A cada dia que passa diminuem as chances de Wilson Witzel (PSC-RJ) voltar ao governo do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (15), a Procuradoria-Geral... Empresário diz que esquema de corrupção no governo Witzel começou quando ele era juiz federal

A cada dia que passa diminuem as chances de Wilson Witzel (PSC-RJ) voltar ao governo do Rio de Janeiro.

Nesta terça-feira (15), a Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou o depoimento de Édson Torres, um dos presos na Operação Tris in Idem, que provocou o afastamento de Witzel do governo por 180 dias.

Torres, que está em liberdade, confessou que fez pagamentos ao governador em 2018, quando ele ainda era juiz federal.

Em troca, os três grupos de doadores de dinheiro para a campanha ocuparam vários espaços no governo estadual e, segundo o depoente, desviaram dinheiro público – R$ 50 milhões só na área da Saúde.

Nesta segunda-feira (14), pela segunda vez, a PGR denunciou Witzel ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ele foi acusado de ser o líder de uma organização criminosa que teria montado esquema para desvio de recursos públicos.

Torres, que seria o sócio do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, procurou o Ministério Público Federal (MPF) depois de sair da prisão para colaborar com a Justiça.

Ele contou que marcou reuniões com empresários para levantar dinheiro para a campanha de Witzel ao governo fluminense, em 2018.

Em setembro daquele ano, segundo as pesquisas, ele tinha 2% das intenções de voto, o que não animava eventuais doadores.

Mas, houve interesse do doleiro Victor Hugo Cavalcanti e um grupo arrecadou R$ 980 mil, dinheiro em espécie dado em cinco parcelas de cerca de R$ 150 mil pagas para Witzel durante quatro meses.

De acordo com Torres, a primeira parcela foi entregue ao Pastor Everaldo, a segunda ao futuro secretário Lucas Tristão; e a terceira e a quarta ficaram com o doleiro.

Sobre a última parcela, Torres disse que ela foi entregue em uma sala onde estavam Everaldo e Witzel.

Ele abriu uma pasta e retirou maços de dinheiro de R$ 50 mil cada, que deu ao Pastor Everaldo, “que repassou a Witzel, que colocou em uma bolsa que estava levando”.

A surpreendente vitória do azarão apoiado pela família Bolsonaro abriu caminho para três grupos ocuparem áreas do governo do Rio de Janeiro para recuperar com lucro o dinheiro investido na campanha.

Um deles seria liderado pelo empresário Mário Peixoto, que entrou na área da Saúde.

O segundo grupo era chefiado por Torres, Pastor Everaldo e pelo doleiro Victor Hugo; e o terceiro seria comandado pelo empresário José Carlos de Melo.

O esquema funcionou do primeiro dia do governo (janeiro de 2019) até junho de 2020.

Só na Saúde, segundo o MPF, foram desviados cerca de R$ 50 milhões. De acordo com o Torres, a propina era sempre paga em dinheiro em espécie, com percentuais entre 3% a 7% dos contratos.

O dinheiro era dividido da seguinte forma: 40% para a estrutura do governo, que incluía Witzel e o Pastor Everaldo; 30% para o então secretário da Saúde, Edmar Santos, 15% para Torres e também 15% para o doleiro.

O rateio foi confirmado em delação premiada do ex-secretário da Saúde, que chegou a ser preso.

O depoimento de Edmar Santos serviu de base para as investigações da Operação Tris in Idem, que levaram ao afastamento de Witzel,

Outra forma de repassar as propinas era através de contratos fictícios com escritórios de advocacia. Um deles tem como proprietária a mulher do governador, Helena Witzel; e em outro, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, era sócio-majoritário.

A Polícia Federal apreendeu um caderno na bolsa de Helena. Nela havia uma tabela de pagamentos. Peritos fizeram a análise grafológica e verificaram que algumas anotações teriam sido escritas pelo governador, o que seria prova de que ele tinha conhecimento dos pagamentos suspeitos.

O casal, o Pastor Everaldo, Lucas Tristão e Edson Torres estão entre as 12 pessoas denunciadas pela PGR ao STJ.

No documento assinado pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo, é pedido o afastamento de Witzel do cargo de governador em caráter definitivo e o pagamento de indenização de, no mínimo, R$ 100 milhões.

“Nesse diapasão, a organização criminosa, somente com esse esquema ilícito de contratação de organizações sociais na área de saúde, tinha por pretensão angariar quase R$ 400 milhões de valores ilícitos, ao final de quatro anos, na medida em que objetivava cobrar 5% de propina de todos os contratos”, diz a denúncia.

A maioria dos acusados não quis comentar ou negou as acusações da PGR.

O governador Wilson Witzel se manifestou: “Mais uma vez, trata-se de um vazamento de processo sigiloso para me atingir politicamente. Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que não esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compatível com a minha realidade financeira. Todo o meu patrimônio se resume à minha casa, no Grajaú, não tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira. O único dinheiro ilícito encontrado, até agora, estava com o ex-secretário Edmar Santos”.

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