O esquema da “rachadinha” montado no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também ajudou o... Dinheiro da “rachadinha” também foi utilizado na campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro

O esquema da “rachadinha” montado no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) também ajudou o parlamentar na campanha ao Senado em 2018.

É o que revela reportagem publicada pelo portal UOL nesta terça-feira (29).

Entre junho e dezembro de 2018, duas ex-assessoras, Valdenice Meliga e Alessandra Cristina Oliveira, repassaram parte dos salários e o auxílio-alimentação, que somaram R$ 27 mil ao advogado Luís Gustavo Botto Maia, assessor jurídico do filho do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral.

Além de assessoras parlamentares, Valdenice e Alessandra eram dirigentes do PSL, partido que ajudou a eleger o presidente e os filhos nas últimas eleições.

Os envolvidos não se manifestaram sobre a denúncia do UOL.

O advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão em junho.

Botto Maia é suspeito de participar de uma tentativa de obstruir a Justiça no caso da “rachadinha”.

Segundo o MInistério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), no final de 2019, o advogado participou da discussão de um plano de fuga do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz e a família dele.

O plano de fuga foi discutido na cidade de Astolfo Dutra (MG), com a mulher de Queiroz, Márcia Aguiar, e a mãe do chefe do Escritório do Crime, Adriano Magalhães da Nóbrega.

O miliciano foi morto por policiais militares da Bahia, em fevereiro de 2020.

Fabrício e Márcia cumprem prisão domiciliar.

De acordo com o MP-RJ, o ex-assessor seria o operador do esquema na Alerj e teria recebido, no mínimo, R$ 2 milhões em depósitos feitos por outros funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Por decisão da Justiça Estadual do Rio de Janeiro, o sigilo bancário de vários assessores ligados ao parlamentar foi quebrado e os dados limitados até dezembro de 2018.

A reportagem do UOL constatou que as duas ex-assessoras repassaram depósitos entre elas e também de outra funcionária, Lídia dos Santos Cunha.

A maioria dos depósitos seguiu um padrão: ocorria no mesmo dia ou em até quatro dias depois dos pagamentos da Alerj.

Também chamou a atenção o fato das transferência de salários das três assessoras ter o mesmo valor (RE 2.563,31).

Metade do auxílio-alimentação, que não tem valor fixo, também era repassada ao advogado Botto Maia.

Alessandra Cristina Oliveira era primeira-tesoureira do PSL, no Rio, quando foi contratada como assessora parlamentar no gabinete de Flávio Bolsonaro em junho de 2018.

Ela ficou no cargo na Alerj até dezembro de 2018, tendo repassado RE 20,8 mil, sendo 45% do salário líquido mais 50% do auxílio-alimentação.

Valdenice Meliga era a tesoureira-geral do PSL fluminense e foi contratada na Alerj em maio de 2018.

A partir de agosto daquele ano, começou a fazer repasses mensais, sempre no mesmo dia e em valores idênticos, para o advogado e para Alessandra.

Os três mais Fabrício Queiroz foram peças-chave nas campanhas do PSL no Rio em 2018.

Queiroz e Valdenice cuidavam da parte financeira, Alessandra foi responsável pela contabilidade da maioria dos candidatos, e Botto Maia fez a assessoria jurídica.

Valdenice é irmã de dois policiais militares suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção descoberto pela Operação Quarto Elemento.

Um deles morreu de causas naturais.

Nas eleições de 2018, quando duas candidatas mulheres renunciaram, elas foram substituídas por uma nora e uma irmã de Valdenice.

Numa prática incomum, no mínimo, suspeita, Botto Maia e Alessandra fecharam contratos com dezenas de candidatos do PSL para a movimentação financeira.

O advogado cuidou da prestação de contas de 37 candidatos (32 mulheres) e recebeu R$ 37 mil.

Alessandra utilizou uma empresa de eventos para fazer a contabilidade de 41 candidatos (33 de mulheres) para receber R$ 54 mil.

A maioria dos pagamentos veio de recursos públicos do Fundo Eleitoral.

Com a ida de Flávio Bolsonaro para o Senado, no mesmo dia 19 de março de 2019, as três assessoras foram contratadas para funções administrativas do PSL, com salários de até R$ 11,1 mil.

O dinheiro vinha dos cofres públicos.

O partido foi presidido pelo senador até o rompimento da família Bolsonaro em novembro do ano passado.

Botto Maia foi nomeado chefe de gabinete do líder do PSL na Alerj, Renato Zaca, em julho de 2019.

Ele ficou no cargo até último mês de junho, quando foi exonerado.

Na ocasião, o advogado foi alvo de mandado de busca e apreensão em seus endereços.

Botto Maia também é investigado pela Ordem de Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro (OAB-RJ) em um processo ético-disciplinar.

Equipe TV Democracia

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