O Rio de Janeiro vai ser governado pelo vice-governador Cláudio Castro (PSC-RJ). Ele estava em Brasília e está voltando para o estado que, nesta... Justiça afasta Witzel do governo do RJ por envolvimento em esquema de corrupção na área da Saúde

O Rio de Janeiro vai ser governado pelo vice-governador Cláudio Castro (PSC-RJ).

Ele estava em Brasília e está voltando para o estado que, nesta sexta-feira (28), teve o governador Wilson Witzel (PSC-RJ) afastado do cargo por 180 dias, acusado de corrupção e desvio de dinheiro na área da Saúde.

Assim como Castro, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão, mas não teve a prisão decretada pela Justiça.

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Tris in Idem nesta sexta-feira (28). Ela foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a cumprir 17 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 11 temporárias, e 72 de busca e apreensão nos estados do Rio, Alagoas, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Sergipe e no Distrito Federal.

As denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foram aceitas pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ.

“O grupo criminoso agiu e continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia da Covid-19, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas, em total desprezo com o senso mínimo de humanidade e dignidade”, afirmou o ministro que autorizou a Operação Tris in Idem.

Ela é um desdobramento das Operações Favorito e Placebo, deflagradas em maio, e da delação premiada de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde.

O nome é uma referência ao terceiro governador fluminense seguido que é acusado de corrupção. Antes de Witzel, o estado do Rio foi governado por Sérgio Cabral (MDB-RJ) e Luiz Fernando Pezão (MDB-RJ), que foram presos por este tipo de crime. Pezão responde em liberdade.

Outros três governadores, Moreira Franco, Garotinho e Rosinha Garotinho, também já foram denunciados por corrupção e respondem em liberdade.

Cabral é o único preso. Contra ele há 31 processos, sendo que já foi condenado em 13 deles. Ele cumpre pena de 281 anos em Bangu, na zona norte do Rio.

Entre os alvos, estão o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado André Ceciliano (PT-RJ) e a primeira-dama do estado, a advogada Helena Witzel. Ela teria recebido propina do empresário Mário Peixoto, um dos favorecidos nas concorrências na secretaria estadual de Saúde.

Peixoto foi alvo da Operação Favorito, da Lava Jato, realizada em maio.

Helena também é advogada do Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC, que também foi preso na operação. Ele estava em casa, na zona oeste do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, Everaldo, que já foi candidato à presidência da República em 2014, tinha muita influência no governo fluminense, e já havia sido preso no mês passado, também por denúncia de corrupção.

Em nota, a defesa dele declarou que “o pastor sempre esteve à disposição de todas as autoridades e reitera sua confiança na Justiça”.

A defesa de Witzel, que já enfrenta processo de impeachment na Alerj, disse que “recebeu com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade”.

O governador não foi preso, mas, além do Pastor Everaldo, a PF já prendeu o ex-prefeito de Volta Redonda (RJ), o médico Sebastião Gothardo Netto, e o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão.

A empresa do ex-prefeito é acusada de pagar propina para a primeira-dama através de pagamentos por serviços fictícios do escritório de advocacia dela.

O mesmo esquema era feito para facilitar o pagamento de suborno do empresário Mário Peixoto para Witzel.

Alguns dos alvos dos mandados de busca e apreensão são o casal Witzel, o vice-governador, o desembargador do trabalho, Marcos Pinto da Cruz e o presidente da Alerj.

O paulista Witzel, de 52 anos, é advogado e foi juiz antes de vencer a eleição ao governo do Rio, em 2018, com apoio da família Bolsonaro.

Hoje, eles estão rompidos. Witzel chegou a se apresentar como candidato em potencial à Presidência. Porém, com medidas polêmicas na área da segurança pública e com as graves acusações sobre envolvimento em esquemas corruptos, dificilmente, vai realizar este desejo.

Equipe TV Democracia

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