Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA, em Paris De onde surgiu esta América, que nos assombra tanto quanto nos angustia? Olhemos para as... Mundo Num Instante:  Duas Américas, como nunca as tínhamos visto

Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA, em Paris

De onde surgiu esta América, que nos assombra tanto quanto nos angustia?

Olhemos para as duas convenções à procura de algumas respostas.

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As convenções dos partidos republicano e democrata ficaram para trás e deixaram a imagem de duas Américas, aparentemente irreconciliáveis, à espera do dia 3 de Novembro. Que resultado sairá das urnas ?  

Dificilmente o que resta da ordem internacional liberal sobreviverá a mais quatro anos de Donald Trump. O caos se alastraria.

Sairiam vencedores Vladimir Putin, Xi Jinping, (primeiro-ministro da Índia) Modi , (presidente da Turquia) Recep Erdogan, (presidente das Filipinas) Duterte, Jair Bolsonaro, (primeiro-ministro da Hungria) Victor Orbán  ou qualquer outro candidato a ditador.

Perderia a democracia, a liberdade, a ciência, a verdade, a abertura, os direitos humanos.

Aos olhos de Trump, Merkel e Macron são muito piores que Putin.

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Não é uma visão catastrófica.

É apenas o resultado de quatro anos de “America First” e de uma concepção da ordem internacional segundo a qual, cada um vale por si e pela força que tem para impor a sua vontade aos outros, em que a democracia não conta para definir alianças nem prioridades.

Estas eleições são tão importantes para o mundo como para os americanos.

Os EUA são ainda a primeira potência mundial. Em Pequim, Moscou, Berlim, Bruxelas, Paris nada acontecerá, provavelmente, de mais importante. 

A Europa vê-se com duas crises na sua periferia – na Bielorrússia na Turquia – com as quais tem grande dificuldade em lidar sem o apoio dos Estados Unidos.

A pandemia abre um novo e vasto campo de incertezas que põe à prova a resistência das democracias.

No entanto, para entender o que está em jogo, é preciso olhar para os acontecimentos do ponto de vista de quem vai escolher – ou seja, os eleitores americanos.

De onde surgiu esta América, que nos assombra e nos angustia? Olhemos para as duas convenções à procura de algumas respostas.

A convenção republicana que terminou na quinta-feira à noite (28/8),  com o discurso do atual Presidente foi o retrato da maior transformação da politica norte-americana: a do Partido Republicano.

Trump falou diante de uma plateia de dois mil “figurantes” escolhidos a dedo, segundo o critério da absoluta fidelidade à realidade virtual que construiu e que pretende defender sem concessões.

O partido é ele, a família dele e os seus seguidores obedientes. Aqueles que estão dispostos a repetir a narrativa que construiu para si próprio: o melhor Presidente da História da América.

O construtor da mais poderosa economia do mundo: nove milhões de empregos criados até fevereiro. Desapareceram, entretanto, 22 milhões e a América prepara-se para a maior recessão desde a Grande Depressão.

Grand Old Party foi reduzido a zero? “No Bushes, no Reagans, no Cheneys or McCains”, escreveu Adam Nagourney no New York Times. Ao vivo dos jardins da Casa Branca, como se já pertencesse ao patrimônio imobiliário do recandidato. Com os convidados sentados sem distanciamento social e sem máscara. Aplaudindo freneticamente. Fogo de artifício final.

Tudo começou com o Tea Party, o movimento populista e radical das bases republicanas que acabou por tomar conta do partido e que, em 2008, teve força suficiente para impor Sara Palin a John McCain contra Barack Obama.

Depois, com Mitch McConnell, o líder republicano do Senado, que deu uma contribuição inigualável à polarização da política americana quando, durante oito anos, teve como único objetivo fazer de Obama um presidente de um só mandato, e depois, impedir que governasse, bloqueando qualquer iniciativa que exigisse a aprovação das duas câmaras do Congresso.

Com duas visões opostas, Biden e Trump olham para o mesmo espaço: o centro.

A pandemia e as sondagens diriam que o vice-presidente de Obama estaria em vantagem, com o seu discurso sobre a reconciliação. Mas do outro lado, estão as ruas de Kenosha, oferecendo a Trump uma derradeira oportunidade, que explorou à sua maneira: mentindo sobre os fatos.

Trump recolheu os frutos desta deriva radical. Não tem oposição. Cria a sua própria realidade e se faz aplaudir. Descreve uma América que não existe, como se a verdade não tivesse a menos importância.

Resolveu o maior obstáculo à sua reeleição declarando vitória contra a pandemia com que a China infectou o mundo. Não poderia, portanto, haver máscaras nos jardins da Casa Branca. Ele venceu o virus,

Joe Biden se rendeu a ele. Com Biden, diz Trump,  a China tomaria conta dos Estados Unidos. Com ele, os EUA tomam conta do mundo.

O Médio Oriente está finalmente em paz. Um jovem mais entusiasmado anunciou-o como “o salvador” da civilização ocidental. “Com a ajuda de Deus.”

