para os pesquisadores do Instituto, o corte vai implicar na falta de dinheiro para novas pesquisas.

Enquanto isso, o ministério da Defesa pretende investir R$ 145,3 milhões, o dobro dos recursos pedido pelo Inpe à AEB, para a compra de um microssatélite por radar para fazer o monitoramento das áreas de devastação da Amazônia.

É a mesma pesquisa feito pelo Inpe, que é ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, defendeu a compra do equipamento nesta segunda-feira (24), para que o Brasil tenha “soberania” no monitoramento da floresta via satélite. O dinheiro virá de acordos da Operação Lava Jato.

“Ele [o microssatélite] completa a cobertura do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), ligado à Defesa]. Uma das antenas desse satélite será instalada aqui em Formosa [entorno de Brasília], e ela se estende até a nossa plataforma marítima”, completou Mourão na chegada ao Palácio do Planalto.

O ex-diretor do Inpe, Ricardo Galvão, criticou o governo: “Enquanto a AEB corta os recursos do Inpe, se esses recursos estivessem sido colocados no Inpe para desenvolver junto com o ministério da Defesa um satélite de radar, seria muito mais benéfico para o país. Aparentemente o ministério resolveu seguir uma linda independente do Inpe”.

O vice-presidente do Sindicato Nacional de Gestores em Ciência e Tecnologia (SindCT), Fernando Morais Santos, foi na linha de raciocínio de Galvão: “Corta-se verbas, não se contrata pessoal e cria-se em outro local, com outro grupo, uma atividade que é a mesma que o Inpe faz, há mais de 30 anos e faz bem feita. O simbolismo dessa aquisição de satélite é muito forte. Simboliza a destruição, o desmonte do programa espacial civil e não-bélico”, critica.

O aumento das áreas de alertas de desmatamento e queimadas na Amazônia detectado pelo Inpe tem gerado tensão entre ambientalistas, investidores estrangeiros e nacionais e o governo Bolsonaro, acusado de afrouxar as regras de fiscalização e controle da região.

O ministério da Defesa pretende abrir a licitação para a aquisição do microssatélite ainda este ano para que ele comece a operar até o final de 2021.

Equipe TV Democracia

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