(Assista) Um participante do Big Brother da Itália foi detido na operação e afirma que é “vítima da crise econômica” acentuada pela epidemia do... Itália prende 91 membros da máfia, suspeitos de seguir atuando na crise do coronavírus

(Assista) Um participante do Big Brother da Itália foi detido na operação e afirma que é “vítima da crise econômica” acentuada pela epidemia do coronavírus no país europeu

Edição de Rafael Bruza, com informações de Gina Marques, correspondente da TV Democracia na Europa, e do jornal Expresso (Portugal)

Na manhã desta terça-feira (13), uma operação policial feita em diversas regiões da Itália resultou na prisão de 91 suspeitos de associação criminosa. A ação ocorreu na Sicília, Lombardia, Piemonte, Ligúria, Veneto, Emilia Romagna, Toscana, e Campânia.

Notícias na imprensa européia informam que a crise econômica desencadeada pelo novo coronavírus gerou oportunidades para famílias da máfia italiana, que possuem negócios ilícitos no campo do jogo online, tráfico de drogas, extorsão, corridas ilegais de cavalos, exploração da construção naval e agiotagem, além do comando  de dezenas de supermercados, talhos, bares e outros locais de diversão noturna.

Entre os detidos, estão chefes, subordinados e agiotas das máfias Ferrante e Fontana. Outros clãs, como os Acquasanta e os Arenella também foram atingidos pela operação da Guarda de Finanças de Palermo.

Dentro da família Fontana, vista como uma das mais perigosas da máfia siciliana, foram detidos Gaetano, de 44 anos; Giovanni, com 42; e Angelo, 40. Os três são filhos do falecido Don Stefano. A mulher e a filha de Stefano, morto em 2013, também foram presas.

Don Stefano é considerado um dos homens mais leais à Salvatore ‘Totò’ Riina, o mais temido de todos os líderes mafiosos sicilianos do século XX, que foi culpado na Justiça por ordenar o assassinato de centenas de pessoas, incluindo dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino e do antigo governador da Sicília, Piersanti Mattarella, irmão do atual Presidente de Itália.

Salvatore ‘Totò’ Riina recebeu 26 penas de prisão perpétua e cumpriu-as, até morrer com problemas de coração em 2017, numa solitária.

Membro do Big Brother detido

Uma das grandes surpresas desta operação policial foi a prisão de Daniele Santoianni, ex-concorrente da edição número 10 do Big Brother italiano, usado como testa de ferro para diversos negócios ilegais, como a comercialização de cápsulas de café, feita para lavar o dinheiro das atividades económicas ilegais que a família mantinha pelo país todo.

Santoianni mantinha relações com as famílias de Acquasanta de Palermo envolvidas em rendas, drogas e corridas de cavalos, a base da escalada para a Lombardia

Em declarações aos investigadores, segundo o jornal Corriere, Santoianni afirmou: “Sou vítima da crise econômica”.

O juiz que deu ordem para esta enorme operação, Piergiorgio Morosini, explicou num comunicado que os tempos de dificuldade econômica que se vivem por toda a Itália levam pessoas a ceder às “ajudas” da máfia, sem nunca ter pensado em recorrer à estas organizações criminosas seis meses atrás.

“Atualmente, as medidas de distanciamento social e o bloqueio em todo o território nacional levaram à interrupção total de muitas atividades produtivas (…). As consequências desta situação naturalmente também preocupam Palermo, em particular os distritos com maiores dificuldades socioeconómicas, incluindo Arenella e Acquasanta que podem resvalar para um contexto muito favorável à retoma da atividade de associação criminosa no território de origem”.

O juiz também afirma que o recrutamento de novos membros da máfia é facilitado no contexto de pandemia e bloqueios do coronavírus por falta de opção para as pessoas.

Mas Morosini alerta para o fato de que muitas das empresas agora “auxiliadas” pela máfia podem nunca mais voltar aos seus donos.

 

Fabio Pannunzio

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