(Assista) A deputada do PcdoB cita o projeto Ponte para o Futuro, que foi feito em torno do Impeachment de Dilma Rousseff, em 2016....

(Assista) A deputada do PcdoB cita o projeto Ponte para o Futuro, que foi feito em torno do Impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Por Rafael Bruza

A deputada federal Jandira Feghali (PcdoB-RJ) afirma em entrevista exclusiva à TV Democracia nesta quinta-feira (30) que o Impeachment de Jair Bolsonaro não deve ocorrer no momento, pois depende de “pactuação” de uma maioria política e um projeto de país para ser concretizado.

“Você precisa ter maioria política. Não basta dizer que quer fazer as coisas porque não tem nenhuma viabilidade. No momento já há uma maior possibilidade de se instalar uma CPI. Já há um monte de pedidos de Impeachment. São 26 pedidos de Impeachment. Não é por falta de pedido de Impeachment. Acontece que eles não serão deferidos enquanto não houver maioria”, afirma a deputada. “

Os pedidos de destituição só avançam no Congresso recebendo 342 votos favoráveis – dois terços da Câmara dos Deputados.

Jandira Feghali cita o Impeachment de Dilma Rousseff (PT) para argumentar que a oposição ao Governo Federal necessita de um projeto para o país a ser inserido no lugar de Bolsonaro.

“Em 2016, já existia uma alternativa acertada, que era a tal Ponte para o Futuro, com Temer. Era uma pactuação feita por esses setores. Hoje qual é a pactuação que existe? O que seria Mourão? Que conjunto de forças seria esse, com qual projeto para o país? Então não se engane: não haverá Impeachment, enquanto não se tiver uma alternativa pactuada e construída para que isto ocorra”.

A parlamentar afirma, no entanto, que a saída do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, do Governo Bolsonaro, gera um racha no Governo que abre espaço para “cercar” o presidente da República.

“A saida do Moro muda sua qualidade porque racha sua base principal, que é aquela base morista e lavajatista que apoiava Bolsonaro. Então sua base racha, assim como na sociedade e no Congresso”, afirma. “Vamos fazer a CPI, o Supremo está andando também. Estão fechando um cerco que há 10 dias não existia”.

Números subnotificados do coronavírus

Sendo médica, Jandira Feghali afirma que os casos de coronavírus registrados no Brasil estão subnotificados, enquanto o Governo Bolsonaro estimula a flexibilização de medidas de isolamento social.

“São dados estarrecedores e estsão subnotificados. Nós podemos multiplicar o número de contaminados pelo menos por dez. Ontem a secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, onde eu estou, anunciou um possível colapso dos leitos para o fim de semana, considerando uma base de 140 mil pessoas (infectadas) apenas no Estado. Então estamos coletando a aceleração de um contágio, que cresce por uma flexibilização do isolamento estimulada pelo comportamento do chefe de Estado e pela omissão do ministro da Saúde”, afirma a deputada.

A deputada também denuncia que o Governo Bolsonaro entrega menos equipamentos de proteção para profissionais de saúde que o necessário.

“Ontem nós pegamos alguns dados da comissão externa. Os Estados estão tentando comprar 222 milhões de luvas, que é a demanda. Até agora, o Governo Federal enviou 15 milhões de luvas. Nós precisamos de 2 milhões de óculos de proteção. O Ministério (da Saúde) enviou apenas 50 mil. De 452 mil protetores faciais pedidos, o ministério mandou zero”.

“Já tem 5,9 mil médicos afastados, apenas em 4 Estados, e 7 mil profissionais da área de enfermagem. Se eles forem assintomáticos e vetores de transmissão, colocam em risco a sua própria vida e a de sua família. Não conseguem ser protegidos. Tem gente que não quer mais ser chamado para concurso porque colocam sua vida em risco sem condições (adequadas) de trabalho”.

Jandira ainda afirma que o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, não costuma se pronunciar na crise do coronavírus e, quando decide falar, se posiciona “de forma muito alinhada” com Jair Bolsonaro.

“Ontem ele chegou a dizer que o distanciamento é uma forma antiquada, usada no século passado”, reclama. “Então nós estamos nas mãos do Bolsonaro, que para mim promove uma política genocida”.

A deputada acredita que Bolsonaro mantém esta conduta “de caso pensado” porque “ele acredita nisto e não tem apego à vida de ninguém, muito menos a do povo pobre ou do país. Ele faz porque é nisso que ele acredita”.

“Há uma decisão de não fazer acontecer. Eles acreditam nesta posição. E ele nunca acreditou que essa doença era grave. Sempre minimizou. A expressão que ele usa de ‘e daí? Não sou coveiro. Não sou milagreiro’. É nítido comportamento de uma pessoa que não tem humanidade, nem qualquer altruísmo e compreensão de seu papel”, afirma.

Fabio Pannunzio

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