Um novo indicador das desigualdades entre países ricos e pobres será entre os vacinados e não vacinados contra Covid-19. De acordo com reportagem do... Diferença entre ricos e pobres deverá aumentar com a distribuição de vacinas contra Covid-19


Um novo indicador das desigualdades entre países ricos e pobres será entre os vacinados e não vacinados contra Covid-19.

De acordo com reportagem do correspondente da TV DEMOCRACIA, em Genebra, na Suíça, Jamil Chade, publicada pelo portal UOL nesta quinta-feira (3), mais de 90 países não fecharam acordo com as farmacêuticas e são dependentes da Aliança Mundial de Vacinas, a Covax Facility.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), responsável pela Covax, o problema é agravado com a falta de recursos para a distribuição equitativa da vacina.

Para 2 bilhões de doses chegarem a todos os países até o final de 2021, a OMS calcula um orçamento de US$ 38 bilhões. Porém, conta hoje com apenas US$ 5 bilhões.

O Banco Mundial tem uma linha de crédito de US$ 12 bilhões, mas, boa parte dos países mais pobres não tem como bancar um novo empréstimo.

Um levantamento da consultoria Eurasia Group estima que os países ricos seriam amplamente beneficiados se colaborassem na vacinação dos mais pobres.

No primeiro ano, por exemplo, o impacto econômico para os 10 maiores doadores seria de US$ 153 bilhões.

Em cinco anos, pularia para US$ 466 bilhões ou 12 vezes o que seria destinado para o Covax.

A questão é que os países ricos não estão dispostos a ajudar os mais pobres e aumentem a desigualdade econômica.

Sem vacinas, bilhões de pessoas poderiam ser barradas em destinos como Nova York, Paris ou Tóquio.

A África seria um dos continentes mais prejudicados porque dificilmente terá toda a população vacinada contra Covid-19 em 2021.

Segundo o diretor regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, no primeiro momento a campanha de imunização vai beneficiar apenas 3% da população de cada país e, só depois, será ampliada em 20%.

A questão é a falta de preparo dos governos africanos.

Apenas 44% dos países têm planos de imunização e a maioria (76%) não tem sequer um projeto de financiamento para a realização de campanha, percentual que ultrapassa os 80% quando se trata de dados e monitoramento das respectivas populações para a vacinação em massa.

É uma realidade bem diferente as do Reino Unido, que começa a campanha de imunização na semana que vem; da Rússia, que vai vacinar os moradores de Moscou a partir do próximo sábado (5); da Alemanha, Itália e Espanha, que já estão prontos para imunizar as populações dos respectivos países entre este mês e janeiro.

Das 9,8 bilhões de doses negociadas ou reservadas por governos até o dia 30 de novembro, 7 bilhões já estavam garantidas por um pequeno grupo de países ricos, de acordo com a Universidade Duke (EUA).

O grupo, que representa menos de 13% do planeta, já adquiriu mais de 50% de toda a produção de vacinas, o suficiente para imunizar várias vezes a totalidade das suas populações.

A União Europeia, por exemplo, vai ter 244% a mais.

É o caso do Canadá, que terá um volume 600% acima do total da população, os EUA, 450%; o Reino Unido, 418%.

A Austrália garantiu perto de 270% de cobertura.

A União Europeia (UE) encomendou 244% enquanto Israel tem cerca de 120%.

A Nova Zelândia é outro país com vacina de sobra para a população.

O maior comprador é os EUA, com 1 bilhão de doses, sendo que mais 1,6 bilhão estão em negociação.

A UE vem em seguida, com 1,5 bilhão de doses adquiridas e outras 380 milhões em negociações.

O Brasil e outros países emergentes já fecharam contratos que somam 829 milhões de doses.

O grupo dos países de renda baixa deve receber 1,7 bilhão de doses.

As campanhas de vacinação deverão levar em conta que a maioria das vacinas só garante proteção após a aplicação de duas doses.

Equipe TV Democracia

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