“Barulheira”. Foi assim que o ministro da Economia, Paulo Guedes, definiu a crise entre o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica. Ele não... Guedes critica “barulheira” e diz não é alvo de cartão vermelho de Bolsonaro

“Barulheira”. Foi assim que o ministro da Economia, Paulo Guedes, definiu a crise entre o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica. Ele não acredita que seja o alvo do “cartão vermelho” (expulsão), que seria dado pelo presidente, conforme ele disse em vídeo publicado em rede social nesta terça-feira (15).

No vídeo, Bolsonaro declarou que “está proibido” de falar no Renda Brasil dentro do governo e que o Bolsa Família, que seria substituído pelo novo programa social, vai ser mantido até o final do mandato, em 2022.

Ele criticou propostas da equipe econômica de congelar aposentadorias e pensões e reduzir benefícios como o Seguro Desemprego, e ameaçou dar “cartão vermelho” para quem tem este tipo de “devaneio”.

No domingo (13), um assessor de Guedes, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, disse que havia estudos sobre estas medidas como tentativas de buscar financiamento para o Renda Brasil.

Para abafar a crise, o ministro conversou com o presidente nesta manhã ((15).

“Hoje [terça-feira] teve essa barulheira toda. Estamos fazendo conexões de pontos que não estão conectados. São estudos que fazemos, estamos assessorando. Varias simulações e estudos são feitos. Tratamento seletivo da informação distorce tudo”, afirmou Guedes.

“Como todos jornais deram isso hoje, que o presidente vai tirar dinheiro dos idosos, frágeis e vulneráveis para passar aos paupérrimos, o presidente repetiu o que tinha dito antes. E levantou um cartão vermelho, que não foi para mim. Lamentei muito essa interpretação”, continuou.

Guedes entende a necessidade de manter alguma ajuda pública às populações mais pobres com o fim do Auxílio Emergencial previsto para dezembro.

Ele defendeu medidas de desindexação, com as quais o governo poderia fazer que benefícios atualmente pagos não sejam corrigidos, por exemplo, pelo salário mínimo.

“Se desindexarmos todos os gastos do governo, há uma parte que pega os mais vulneráveis, idosos, Benefício de Prestação Continuada (BPC). Fala assim, ‘o governo está tirando dos idosos e mais frágeis para fazer o Renda Brasil’. Isso é uma ilação. Não é isso que está no pacto federativo, era uma desindexação de todos os gastos , não dos mais pobres”, defendeu o ministro.

Ele confirmou a desistência da criação do Renda Brasil.

“E aí [o presidente] descredenciou a ideia do Renda Brasil. Não vai ter isso. Acabou. Estão distorcendo tudo. Estão acusando o presidente de demagogia, de tirar dinheiro do pobre para dar pro mais pobre ainda. Consolidação de programas sociais já aconteceu no passado. Para os mais desfavorecidos. Já que começou uma notícia que não é o que está na cabeça politicamente do presidente. Se estão interpretando assim, não tem isso”, completou Guedes.

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