Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris A chanceler alemã Angela Merkel criticou as “imagens vergonhosas” de manifestantes “antimáscara” que tentaram... Mundo Num Instante: A extrema-direita e a pandemia do coronavírus na Alemanha

 

Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris

A chanceler alemã Angela Merkel criticou as “imagens vergonhosas” de manifestantes “antimáscara” que tentaram forçar a entrada do Reichstag, onde funciona o Parlamento. Um “abuso do direito de manifestação” afirmou Merkel.

“Este fim de semana tivemos um exemplo de como se pode abusar da liberdade de manifestação”, lamentou Steffen Seibert, o porta-voz do Executivo alemão, falando “em nome do Governo e da chanceler”. Embora ressalve que o “direito à manifestação pacífica é, sem dúvida, uma conquista muito preciosa, mesmo em tempos de pandemia”.

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Horas após a dispersão de uma manifestação em Berlim contra as restrições impostas para conter a propagação do novo coronavírus, que juntou cerca de 20 mil pessoas, 200 militantes de extrema-direita que tinham participado no protesto tentaram forçar a entrada do edifício do Reichstag onde funciona o Parlamento. Foram impedidos pela polícia, que deteve várias pessoas.

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“O resultado foram imagens vergonhosas, inaceitáveis” da tentativa de “antidemocratas” de entrar no Parlamento, disse o porta-voz, que agradeceu aos três policiais que defenderam a entrada do edifício. Na foto, vê-se neonazistas alemães. 

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, escreveu um comunicado divulgado no Instagram, onde se lê: “Bandeiras do Reich e obscenidades de extrema-direita frente ao Bundestag [Parlamento] alemão são um ataque insuportável ao coração da nossa democracia”.

Ao que Steinmeier, acrescentou: “Se alguém está contrariado com as medidas ou as questiona, pode fazê-lo, inclusive em público e em manifestações. A minha compreensão acaba quando manifestantes se misturam com inimigos da democracia e agitadores políticos.”

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O Reichstag tem um significativo simbólico na Alemanha. O edifício foi incendiado em 1933, num ato visto como tendo sido levado a cabo ou pelo menos promovido pelo recém formado governo do partido nazista, que culpou um opositor pelo incêndio e o aproveitou para fazer aprovar poderes de emergência, um passo essencial para estabelecer a ditadura nazi.

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Num outro sinal da deterioração do clima político na Alemanha relativo ao uso de máscara, o ministro da Saúde, Jens Spahn, foi insultado por dezenas de pessoas em Bergisch-Gladbach, que tentaram ainda cuspir-lhe na cara, mostrava um vídeo partilhado em redes sociais.

 

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Esta segunda-feira  (7), a Alemanha contabilizou 610 novas infecções pelo coronavírus e mais três vítimas mortais pela Covid-19, nas últimas 24 horas, um número abaixo dos cerca de 1.500 novos casos por dia registrados a semana passada.

Desde o início da pandemia, segundo o Instituto Robert Koch (RKI), foram identificadas 242.381 infecções pelo coronavírus, entre os quais 216.200 estão recuperados, e um total de 9.298 mortes provocadas pela Covid-19.

Apesar destes protestos ruidosos, segundo uma sondagem recente da televisão pública ZDF, 77% não só defendem as medidas de contenção da Covid-19 como gostariam que estas fossem aplicadas com mais rigor.

Na Alemanha há um enorme apoio às medidas de contenção do coronavírus que provoca a Covid-19 e, segundo as sondagens, uma parte significativa da população até preferia que o desconfinamento fosse feito mais devagar. Mas, aos fins de semana, uma minoria muito ruidosa tem marcado presença nas ruas, protestando contra as medidas do governo.

As manifestações acontecem em várias cidades, juntando pessoas que acreditam em todos os tipos de teorias da conspiração, desde movimentos anti-vacinas a quem ache até mesmo que o vírus é uma invenção chinesa para dominar o Ocidente. 

A Agência para a Proteção da Constituição (BfV), que vigia potenciais ameaças à democracia, avisou que os protestos estavam sendo usados pela extrema-direita. “Há um risco de que a extrema-direita, com a sua narrativa de inimigos e o seu objetivo de destruir o Estado, lidere as manifestações, que têm sido, na maioria, levadas a cabo por cidadãos respeitadores da Constituição”, disse o líder da agência, Thomas Haldenwang, numa entrevista ao jornal Welt am Sonntag.

Vários responsáveis políticos vieram entretanto apelar a manifestantes que não se deixem instrumentalizar. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, culpou “extremistas radicais e antissemitas que usam as manifestações para semear ódio e dividir”.

A Alemanha, lê-se num comentário do diário Süddeutsche Zeitung , está de novo perante um movimento tipo Pegida (Europeus Patriotas contra a Islamização do Ocidente), que surgiu em 2014 e ganhou mais força em 2015 quando o Governo de Angela Merkel aceitou receber cerca de 800 mil refugiados.

O Pegida tem uma ligação mais ou menos assumida com o partido de direita radical (Alternativa para a Alemanha -AfD)

Nas manifestações há pessoas do movimento anti-vacinas, que uma vacina contra o coronavírus  serviria para os governos implantarem chips nas pessoas para as controlarem.

Alguns partidários do movimento anti-vacinas nas manifestações têm estrelas de David amarelas, o sinal que os nazis obrigaram os judeus a usar para os estigmatizar, com a palavra “não-vacinado”.

É irônico que as manifestações ganhem força precisamente quando as restrições começam a ser levantadas.

Na semana passada, houve protestos em Berlim, Munique, Stuttgart, Colônia, Frankfurt, e ainda noutras cidades, e espera-se que este fim de semana se repitam.

A Alternativa para a Alemanha começou por reagir à pandemia como muitos outros partidos anti-imigração, racistas e xenófobos: propôs o fechamento de fronteiras e controle da imigração. Mas, rapidamente, mudou de curso e começou antes a criticar as restrições adotadas e dar o seu apoio a estes protestos.

O partido tem descido recentemente nas sondagens, com cerca de 9% das intenções de voto e em quarto lugar, segundo a pesquisa mais recente, contra 12,5% em 2017 .

Enquanto isso, a CDU de Angela Merkel está com 38%, os Verdes com 19% e o SPD com 15,5%.

85% dos alemães acham que Merkel está fazendo um bom trabalho.

Fiquem com uma nota alegre, de beleza, de esperança com o Concerto em Dó Maior, Opus 35, de Tchaikovsky, com o violino inigualável de Itzhak Perlman.

https://drive.google.com/file/d/1NBGn8Nr1ONGHfAKpuoGDK5r9bQK_jXju/view?usp=sharing

Milton Blay

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