Um dos motivos do atraso na divulgação de dados apurados no primeiro turno das eleições municipais do dia 15 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE)... Grupo português de hackers assume autoria de ataques a 140 sites brasileiros desde 2017

Um dos motivos do atraso na divulgação de dados apurados no primeiro turno das eleições municipais do dia 15 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi o ataque cibernético do grupo português CyberTeam.

Desde 2017, o grupo liderado por Zambrius assumiu a autoria de ataques a 140 sites brasileiros. Só em 2020 foram 61.

O CyberTeam diz que age contra governos, sem intenção de ganhos financeiros. Mas, tem invadido sites de pequenos comércios e empresas com objetivo de extorquir os alvos, segundo especialistas consultados pelo jornal O Estado de São Paulo.

Zambrius, que está em prisão domiciliar em Portugal, negou que o grupo faça extorsões.

Ele disse por e-mail ao jornal que “o CyberTeam nunca esteve envolvido em ataque de ransomware (que pede pagamento para devolver dados sequestrados) ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas somos responsáveis pela invasão ao Ministério da Saúde e a alguns tribunais de Justiça”.

Em janeiro, Zambrius e 12 hackers invadiram o site de uma empresa de softwares de Juiz de Fora (MG). Colocaram uma foto de uma adolescente e disseram que haviam feito aquilo apenas por diversão.

O dono, que não quis se identificar por temer represálias, disse que recebeu ameaça de vazamento de dados pessoais, se não fizesse um pagamento em bitcoins.

“Recebi e-mail falando que tinham hackeado minhas contas pessoais. Troquei minhas senhas, não paguei”.

Outra vítima de São Paulo, dona de uma site de comércio de produtos importados, também recebeu um e-mail anônimo com pedido de pagamento e obedeceu: “O pessoal manda, mas não temos tempo de ficar dando atenção para certas coisas. É importante, mas temos muitas outras coisas para verificar. Nós nos preocupamos com os clientes. Nosso banco de dados é seguro. Houve acessos no passado, mas nada que fosse devastador. Temos backup de tudo”.

Além de pequenas empresas, o CyberTeam reinvindica ataques a prefeituras, Câmaras, o Detran de Tocantins e o ministério da Saúde.

Em nota, a Agência de Tecnologia da Informação do Tocantins confirmou o ataque ao Detran, em outubro, que teria alterado temporariamente o conteúdo da página exibida ao usuário, mas garantiu que não houve perda de dados, acesso a informações ou extorsão: “Fizemos os ajustes de segurança necessários e reativamos o serviço”.

Especialistas em cibersegurança não descartam o apoio de núcleos bolsonaristas ao grupo.

Zambrius afirmou que agiu sozinho usando apenas um celular para invadir as páginas do TSE.

O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e o TSE estão investigando o caso.

Equipe TV Democracia

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