A Polícia Civil do Distrito Federal (DF) indiciou 11 pessoas, entre elas o estudante picado por uma cobra, a mãe dele e o padrasto,... Estudantes de veterinária e servidores públicos são indiciados por crimes ambientais no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (DF) indiciou 11 pessoas, entre elas o estudante picado por uma cobra, a mãe dele e o padrasto, um militar da reserva, por envolvimento em tráfico de animais.

No dia 7 de julho, o estudante de veterinária, Pedro Henrique Krambeck Lehmkuhl, de 22 anos, foi picado por uma naja que ele criava ilegalmente em Brasília.

Pedro chegou a ficar em coma e foi salvo por um soro antiofídico enviado pelo Instituto Butantan de São Paulo.

Segundo as investigações, um amigo dele, Gabriel Ribeiro, a mando de um comandante do Batalhão Ambiental, amigo do padrasto de Pedro, o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar, Eduardo Condi, teria solto a cobra perto de um shopping do DF.

Pedro e Gabriel chegaram a ser presos, mas foram liberados graças a habeas corpus.

O delegado William Andrade Ricardo também indiciou outros quatro alunos de veterinária, uma professora da faculdade onde estudam e a mãe de Pedro, Rose Meire dos Santos Lehmkuhl.

Segundo a Polícia Civil do DF, desde 2017, Pedro estava envolvido na criação ilegal e no tráfico de animais exóticos, que não são da fauna brasileira. A mãe e o padrasto ajudavam na atividade. Cada cobra era vendida por cerca de R$ 500.

“Deixamos claro que não se trata de um colecionador. Nessa investigação, tratamos de separar o joio do trigo, reconhecendo quem apenas criava uma ou duas cobras, de quem compra venda e atua nesse tráfico”, explicou William.

A residência da família, na cidade satélite de Guará, chegou a ter mais de 20 serpentes: “Para alimentar essas cobras, são necessários ratos, que podem ser vivos ou mortos (congelados). O apartamento do Guará começou a ficar pequeno para criação das cobras e dos camundongos”, disse o delegado.

Para aumentar o espaço, Pedro convenceu colegas a ajudar na atividade, abrigando os répteis.

Por ser funcionária de órgão federal, a servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Adriana da Silva Mascarenhas,vai responder ao inquérito sob apuração da Polícia Federal.

No inquérito remetido ao Ministério Público do DF, Pedro foi indiciado pelos crimes de tráfico de animais, associação criminosa, maus tratos e exercício ilegal da medicina veterinária.

Os crimes de tráfico de animais de maus tratos foram multiplicados pelo número de serpentes criadas pelos estudantes. Ou seja, Pedro foi autuado 23 vezes por esses crimes.

A mãe e o padrasto vão responder por associação criminosa, tráfico, fraude processual e corrupção de menores.

Gabriel foi denunciado por posse ilegal, guarda ilegal, maus tratos, fraude processual e associação criminosa.

Seis estudantes vão responder por fraude processual e posse ilegal.

A professora Fabiana Volkweis também foi indiciada por fraude processual.

O delegado disse que “ficou impressionado como todo mundo (da faculdade onde os jovens estudavam veterinária) sabia. Colegas, professores. Era algo totalmente banal”.

Quatro servidores públicos do Ibama teriam facilitado os crimes ambientais e foram afastados dos cargos. Um deles, Adriana da Silva Mascarenhas, expedia licenças de coleta, captura e transporte de cobras, que “somente um funcionário muito experiente poderia desconfiar que era falsa”, afirmou.

Adriana foi retirada do cargo por ordem da Justiça Federal de Brasília e a suposta participação dela está sendo apurada em um processo interno do Ibama.

Na semana passada, o comandante do Batalhão Ambiental, Joaquim Elias Costa Paulino, e o capitão do mesmo batalhão, Cristiano Dosualdo Rocha, foram afastados pela Polícia Militar do DF. Eles foram transferidos para a área administrativa.

De acordo com o delegado, eles atrapalharam as investigações: “Pessoas com serpente em casa, se apresentaram e entregaram as cobras ao Centro de Triagem de Animais Silvestre (Cetas). Uma delas, Gabriel Ribeiro, combinou com o Batalhão Ambiental, que entregaria o animal em troca de não ser indiciado por nada”.

As serpentes foram levadas nesta quarta-feira (12) para São Paulo, onde cumprem quarentena no Instituto Butantan (foto).

Equipe TV Democracia

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