A fome aumentou significativamente no Brasil em cinco anos. Mesmo sem os números de agosto de 2018 para cá, pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro... Fome volta a crescer no Brasil: o país tinha mais de 10 milhões de famintos em 2018

A fome aumentou significativamente no Brasil em cinco anos.

Mesmo sem os números de agosto de 2018 para cá, pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (17) revelou que, depois de um importante recuo em uma queda, o número de pessoas sem acesso regular À alimentação básica mo país chegou a cerca de 10,3 milhões.

O aumento foi de aproximadamente 3 milhões de pessoas em cinco anos.

No entanto, o número pode ser bem maior pois a pesquisa não levou em conta os moradores de rua, só os que tem domicílios permanentes.

O levantamento foi feito entre junho de 2017 e julho de 2018. Ou seja, antes do agravamento da recessão econômica e da pandemia do coronavírus.

Mesmo assim é o menor patamar da população sem segurança alimentar (acesso pleno e regular aos alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais) em 15 anos.

A série histórica começou em 2004, quando 65,1% dos domicílios tinham esta segurança alimentar.

O porcentual caiu para 63,3% no levantamento divulgado hoje (17), mas esteve em crescimento em 2009 e 2013 (77,4%), quando foram realizadas as pesquisas anteriores.

Na comparação com 2013, o número de domicílios com segurança alimentar teve queda de 13,7%. Em contrapartida, aumentou em 71,5% o número de domicílios com insegurança alimentar.

O gerente da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), André Luiz Martins Costa, afirmou que a fome está mais presente nas áreas rurais do país, porque “as pessoas que estão em meio urbano conseguem mais alternativas [de alimentação] que aquelas que vivem nas áreas rurais”.

O IBGE divide a insegurança alimentar em três níveis:

1) Leve: há preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro, além de queda na qualidade adequada dos alimentos resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentação consumida.

2) Moderada: redução quantitativa no consumo de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação.

3) Grave: redução quantitativa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores do domicílio. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência comum no lar.

O maior crescimento percentual foi a insegurança alimentar moderada, que subiu 87,53% entre 2013 e 2018.

A insegurança alimentar leve cresceu 71,5% nos lares brasileiros, e a grave, que já é a fome, aumentou em 48,8%.

Ela é mais aguda nas zonas rurais, onde atingiu um contingente menor (2,6 milhões de habitantes) em comparação com os famintos que viviam nas áreas urbanas (7,7 milhões).

Proporcionalmente, representavam, respectivamente, 40,1% da população rural e 23,3% da urbana.

“As pessoas que estão em meio urbano conseguem mais alternativas para a sua alimentação, substituindo itens com maior facilidade que na área rural, que tem menor variedade de alimentos disponíveis”, explicou o gerente da pesquisa, André Costa.

O Nordeste é a região com maior porcentual (41,5% – 4,3 milhões) do total de famintos (cerca de 10,3 milhões em 2018), seguido pelo Sudeste (2,5 milhões) e do Norte (pouco mais de 2 milhões).

Porém, a proporção de domicílios com insegurança alimentar grave é maior no Norte (10,2%), cinco vezes maior do que a registrada no Sul (2,2%).

Na análise por faixa etária, metade das crianças com até 4 anos vivia em lares com algum tipo de insegurança alimentar (5,1% no nível grave).

Entre 5 e 17 anos, o percentual foi de 50,7%.

Cai para 41,2% na faixa etária entre 18 e 49 anos, e para 34,6% entre 50 e 64 anos de idade.

Acima dos 65%, está a menor proporção (21,3%), mas cerca de 2,7% dos idosos passaram fome entre 2017 e 2018.

“À medida que a idade da pessoa aumenta, aumentam também as chances dela ter maior segurança alimentar”, apontou o pesquisador do IBGE, André Costa.

Outras conclusões da pesquisa: lares chefiados por mulheres são mais atingidos pela insegurança alimentar, assim como os domicílios de autodeclarados negros ou pardos e quanto maior a quantidade de pessoas morando no mesmo teto, maior a possibilidade desta situação ser presente.

Equipe TV Democracia

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