O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, ignorou as recomendações da equipe técnica do ministério, que integravam um comitê de monitoramento do coronavírus,... Pazuello ignorou técnicos do ministério que alertaram sobre a urgência de isolamento social

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, ignorou as recomendações da equipe técnica do ministério, que integravam um comitê de monitoramento do coronavírus, que alertaram sobre os riscos da pandemia sem isolamento social.

Em reunião a portas fechadas, quando estava há 10 dias no comando da pasta, no final de maio, ele decidiu por outro rumo, da flexibilização das regras de quarentena. O resultado é trágico. O país já tem mais de 83 mil mortes e 2.242.394 casos de coronavírus.

Na reunião, a equipe formada por especialistas em vigilância sanitária e outras áreas da saúde advertiu que, sem medidas rígidas de distanciamento social, os impactos da doença seriam sentidos por até dois anos.

Por isso, o grupo recomendou que as medidas entrassem imediatamente em vigor até mesmo para que o retorno da economia fosse mais rápido. “Sem intervenção, esgotamos as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), os picos vão aumentar descontroladamente, levando insegurança à população que vai se recolher com tudo funcionando, o que geraria um desgaste maior ou igual ao isolamento na economia”.

Entre outras sugestões indicadas pelos técnicos, estavam a criação de um aplicativo para monitorar pacientes de coronavírus e até 10 pessoas que tiveram contato com a pessoa doente, e um protocolo que “atendesse nossas necessidades específicas”.

O ministro Pazuello assinou uma portaria três semanas depois da reunião, no dia 19 de junho. Ele enfatizou os benefícios da retomada das atividades, mas ressalvou que a decisão caberia às autoridades locais.

O documento estabelece “orientações gerais para a prevenção, controle e mitigação da Covid-19, como distanciamento social, etiqueta respiratória, higienização de ambientes e uso de equipamentos de proteção individual”.

Há também a elaboração de “plano de ação para a retomada por todos os setores da economia”; orientações sobre a triagem e o monitoramento de suspeitos da doença e as recomendações de distanciamento social de 1m e uso de máscara em locais públicos e de “convívio social”.

Apesar de todos os cuidados, Pazuello salientou que “retomar as atividades e o convívio social são também fatores de promoção da saúde mental das pessoas, uma vez que o confinamento, o medo do adoecimento e da perda de pessoas próximas, a incerteza sobre o futuro, o desemprego e a diminuição da renda, são efeitos colaterais da pandemia pela Covid-19 e têm produzido adoecimento mental em todo o mundo”.

No mesmo dia da portaria, o Brasil ultrapassou um milhão de casos confirmados e 49 mil mortes.

O ministro esteve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina nesta semana. São dois estados onde as regras da flexibilização da quarentena foram afrouxadas mais cedo e que agora enfrentam um novo avanço do coronavírus.

O ministério ainda não se pronunciou sobre a reportagem publicada na edição desta quinta-feira (23) do jornal O Estado de São Paulo.

Equipe TV Democracia

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