Trump quer fazer de Biden o centro da campanha eleitoral. “Um Cavalo de Troia do socialismo.”. Tão fraco perante Bernie Sanders como perante os distúrbios nas ruas de Kenosha, Wisconsin. É a sua última cartada. Apresentar-se, como em 2016, como o candidato da lei e da ordem.

Deu certo com Nixon em 1968, quando os movimentos cívicos e a contestação nas universidades dominavam a agenda política; e com George H.W. Bush em 1988.

A mensagem foi repetida até à exaustão durante os quatro dias da convenção. Sem variações nem nuances. Não há nuances no partido de Trump. Apenas um discurso simples e primário. Que não incita à reflexão, apenas à adesão apaixonada.

Na convenção, Trump falou para a sua base de apoio, que é aquela parte da América que não se interessa pelo mundo, que viu o seu estatuto e os seus rendimentos diminuírem com a globalização, o eleitor branco com pouca escolaridade. Aqueles que temem que a população branca se transforme numa minoria.

Os que acreditam que cada americano tem o direito constitucional e inalienável de ter uma arma de fogo e de usá-la para defender a sua propriedade. Os que não entendem que o direito à saúde deve ser universal, sem depender de um emprego que dá direito a um seguro (uma das suas maiores derrotas foi não ter conseguido desmantelar o Obamacare).

Os que não gostam de um Governo forte, que vêem em Washington uma elite corrupta que não se importa com as suas vidas. Os que não têm grandes exigências doutrinárias.

O Partido Republicano abdicou pela primeira vez de um programa. Sobrou a definição de Mike Pence na terceira noite da convenção: “Make America Great Again. Again”.

O que  estava em causa para o Partido Democrata? A resposta é simples: preservar o partido de Bill Clinton e de Barack Obama. Resistir à radicalização imposta pelos republicanos. Deste ponto de vista, a convenção democrata cumpriu os seus objetivos.

Biden é um velho político centrista. Não caiu na armadilha de procurar uma parceira na ala radical do partido, como alguns aconselhavam, alegando que era preciso garantir os votos mais à esquerda.

Situou o que está em causa nestas eleições para além dos programas e das ideologias – na decência, no caráter, na defesa dos fundamentos da democracia americana.

Foi o partido de Obama que esteve representado na convenção. Foi Obama que fez o discurso que estabeleceu as balizas e que encarregou Kamala Harris da difícil tarefa de preservar a sua herança.

Biden esteve à altura deste desafio. Conseguiu ultrapassar-se a si próprio e oferecer aos americanos uma mensagem simples, forte e convincente: restituir à América a sua alma. Onde cabe toda a gente e que é mais do que uma soma de minorias e de grupos com a sua identidade e os seus interesses próprios. Estiveram lá, mas não dominaram. Os democratas fugiram da pior das tentações e do maior dos riscos: responder à radicalização com a radicalização.

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Com duas visões opostas, Biden e Trump olham para o mesmo espaço: o centro.

A pandemia e as sondagens diriam que o vice-presidente de Obama estaria em vantagem, com o seu discurso sobre a reconciliação. Os republicanos já tinham sofrido uma derrota nas eleições de 2018.

Alguns dos estados liderados por governadores republicanos fiéis ao presidente tiveram de fazer marcha a ré quando a Casa Branca lhes disse para ignorar a pandemia e abrir a economia, com um resultado desastroso. 

Do outro lado, estão as ruas de Kenosha oferecendo a Trump uma derradeira oportunidade, que explorou à sua maneira: mentindo sobre os fatos. Na pequena cidade do Wisconsin, um swing state fundamental para a vitória dos democratas, um policial e um membro das milícias de extrema-direita de 17 anos na posse de uma arma semiautomática mataram duas pessoas e feriram gravemente duas.

Na versão de Trump, a violência está do lado dos manifestantes que se revoltaram contra o assassinato de mais um negro com sete balas disparadas à queima-roupa por um policial branco. Como com George Floyd, há um vídeo perante o qual é difícil manter a serenidade

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Mas a classe média dos subúrbios ou o pequeno comerciante veem nas televisões imagens de destruição, incêndios e confrontos. Interrogam-se sobre quem são os responsáveis. Tornam-se mais sensíveis à mensagem central da convenção republicana: a lei e a ordem. 

“Uma coisa é clara: os subúrbios serão o campo de batalha principal em 2020”, diz William Galston, da Brookings Institution.

“A convenção Republicana foi, toda ela, sobre mentiras e medo”, escreve Max Boot no Washington Post. Para acrescentar: “E pode funcionar de novo. A base furiosa e extremista de Trump, sentindo o apelo, pode acender novos rastilhos. Faltam 65 dias, uma eternidade. O mundo não pode fazer nada, a não ser esperar.

Enquanto esperamos, duas divas Kathleen Battle e Jessye Norman, no Carnegie Hall: Spirituals in Concert.

 

 

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Milton Blay

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