O Itamaraty sofreu a primeira derrota na indicação de um diplomata desde 2015. Nesta terça-feira (16), o Senado rejeitou a nomeação do diplomata Fábio... Itamaraty sofre goleada no Senado: diplomata indicado por Araújo para ocupar cargo na ONU é rejeitado

O Itamaraty sofreu a primeira derrota na indicação de um diplomata desde 2015.

Nesta terça-feira (16), o Senado rejeitou a nomeação do diplomata Fábio Mendes Marzano para o cargo de delegado permanente do Brasil para a missão das Nações Unidas em Genebra, na Suíça.

De acordo com o correspondente da TV DEMOCRACIA em Genebra, Jamil Chade, Marzano é aliado do chanceler Ernesto Araújo, religioso e bolsonarista.

Há um ano, ele foi escolhido por Araújo para representá-lo em um evento sobre a proteção aos cristãos, que foi organizado pelo governo ultraconservador de Viktor Orban, em Budapeste, na Hungria.

O diplomata declarou que uma das principais mudanças do governo Bolsonaro foi colocar a religião no processo de formulação de políticas públicas e defendeu a necessidade de governos de falarem abertamente sobre a fé.

Para ele, se a a maioria da população é religiosa, não se deve considerar como agressivo tratar de religião, nem em fóruns nacionais ou internacionais e a liberdade religiosa não é somente o direito de praticar uma religião. “Mas o direito de se manifestar, debater e defender a fé. E mesmo de tentar converter aqueles que não têm uma religião. Claro, não pela força. Mas lhes mostrando a verdade, a verdade real”.

Porém, faltou “fé” para que ele passasse com sucesso pela sabatina no Senado.

Em votação secreta, por 37 votos contra, 9 a favor e uma abstenção, a indicação de Marzano foi rejeitada.

Na véspera, ele não respondeu a uma pergunta da senadora Kátia Abreu (PP-TO), que já foi ministra da Agricultura.

Ela quis saber se a questão ambiental poderia ser usada como “barreira” ou “dificuldade” pelos produtores rurais europeus interessados em vetar o acordo entre Mercosul e a União Europeia (UE).

O diplomata respondeu que a delegação brasileira em Genebra “não se ocupa de temas ambientais nem do acordo comercial entre os dois blocos”.

Disse ainda que o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas é o principal organismo da região e que “não é atribuição da minha secretaria atual”.

Na réplica, a senadora lamentou a recusa de Marzano de abordar o tema e que o Itamaraty pode estar se transformando em uma “casa de terrores” porque os “embaixadores não podem dar sua opinião”.

A última vez que o Senado rejeitou a indicação de um diplomata foi em 2015, quando Guilherme Patriota não foi aceito para o cargo de representante permanente do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA).

Ele tinha sido indicado pelo então governo da presidente Dilma Rousseff.

Equipe TV Democracia

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