A diplomacia brasileira dá mais um vexame internacional. Desta vez foi na Assembleia Geral das Nações Unidas, que realiza uma reunião virtual para discutir... Ernesto Araújo critica a ONU, a OMS e a China na Assembleia Geral das Nações Unidas

A diplomacia brasileira dá mais um vexame internacional.

Desta vez foi na Assembleia Geral das Nações Unidas, que realiza uma reunião virtual para discutir a crise da Covid-19, que termina nesta sexta-feira (4).

O correspondente da TV DEMOCRACIA em Genebra, na Suíça, Jamil Chade, acompanha o evento que não teve a participação dos presidentes brasileiro, Jair Bolsonaro, e americano, Donald Trump, entre os mais de 90 líderes.

O Brasil foi representado pelo chanceler Ernesto Araújo, que reafirmou posições polêmicas, como criticar o anfitrião, a Organização das Nações Unidas (ONU), e a China, o maior parceiro comercial do país.

Por não ser presidente ou primeiro-ministro, ele foi um dos últimos a discursar.

Em contraponto ao princípio que rege a ONU, do qual o Brasil é um dos fundadores, Araújo declarou que a crise sanitária não pode ser usada como “pretexto” para ampliar a agenda ou o mandato da organização, que ela é apenas “uma plataforma para compartilhar experiências e que ela (a crise) deve ser enfrentada por nações individuais, agindo de forma coordenada”.

O chanceler criticou o multilateralismo e a tese de que “problemas globais exigem respostas globais”, o que chamou de “clichês”.

“Clichés não vão ajudar a solucionar a pandemia. Apenas o trabalho nacional e a cooperação entre nações poderia dar uma resposta. Já o papel dos organismos seria apenas de servir como local de coordenação”.

O ministro disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) precisa ser mais transparente e admitiu que existe um papel a ser desempenhado pela coordenação internacional, lembrando que o Brasil faz parte da Covax, a aliança mundial de vacinas.

Ele reafirmou que não foram os organismos internacionais que saíram na recuperação da economia nacional e na assistência aos trabalhadores: “Isso recai sobre os contribuintes brasileiros. Não nos institutos internacionais. Isso não foi resultado das organizações. Isso não é para culpa-las. Mas são respostas nacionais que foram fundamentais”.

Araújo destacou o comportamento da economia brasileira e que o desemprego está supostamente “sob controle”, ignorando dados oficiais que indicam o aumento crescente no número de pessoas sem trabalho no país.

Ele citou o contrato que o Brasil firmou em agosto para receber a vacina Oxford e ao falar sobre o acordo entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac para desenvolvimento, compra e produção de outra vacina, a Coronavac, ignorou o fato dela utilizar tecnologia chinesa, dizendo que era um laboratório “estrangeiro”.

O chanceler afirmou que, juntos, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que vai fabricar a vacina Oxford no país, e o Butantan teriam a capacidade de produção de 600 milhões a 800 milhões de doses de vacinas.

Ele não perdeu a oportunidade de atacar de forma indireta a China, em mais um sinal de falta de preparo diplomático para lidar com o mais importante parceiro comercial do Brasil.

“Quem não gosta da liberdade sempre tenta se beneficiar de uma crise para pregar limites para a liberdade. Controle social totalitário não é o remédio para nenhuma crise. Não vamos fazer a democracia e a liberdade mais uma vítima da Covid-19”.

Recentemente, Araújo tem feito uma troca de ofensas e críticas veladas contra a China nas redes sociais e defendeu o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que atacou Pequim por causa da tecnologia 5G.

A embaixada chinesa em Brasília não gostou e disse que as declarações do parlamentar colocariam em risco a relação entre os dois países e que poderia haver retaliações.

Equipe TV Democracia

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