Por Rafael Bruza A quantidade de mortos pelo coronavírus em Manaus (AM) fez a prefeitura da capital abrir valas comuns em cemitérios para enterrar...

Por Rafael Bruza

A quantidade de mortos pelo coronavírus em Manaus (AM) fez a prefeitura da capital abrir valas comuns em cemitérios para enterrar vítimas da doença. Um vídeo publicado no Twitter nesta terça-feira (21) mostra o procedimento adotado pelos coveiros da cidade durante um dos enterros coletivos. Dez caixões são colocados lado a lado em uma cova e, depois, cobertos por terra. Neste contexto, o prefeito da capital amazonense, Arthur Virgílio Neto (PSDB) declara em vídeo nas redes sociais que a cidade vive um “estado de calamidade”.

“Nosso estado não é mais de emergência, é de calamidade mesmo. É o caso mais preocupante desse país no que se relaciona ao novo coronavírus”, acrescentou. A situação na cidade também é classificada como a mais grave do país, segundo o último relatório do Ministério da Saúde.

Virgílio também se diz assustado com o fato de muitos cidadãos terem morrido em casa, sem receber atendimento hospitalar. Em apenas um dia, o percentual de pacientes que morrem porCovid-19 sem conseguir internação em Manaus cresceu de 17% para 36,5%, segundo o prefeito da capital amazonense.

“Está se caracterizando um certo colapso das possibilidades de atender”, admitiu o prefeito nas redes sociais, atualizando que o número de sepultamentos mais que triplicou em meio à pandemia.

O prefeito apelou para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, com quem se reuniu. “Disse tudo o que eu tinha a dizer de desabafo, de críticas, análises de personagens do governo, sobre esse abandono do Amazonas e que tem se agravado a cada minuto”, disse ao sair da reunião. “Vim para essa reunião dizer minhas verdades e não podemos mais esperar planejamentos para daqui a 15 dias e ficarmos vendo as pessoas morrerem”, completou.

Bolsonaro foi perguntado por jornalistas qual seria um número aceitável de mortos pela doença no Brasiil. Bolsonaro disse que não responderia porque não é “coveiro”. A Folha de S. Paulo, então, perguntou o prefeito de Manaus sobre a declaração do presidente. Ao responder ao jornal, Virgílio chorou.

“Queria dizer para ele que tenho muitos coveiros adoecidos. Alguns em estado grave. Tenho muito respeito pelos coveiros. Não sei se ele serviria para ser coveiro. Talvez não servisse. Tomara que ele assuma as funções de verdadeiro presidente da República. Uma delas é respeitar os coveiros”, disse, chorando, segundo o jornal.

Cemitério de valas comuns feito em Manaus (AM) na crise do coronavírus

Fabio Pannunzio

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