O ator Mario Frias tem 48 anos e acaba de ser designado para seu mais relevante papel. Será o Secretário Nacional de Cultura,... Mario Frias assume cadeira de Roberto Alvim e Regina Duarte. Por que?

(Brasília – DF, 04/03/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro, durante cerimônia de Posse da Secretária Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Regina Duarte.
Foto: Marcos Corrêa/PR

 

O ator Mario Frias tem 48 anos e acaba de ser designado para seu mais relevante papel. Será o Secretário Nacional de Cultura, cargo para o qual Bolsonaro já indicou quase todo tipo de … Maluco!

A nomeação é fruto de um grande esforço comunicacional do ator global. Fã incondicional do capitão, ele tem se empenhado em produzir textos de louvação ao regime bolsonarista.

Louvação, neste caso, não é um adjetivo. Na foto à esquerda, o louvor aparece numa gravura piegas em que o capitão, genuflexo, com ar contrito, ora sobre a bandeira. A bandeira parece estar recobrindo um caixão. O horizonte amarelado empresta um ar melancólico à cena, de uma pieguice dolorida e paradoxal. Ela parece nos remeter a alguma compaixão que até agora o retratado não teve por nenhum dos 50 mil mortos pela COVID-19.

Reputado olavista, o novo secretário é copioso ao  demonstrar admiração e lealdade ao círculo que se estende ao redor do capitão. Paulo Guedes, por exemplo, é tratado com muita deferência — a ponto de ser referido como “V. Ex.a.”, com todo formalismo possível.

Ele também reproduz com devoção canina todos os tuítes de todos os Bolsonaro. Seu retuítes vêm sempre edulcorados por elogios ao clã. Nada que não se espere de um aluno do indigitado Jim Jones da Virgínia.

Não encontrei nenhuma menção à planura da Terra. Mas o disciplinado Mario Frias reproduz em seu perfil as barbaridades charlatanescas do protoditador sobre a cloroquina. Ao menos, fez sem comentar – o que representa uma espécie de endosso envergonhado à temerária farmacologia oficial do regime.

Consciente da drenagem do prestígio do capitão, o sucessor de Regina Duarte recomenda, num tuíte destacado, que os que o elegeram fiquem firmes e convictos. “Seja forte, blinde seu cérebro”, prescreve ele.

Espera-se que a recomendação valha apenas para o caso em tela – a perda de apreço da militância pelo líder máximo da extrema direita brasileira. E, principalmente, que não tenha a pretensão de “blindar” cérebros com os recursos da política cultural para evitar que  a Nação perceba o ocaso do governo que ele passa agora a integrar.

 

 

Fabio Pannunzio

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