O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu autorização do Tribunal de Justiça do estado para aprofundar a investigação sobre o esquema da... MP-RJ pede à Justiça do RJ para aprofundar investigações sobre “rachadinha”

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) pediu autorização do Tribunal de Justiça do estado para aprofundar a investigação sobre o esquema da “rachadinha”, o desvio de dinheiro público do gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O filho do presidente Jair Bolsonaro foi denunciado pelo procurador Ricardo Martins, autor do pedido, por peculato e lavagem de dinheiro.

Até agora a força-tarefa do MP-RJ constatou um desvio de cerca de R$ 6 milhões, dinheiro retirado de parte dos salários dos servidores do gabinete de Flávio, que é acusado de chefe da organização criminosa.

Martins quer abrir novas frentes de investigações.

Uma seria a de encontrar “envolvidos em eventuais crimes de lavagem de dinheiro praticados nas operações de aquisição de uma loja da Kopenhagen no Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio”.

O procurador acusa Flávio Bolsonaro e o sócio Alexandre Ferreira Dias Santini de terem usado a empresa Bolsotini para comprar a franquia da loja de doces e pelo menos outras três, que pertencem a pessoas ligadas ao senador e ao ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador financeiro das rachadinhas.

A outra frente é para apurar “a prática, em tese, de crimes de obstrução de Justiça”.

Eles teriam sido cometidos por Matheus Azeredo Coutinho, servidor ligado ao presidente da Alerj, André Ceciliano (PT-RJ).

No dia 14 de janeiro de 2019, ele orientou a ex-assessora de Flávio, Luíza Souza Paes, para adulterar “provas dos crimes de peculato ao inserir informações falsas em documentos públicos assinando retroativamente os registros de pontos relativos ao ano de 2017, com a clara finalidade de embaraçar as investigações acerca da organização criminosa que desviava recursos públicos pelo esquema das rachadinhas”.

Segundo a denúncia do MP-RJ, grande parte dos atestados de presença no gabinete de Flávio Bolsonaro era feito de forma genérica e global, autorizada por ofício assinado pelo então chefe de gabinete dele na Alerj, Miguel Braga Grillo, o coronel Braga.

Braga, que hoje é o chefe de gabinete de Bolsonaro no Senado, assinava um documento endossando a presença de todos os funcionários de uma só vez. Assim, dispensava os servidores de usarem os cartões de ponto, como fazem a maioria dos funcionários da Alerj.

O documento era enviado à presidência da Assembleia e garantia o pagamento dos servidores do gabinete de Flávio.

Alertada por uma possível investigação do MP-RJ, Luíza, com ajuda de Matheus, teria tentado preencher os cartões de ponto, que estavam em branco, de forma retroativa, colocando até faltas para dar um ar de veracidade.

Com isso, ela assumiria a responsabilidade pela presença dos servidores, afastando o crime da cúpula e dando uma aparência de normalidade no serviço prestado na Alerj.

Matheus entrou como estagiário de administração na Alerj, em 2017.

Em setembro de 2018, foi nomeado por André Ceciliano para o cargo de assistente no Departamento de Legislação de Pessoa, o RH da Alerj, mas foi exonerado quando estourou o escândalo da rachadinha.

Em agosto, quando o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC-RJ), foi afastado do cargo por envolvimento em esquema de corrupção na área de saúde, Ceciliano foi alvo de busca e apreensão na mesma operação.

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