(Assista) Na entrevista, José Eduardo Cardozo fala sobre Valeixo e compara a suspensão da nomeação de Lula para a Casa Civil com a de... Dilma nunca pediu para conversar com o diretor da PF sem me consultar, diz ex-ministro da Justiça

(Assista) Na entrevista, José Eduardo Cardozo fala sobre Valeixo e compara a suspensão da nomeação de Lula para a Casa Civil com a de Ramagem para a PF

Edição de Rafael Bruza

Em entrevista exclusiva à TV Democracia nesta terça-feira (12), o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, conta que pediu à ex-presidente da República Dilma Rousseff (PT) que o procurasse, caso quisesse consultar o diretor da corporação.

“Quando fui conversar com a Dilma para ser ministro e montar a equipe, ela disse: ‘escolha um diretor-geral seu’. E eu falei: ‘presidente, uma coisa vou lhe pedir, nunca receba ou peça para o diretor-geral  se encontrar com você sem a minha presença’”, relata. “Mas por que? Porque senão me desautoriza no papel de superior hierárquico da Polícia Federal”.

Cardozo argumenta que essa superioridade hierárquica não permite ao ministro da Justiça definir quem deve ou não ser investigado.“Significa você ter a hierarquia, não da investigação, mas da atuação administrativa. O ministro da Justiça é o superior hierárquico e Dilma Rousseff nunca fez isso (consultar o diretor-geral da PF sem procurá-lo)”, relata. “Eu me recordo que, uma vez estava no exterior e ela queria ter algum tipo de informação sobre, por exemplo, a visita do Papa e do planejamento. Ela me ligava e dizia: ‘você vê algum problema que eu chame o Dr. Daiello (diretor da PF no Governo Dilma) aqui para falar?’ Eu falei: ‘nenhum, presidente, problema nenhm, pode chamar’. Ou seja, é uma relação de respeito entre ministro e presidente”.

Conduta de Valeixo

Cardozo afirma que conheceu Mauríxio Valeixo, o ex-diretor da PF envolvido na saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Moro saiu do cargo acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal, ao procurar a troca no comando da corporação.

“Conheci o Maurício Valeixo. Ele foi da equipe e do Leandro Daiello, que foi nosso diretor-geral (da PF), durante todo tempo que estive no ministério. Ele é um homem sério, um profissional íntegro. Então vamos ressalvar isso: se Maurício Valeixo recebesse qualquer orientação para desrespeitar sigilo de operações, ele não cumpriria. Então é absolutamente natural que o presidente (Bolsonaro) não tenha feito para ele qualquer proposta indecorosa porque ela não seria aceita”, afirma. “Jair Bolsonaro realmente não tinha proximidade com Valeixo porque a postura dele, que eu conheço, é a de um delgado que respeita a lei, a hierarquia, mas, acima de tudo, seu papel institucional”.

“Temos que buscar a convergência”

Comentando como a oposição deve se comportar diante do Governo Bolsonaro daqui em diante, Cardozo defende a formação de uma “liga” entre correntes “democráticas” de oposição para fazer frente ao “fascismo” representado pelo presidente.

Ele ainda alfineta Ciro Gomes, que, segundo ele, teve posturas “erráticas” e “desagregadoras” recentemente. Assista:

 

 

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