A força-tarefa da Lava Jato no Paraná interferiu na sucessão do ex-juiz Sergio Moro nos processos da operação em primeira distância. É o que... Força-tarefa da Lava Jato no PR interferiu na escolha do sucessor de Moro na primeira instância

A força-tarefa da Lava Jato no Paraná interferiu na sucessão do ex-juiz Sergio Moro nos processos da operação em primeira distância.

É o que revela reportagem do site Intercept Brasil publicada nesta terça-feira (13).

Logo depois da aceitar o convite para ser ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro, em novembro de 2018, Moro anunciou que deixaria a magistratura.

Em janeiro de 2019, começou o movimento dos procuradores da Lava Jato liderado pelo então coordenador Deltan Dallagnol para intervir na escolha do sucessor de Moro na 13ª Vara Federal da primeira instância.

Mensagens de texto e áudio trocadas pelo Telegram e transcritas pelo Intercept Brasil mostram que eram os preferidos e como afastar quem poderia atrapalhar o andamento da Lava Jato.

Os procuradores conseguiram emplacar o nome do juiz federal Luiz Antonio Bonat, que estava hesitante em concorrer ao cargo.

“Aí ontem os juízes estavam preocupados e conseguiram fazer, conseguiram convencer o número 1 da lista (Bonat), o que é ótimo para nós, assim, simbolicamente, a aceitar o desafio de ir para a 13ª”, comemorou Dallagnol, em áudio.

Ele também enviou mensagem de texto aos colegas: “Caros, vamos visitar as pessoas que seria bom que assumissem a 13ª Vara para convencê-las. Vou levantar nomes bons e vou convidar quem puder pra irmos estimular rs (risos)”..

No dia seguinte, em outra mensagem, Dallagnol enumerou os postulantes por ordem de antiguidade e os qualificou conforme os interesses do MPF.

“Luiz Antonio Bonat, 1 (21ª Vara Federal de Curitiba) (dois vão conversar) Taís Schilling Ferraz, 2 (Moro considerava uma opção – ligada a Gilmar) Eduardo Vandré, 6 (seria péssimo) Loraci Flores (irmão do Luciano Flores), 8 Marcelo Malucelli, 10 Artur César de Souza, 11 (Londrina) Julio Guilherme Berezoski Schattschneider, 19 (péssimo, mas parece que não quer mais) Nivaldo, 37, impedimento ? Danilo, 64, impedimento mas com interpretação pq de execução Friedmann, 70 Claudia Maria Dadico, 95 (Diretora foro SC, perigosos vínculos) Antonio César Bochenek, 106 Marcos Josegrei, 111 Bianca Arenhart, 112”.

Na mesma conversa, o procurador Joaquim Paludo respondeu que Vandré, considerado “péssimo” por Deltan, era “pt e não gosta muito do batente”. Que Bonat “é ótimo, mas não tem pique”. Dallagnol aventou a possibilidade de que Bonat fosse escolhido, mas deixasse outros “trabalharem por trás” dele, como juízes assessores.

No dia 16 de janeiro de 2019, em outra mensagem, Dallagnol disse que o então diretor do foro da Seção Judiciária do Paraná, Marcelo Malucelli conversou com Bonat, que ainda não havia se convencido a se candidatar à vaga de Moro. Sobre o então “nosso preferido”, pediu mais uns dias para avaliá-lo.

Segundo o Intercept, “nosso preferido” era o juiz da vara federal de Curitiba, Danilo Pereira Júnior.

Naquele momento, Vandre já havia desistido de concorrer, mas outro classificado por Deltan como “péssimo, Julio Guilherme Berezoski Schattschneider, que trabalhava em Santa Catarina, permanecia no páreo

A força-tarefa estava preocupada também com a indicação do então presidente do Tribunal Federal Regional da 4ª Região (TRF-4), desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, de que dois nomes preferidos dos procuradores estavam impedidos de disputar a vaga por uma questão regimental.

No dia 21 de janeiro, Dallagnol afirmou que “o ideal seria tentar reverter isso na conversa com o presidente (Thompson Flores)”.

Porém, horas depois, Paludo avisou ao grupo que Bonat havia mudado de ideia e decidido se inscrever.

No dia 22 de janeiro, o TRF-4 divulgou a lista com o juiz na primeira posição.

Se a candidatura fosse mantida até o dia 24, a vaga seria de Bonat. Caso contrário, iria para o segundo colocado, Schattschneider.

De acordo com o Intercept, os procuradores trataram pessoalmente do assunto com a cúpula da Justiça Federal do Paraná para evitar que outro nome, senão o de Bonat, fosse o escolhido.

Um plano, que era sugerido por Deltan, o de ter um grupo de juízes para auxiliar Bonat na agilidade dos processos e mantê-lo com interesse pela cadeira, chegou a ser apresentado por Malucelli. No entanto, foi rejeitado pela cúpula do TRF-4.

Procurados pelo Intercept, Schattschneider não quis comentar o caso- ele desistiu da vaga antes do dia 24, e Malucelli disse que não sabia que Bonat foi convencido de última hora.

Ele também não confirmou se participou da articulação para a criação de um grupo de juízes, mas, que “várias medidas de auxílio foram tomadas pela corregedoria do TRF-4 , antes e depois da saída do juiz Moro da 13ª Vara de Curitiba”.

Sem concorrentes, Bonat substituiu Moro no dia 6 de março.

Outros citados pela reportagem não se manifestaram.

Equipe TV Democracia

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