O governo federal foi cobrado nesta quinta-feira (9) por investidores estrangeiros preocupados com o desmatamento da Amazônia. O vice-presidente, Hamilton Mourão, que também é... Governo promete decreto que suspende as queimadas na Amazônia por 120 dias

O governo federal foi cobrado nesta quinta-feira (9) por investidores estrangeiros preocupados com o desmatamento da Amazônia.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, que também é o comandante do Conselho da Amazônia, ao lado de seis ministros, participou de uma videoconferência com representantes de grupos suecos, noruegueses, japoneses, holandeses e britânicos. Uma reunião nos mesmos moldes está marcada para esta sexta-feira (9), com empresários brasileiros.

Ele afirmou que “é óbvio que os investidores estrangeiros queiram ver resultados das políticas ambientais do Brasil. E qual o resultado que podemos apresentar? É que haja efetivamente uma redução do desmatamento”.

Mourão garantiu que o governo vai manter as operações de repressão aos crimes ambientais, realizar ações mais efetivas para a regularização fundiária e de pagamentos de serviços ambientais para que, “pouco a pouco, se chegue a um número de desmatamento que seja aceitável”.

Na coletiva de imprensa, o vice-presidente defendeu o governo Jair Bolsonaro. Disse que não pode ser responsabilizado pelo “desmonte” de agências de fiscalização ambiental. “Nós herdamos tanto o Ibama como o ICMBio com reduzido número de servidores. Com as questões orçamentárias que vivemos e a proibição de concursos, nós estamos buscando uma solução (…). Então, críticas têm sido feitas e, principalmente, ao ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e quero deixar claro aqui que essas críticas não estão sendo justas”.

Salles, que esteve presente na videoconferência, informou que, na próxima semana, o presidente Bolsonaro vai assinar decreto, no qual suspende a autorização para o uso de fogo na Amazônia e no Pantanal por 120 dias. O ministro disse ainda que, nos demais biomas haverá exceções já previstas na legislação.

Na última segunda-feira (6), o Ministério Público Federal (MPF) pediu o afastamento de Salles por improbidade administrativa. Ele também foi criticado por dois ex-coordenadores do IBAMA, por dificultar as operações de fiscalização.

O ministro não comentou o assunto, mas o vice-presidente fez questão de defendê-lo. “O ministro Ricardo Salles tem a confiança total do presidente Bolsonaro e a minha também”.

Mourão disse que, o governo está negociando com a Noruega e a Alemanha para que voltem a investir no Fundo Amazônia. Os dois países contribuem juntos com mais de 90% do fundo administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas, em 2019, os repasses foram suspensos por causa do aumento das queimadas na Amazônia e por divergências com a política ambiental brasileira.

O vice-presidente declarou que “o Brasil não derruba a floresta para produzir alimentos, pois o agronegócio do país tem tecnologia de ponta. Há uma disputa geopolítica, pois o Brasil será a maior potência agrícola do mundo, o que fará com que o país sofra pressões de competidores”.

O governo também foi questionado sobre a política indigenista. Mourão respondeu que é responsabilidade do Brasil cuidar dos indígenas, mas “o indígena tem que ser mais integrado para que ele tenha capacidade, não só de ter a sua autodeterminação, de escolher seu modo de vida como também de ter renda para que possa viver dignamente”.

Além do vice-presidente e de Ricardo Salles, os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil), Teresa Cristina (Agricultura), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fábio Faria (Comunicação) e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, estiveram presentes na reunião.

Equipe TV Democracia

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