A desastrada política de saúde do governo brasileiro no combate à pandemia é assunto de relatório oficial. Ele será apresentado no Conselho de Direitos... Governo Bolsonaro vai ser denunciado no Conselho de Direitos Humanos da ONU

A desastrada política de saúde do governo brasileiro no combate à pandemia é assunto de relatório oficial. Ele será apresentado no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas nos próximos dias.

O documento, que não trata apenas do Brasil, foi preparado pelo relator da Organização das Nações Unidas (ONU), o americano Baskut Tuncak, e teve os detalhes publicados no portal UOL pelo correspondente da TV DEMOCRACIA na Suíça, Jamil Chade.


É o primeiro informe oficial de um relator da ONU sobre a crise sanitária e o Itamaraty só vai se manifestar quando ele for a público no Conselho.

Entre os pontos de destaque estão a falta de medidas de prevenção, o negacionismo da ciência e o descaso com os povos indígenas.

“A incerteza é sempre um fator na ciência.No caso da Covid-19, em geral, houve notável falta de precaução empregada pelos estados e empresas, desde o uso econômico de máscaras faciais até informações sobre o risco de propagação aérea até a natureza mortal do próprio vírus. Quando há ameaças de danos graves ou irreversíveis, a falta de certeza científica total não deve ser usada como motivo para adiar medidas para evitar a degradação ambiental”.

Em outro trecho, o documento afirma que “desde a década de 1930, a precaução tem sido vista como parte fundamental do desenvolvimento responsável de medicamentos para proteger a saúde pública. Contudo, os estados continuam a atacar o princípio da precaução nos debates sobre o comércio internacional e a proteção ambiental. Não é uma coincidência que os estados que lideram a discussão contra o princípio da precaução, incluindo Estados Unidos, Brasil e Rússia, tenham sido registrados entre os surtos mais graves da pandemia até hoje”.

Tuncak também chamou a atenção para a situação precária dos indígenas diante da pandemia: “A Covid-19 está devastando as comunidades indígenas, invocando a trágica história da varíola que dizimou muitos povos das Américas e de outros lugares.Os testes para muitas comunidades continuam limitados e o auto-isolamento muitas vezes não é uma opção viável. Os garimpeiros ilegais e outros indesejados continuam a representar uma ameaça existencial para as comunidades, particularmente aqueles que voluntariamente vivem isolados”.

Como exemplo, utilizou a situação dos Yanomanis, que vivem em Roraima e Amazonas, e enfrentam conflitos com os garimpeiros ilegais.

Tunkat aponta como os indígenas lançaram campanhas para exigir “a expulsão imediata dos mineiros de seu território, que tem sido o alvo da mineração ilegal de ouro desde os anos 80. O contato causou a morte de 13% da população Yanomami por doenças como gripe, sarampo, pneumonia e malária, contra as quais a tribo tem pouca ou nenhuma imunidade”.

Sem citar o nome do presidente Jair Bolsonaro, o relator criticou o negacionismo.

“A rejeição da ciência da Covid-19 tem fortes paralelos com a rejeição da ciência dos impactos mortais da poluição e dos produtos químicos tóxicos. O custo para as economias de tomar medidas tardias ou levantar restrições muito cedo tem sido indiscutivelmente maior do que o impacto que teria sido se medidas fortes tivessem sido tomadas rapidamente e retidas adequadamente”.

A crítica segue : “Governos têm citado covardemente a incerteza científica e narrativas financeiras incompletas para atrasar a tomada de medidas que são desfavoráveis a interesses poderosos”.

O resultado de não atender às recomendações de especialistas, foi desastroso. Os números de mortes e casos aumentaram, denuncia o informe.

“Em vez de seguir os conselhos científicos para adotar medidas mais rigorosas de teste e contenção, certos líderes do governo apresentaram argumentos desonestos em apoio a suas abordagens, particularmente a justificação econômica de não impor um confinamento, sacrificando efetivamente a vida de seus cidadãos, em particular comunidades de baixa renda e minorias, trabalhadores e pessoas idosas. Alguns líderes políticos chegaram ao ponto de tratar o vírus como uma “gripezinha”, uma referência velada a Bolsonaro.

“Eles rejeitaram publicamente recomendações de cientistas e da Organização Mundial da Saúde (OMS), espalharam informações errôneas e minimizaram o risco, contribuindo para a subestimação da pandemia”.

O relatório também se referiu, indiretamente, ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que na célebre reunião ministerial de abril, sugeriu tomar medidas de afrouxamento do controle ambiental em meio à pandemia: “Alguns também apelaram para a desregulamentação ambiental enquanto o público “se distrai” com a Covid-19″.

O relator constatou que, alguns estados exerceram seu dever com “clareza, compromisso e liderança” no combate à pandemia.

“As medidas implementadas não vieram sem custos em termos de emprego, educação e saúde mental. Entretanto, através de uma liderança forte e ações decisivas, estes países salvaram inúmeras vidas e reduziram o dano econômico geral. Em todas as melhores respostas, foram tomadas ações rápidas e decisivas baseadas em recomendações da comunidade científica e internacional que deixaram de lado os objetivos políticos e outros e se concentraram na prevenção da exposição, prevendo a tragédia da inação”, elogia.

Por outro lado, o informe denuncia, sem citar nomes, um punhado de estados “cujos líderes se afastaram completamente de suas obrigações de direitos humanos para evitar a exposição ao novo coronavírus nos estágios iniciais. Individual e coletivamente, a pandemia ilustra o fracasso de muitos governos em reconhecer e manter seu dever de prevenir a exposição, refletido tanto na entrada de um novo coronavírus na sociedade quanto na possibilidade de sua rápida disseminação dentro e fora das fronteiras nacionais. Para a maioria desses estados, a rejeição não é diferente de sua rejeição das evidências que envolvem outras ameaças à saúde pública, tais como poluição ambiental, riscos à saúde ocupacional e a implacável produção, uso e eventual exposição a produtos químicos tóxicos, sob uma falsa narrativa dos males necessários que não podem ser reduzidos e eliminados”.

O relator alerta que, em muitos países, dezenas de milhares de casos suspeitos de Covid-19 permaneceram não testados, não rastreados e circulando livremente entre o público por meses, desafiando as recomendações da OMS.

“Os estados mostraram-se relutantes em impor restrições no início, ou incapazes de mantê-las por um período razoável, tanto por razões políticas como econômicas. Tal atraso causou uma propagação fenomenal do vírus dentro e fora de suas fronteiras e uma perda evitável de dezenas de milhares de vidas”, lamenta.

Equipe TV Democracia

Nenhum comentário ainda. Comente!

Be first to leave comment below.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Notice: Trying to access array offset on value of type null in /home/wp_vihbaf/democracia.tv/wp-content/themes/goliath/theme/theme-functions.php on line 1103

Notice: Trying to access array offset on value of type null in /home/wp_vihbaf/democracia.tv/wp-content/themes/goliath/theme/theme-functions.php on line 1103