A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recebeu 21 cheques de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e mais seis cheques da mulher de Fabrício,... Fabrício e Márcia depositaram R$ 89 mil na conta bancária da primeira-dama do país

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recebeu 21 cheques de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e mais seis cheques da mulher de Fabrício, num total de R$ 89 mil.

As informações foram divulgadas pela revista Crusoé nesta sexta-feira (7).

Mais tarde, a Rede Globo apurou que Michelle recebeu mais R$ 17 mil da mulher de Fabrício, Márcia Oliveira de Aguiar. O dinheiro é o total de cinco cheques de R$ 3 mil e um de R$ 2 mil.

A versão do presidente Jair Bolsonaro é que Queiroz pagou R$ 40 mil de um empréstimo. Mas, segundo a revista, não há nenhuma evidência na conta corrente de Queiroz de que ele tenha recebido algum crédito de Bolsonaro. Ou seja, não há prova de que houve qualquer empréstimo.

A Justiça quebrou o sigilo bancário do ex-assessor do enteado de Michelle e a Crusoé, que teve acesso aos números, revelou que havia mais depósitos em cheques na conta dela do que se tinha conhecimento.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já havia informado ao Ministério Público do Rio de Janeiro, em dezembro de 2018, que Queiroz havia depositado cheques que somavam R$ 24 mil na conta da primeira-dama.

Na ocasião, Jair Bolsonaro explicou que os depósitos faziam parte do pagamento de uma dívida e que o valor era ainda maior: “Não foi por uma, foi por duas vezes que o Queiroz teve dívida comigo e me pagou com cheques. E não veio para a minha conta esse cheque porque simplesmente eu deixei no Rio de Janeiro. Não estaria na minha conta. E não foram R$ 24 mil. Foi R$ 40 mil”.

Pelo menos 21 cheques foram depositados na conta de Michelle Bolsonaro. Os três primeiros, cada um de R$ 3 mil (total de R$ 9 mil), são de 2011. No ano seguinte, mais seis cheques do mesmo valor (R$ 18 mil).

Em 2013, ela recebeu R$ 9 mil divididos em três cheques de R$ 3 mil.

O maior valor, R$ 36 mil, que representa a soma de nove cheques, é de 2016.

Há suspeita de que os recursos depositados por Queiroz são parte do esquema de “rachadinha”, o desvio de parte dos salários dos assessores de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Queiroz é acusado de ser o operador financeiro da “rachadinha”. A mulher e as filhas eram funcionárias fantasmas do então deputado federal Jair Bolsonaro e do filho Flávio.

De acordo com a reportagem da Crusoé, entre 2007 e 2018, quando foi exonerado do cargo, o ex-assessor movimentou R$ 6,2 milhões, sendo que R$ 1,6 milhão era proveniente dos salários que recebia da Polícia Militar e da Alerj.

A situação se complica quando aparecem R$ 2 milhões vindos de 483 depósitos de servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro e R$ 900 mil em créditos em dinheiro em espécie sem a identificação dos depositantes.

Em 2011, Queiroz recebeu R$ 400 mil, R$ 158 mil em dinheiro vivo.

Em 2016, a conta bancária dele movimentou R$ 696 mil, sendo R$ 223 mil em espécie.

A defesa do ex-assessor afirmou que só vai se manifestar nos autos sobre eventuais informações de cunho sigiloso. Ele e a mulher, Márcia Aguiar, cumprem prisão domiciliar em um apartamento do bairro de Taquara, na zona oeste do Rio

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que Michelle Bolsonaro não é investigada no inquérito da “rachadinha”.

O Palácio do Planalto e a defesa do senador Flávio Bolsonaro não comentaram nada até às 18h35 desta sexta-feira (7).

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Equipe TV Democracia

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