O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM-RJ), o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) e mais três pessoas são alvos de mandados de... Ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM-RJ), o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ) e mais três pessoas são alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (8).

A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), com autorização do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.

Itabaiana é o mesmo juiz responsável pelo caso do esquema da “rachadinha”, o desvio de dinheiro público no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Na sexta-feira (4), o filho do presidente conseguiu impedir que a Rede Globo divulgasse reportagem sobre o assunto alegando que o processo está sob sigilo. A emissora vai recorrer contra esta decisão da Justiça.

Paes, Pedro Paulo, Benedicto Barbosa da Silva Junior,Renato Barbosa Rodrigues Pereira e Eduardo Bandeira Villela foram denunciados pelo Ministério Público Eleitoral por corrupção, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, o ex-prefeito recebeu R$ 10,8 milhões não declarados da Construtora Odebrecht.

O dinheiro foi pago entre os dias 4 de junho e 19 de setembro de 2012 pelos executivos da empreiteira, Benecdito Barbosa da Silva Júnior e Leandro Andrade Azevedo, e foi para o caixa 2 da campanha à reeleição naquele ano.

O pagamento de dinheiro em espécie não chegou diretamente a Eduardo Paes, mas, para os sócios da Prole Serviços de Propaganda, Renato Barbosa Rodrigues Pereira e Eduardo Bandeira Villela, e serviu para custear a campanha de 2012.

O deputado federal Pedro Paulo era o chefe da Casa Civil da prefeitura e coordenava a campanha eleitoral.

De acordo com o MP-RJ, “embora plenamente ciente da natureza ilícita dos pagamentos recebidos, Pedro Paulo encarregou-se de gerenciar o recebimento da vantagem indevida, especificando a forma como seria destinada e indicando os responsáveis por sua arrecadação”.

A aceitação da denúncia pela Justiça Eleitoral não impede que Paes, que é candidato a prefeito, dispute as eleições municipais de novembro. A candidatura só seria barrada com base na Lei da Ficha Limpa, se fosse condenado pela segunda instância.

A busca no endereço do ex-prefeito, no bairro de São Conrado, na zona sul do Rio, aconteceu antes das 7h30 da manhã de hoje (8). Em nota, ele disse que foi “uma tentativa clara de interferência do processo eleitoral”.

“Às vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de interferência do processo eleitoral – da mesma forma que ocorreu em 2018 nas eleições para o governo do estado”, afirmou.

É o segundo processo que ele se torna réu.

Em março, o ex-prefeito foi acusado pela Justiça Federal por corrupção passiva, fraude em licitação e falsidade ideológica, pelo desvio de cerca de R$ 120 milhões destinados a uma das principais obras da Olimpíada de 2016, o Complexo de Deodoro

Paes teria envolvido no suposto direcionamento na licitação para a obra que, para o Ministério Público Federal, houve uma clara intenção de limitar ao máximo a participação de várias empresas na concorrência.

Na ocasião, ele disse que a denúncia era “absurda” e que em nenhum momento os procuradores o acusam de receber valores de qualquer natureza.

Paes governou a cidade do Rio de Janeiro entre 2009 e 2017 e perdeu a eleição ao governo do estado, em 2018, quando o eleito foi Wilson Witzel (PSC-RJ), que está afastado do cargo também por acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Sobre a operação de hoje, o deputado Pedro Paulo apontou “uso político de instrumentos da Justiça para interferir na eleição. Não nos intimidarão. Ao ter acesso o conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no processo”.

Em nota, a Odebrecht disse que colabora com as autoridades não só do Brasil, mas também de sete países e instituições como o Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) desde 2016.

“É o mais amplo, completo e consistente processo de colaboração da Lava Jato, feito por 77 ex-executivos e com denúncias contra mais de 600 agentes públicos. A Odebrecht se transformou e tem hoje controles internos rigorosos que reforçam o seu compromisso com a ética, a integridade e a transparência”.

Equipe TV Democracia

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