Ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, em carta pública divulgada nesta terça-feira (14), pedem para que a retomada econômica leve em conta... Ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do BC pedem mudanças na política ambiental do governo

Ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, em carta pública divulgada nesta terça-feira (14), pedem para que a retomada econômica leve em conta a preservação ambiental e a responsabilidade social.

O documento cita que, desde a posse, o presidente Jair Bolsonaro é criticado pelas políticas ambientais que afrouxaram a fiscalização e permitiram o aumento das áreas desmatadas.

Estas políticas ameaçam o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia e preocupam os investidores estrangeiros que gerenciam cerca de R$ 20 trilhões diante das incertezas sobre a preservação ambiental do país. Por conta disso, Alemanha e Noruega suspenderam o repasse de recursos para o Fundo Amazônia.

Na carta, pede-se ao governo que critérios de redução das emissões e do estoque de gases de efeito estufa na atmosfera, e de adaptação às mudanças climáticas sejam integrados à gestão da política econômica: “Esses critérios já são, e serão cada vez mais, baseados em tecnologias compatíveis com o aumento da produtividade da nossa economia, a geração de empregos e a redução da desigualdade no Brasil. Além disso, a descarbonização significa a valorização da nossa economia no longo prazo, uma consideração cada vez mais importante para investidores internacionais”.

Também é destacada a transição da economia brasileira para um prazo de emissões líquidas de carbono zero, indispensável para estabilizar a temperatura média do planeta, e a necessidade de que seja zerado o desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Ações para o aumento da resiliência climática e pesquisas científicas que propiciem soluções e promovam modelos de negócio de baixo carbono devem ser estimuladas pelo governo.

Em coletiva de imprensa por video conferência, o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, afirmou que a pandemia ampliou transformações na consciência coletiva.

“A primeira delas é em relação às desigualdades. O fato dramático é que, no Brasil, pobres venham a falecer mais do que ricos. Para a sociedade brasileira e outras também, vai nos levar a refletir mais seriametne sobre a questão da desigualdade social e de como combater a pobreza. O segundo aspecto é o meio ambiente. Se olharmos historicamente, de início era uma preocupação dos cientistas e ambientalistas. Aos poucos foi se difundindo para a opinião pública e, depois, chegou ao mundo corporativo. O meio ambiente é um problema de escala global”, disse

Além de Arida, a carta é assinada, entre outros, pelo ex-presidente da República e ex-ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, os ex-ministros Henrique Meirelles, Pedro Malan, Joaquim Levy e Zélia Cardoso de Mello, e os ex-presidentes do Banco Central, Armínio Fraga, Gustavo Loyola e Ilan Goldfajn.

Equipe TV Democracia

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