Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris No Mundo Num Instante de hoje vamos tentar entender o que está acontecendo na Bielorussia,... Mundo Num Instante: No último bastião do stalinismo

Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris

No Mundo Num Instante de hoje vamos tentar entender o que está acontecendo na Bielorussia, o último bastião do stalinismo.

Será que está caindo?

Confrontado com uma greve geral, o presidente bielorrusso, Aleksander Lukashenko, disse estar disposto a alterar a Constituição para partilhar o poder, “mas não sob pressão”. Na verdade, ele quer ganhar tempo.

Segundo a agência noticiosa Belta, Lukashenko disse, num discurso perante trabalhadores em greve numa fábrica de máquinas agrícolas, que já está em estudo a mudança da Constituição, sem especificar qual. “Não podemos entregar esta Constituição sabe Deus a quem. Porque aconteceriam desastres”.

Em resposta, os trabalhadores gritaram “vai-te embora” e ele terminou o discurso dizendo “obrigado”.

https://drive.google.com/file/d/1DpVUdrMa-zG99xpP-0fnpJph2mLaMdVo/view?usp=sharing

Lukashenko afastou qualquer possibilidade de realizar novas eleições, uma vez que há suspeitas de grandes irregularidades nas de 9 de agosto. “Não, até que me matem”, declarou, segundo relatos dos media bielorrussos. “Já tivemos eleições. Até que me matem, não haverá outras eleições”, disse o presidente bielorrusso citado pela Tut.by, um dos portais de notícias independentes mais famosos na Bielorrússia.

https://drive.google.com/file/d/1ZtncLtS00v6cDOvhF7QtbU-q-ir30LlP/view?usp=sharing

A comissão eleitoral bielorrussa confirmou a vitória de Lukashenko, revelando que o ditador, que governa a Bielorrússia com mão de ferro há 26 anos, teve 80% dos votos.

Já a adversária, Svetlana Tikhanouskaia, ficou-se com 9,9%, apesar de ter conseguido uma onda de apoio nas últimas semanas, tendo chegado a juntar mais de 60 mil pessoas num comício em Minsk. Os comícios de Tikhanouskaia foram descritos pela imprensa internacional como os maiores desde o colapso da União Soviética.

Depois de terem sido divulgados os resultados oficiais, Tikhanouskaia não reconheceu a vitória de Lukashenko, pediu a recontagem dos votos e lançou apelos a manifestações de protesto.

Numa mensagem a partir da Lituânia, onde está exilada, Svetlana Tikhanouskaia, garantiu estar pronta para liderar o país de forma interina e apelou à criação de mecanismos legais para garantir a realização de novas eleições que possam ser livres e justas.

https://drive.google.com/file/d/1DtlPinY-LtQkYgCEoLB0syiqH4OXkHjy/view?usp=sharing

“Estou pronta para assumir a responsabilidade e agir como líder nacional durante este período, para que o país possa acalmar e voltar a um ritmo normal, para que possamos libertar todos os presos políticos o mais rápido possível e para que nos possamos preparar para novas eleições presidenciais”, disse Tikhanouskaia, citada pelo Guardian.

Lukashenko, claro, não está disposto a ceder.

https://drive.google.com/file/d/1G7KyIIAD6IVaxLbc_I7PHaZMJDc_gGj-/view?usp=sharing

Com a contestação a Lukashenko evoluindo rapidamente, os 27 estados-membros da União Europeia (UE) acompanham com preocupação a resposta do regime. Nesta reunião, os líderes da UE quiseram enviar uma mensagem de solidariedade ao povo bielorrusso, sublinhado que este “tem o direito de determinar o seu futuro e escolher os seus líderes livremente”.

A UE defende, por isso, o fim da violência, a diminuição da tensão e o diálogo, “sem interferência estrangeira”, como solução para sair da atual crise.

Bruxelas já referiu que as eleições do último dia 9 de agosto não foram livres nem justas e que, por isso, não reconhece os resultados. Além disso, exige a libertação de todos os manifestantes pacíficos que ainda estão detidos, condenando a violência “desproporcional e inaceitável” exercida pelas autoridades.

A UE discute a criação de um fundo para as vítimas da repressão do regime, o financiamento de projetos para apoiar o pluralismo nos media, novos mecanismos para facilitar o intercâmbio de estudantes bielorrussos e a entrada de trabalhadores bielorrussos na UE.

Na última sexta-feira, numa reunião extraordinária, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE deram luz verde à elaboração de uma lista de figuras do regime bielorrusso a quem deverão ser impostas sanções.

https://drive.google.com/file/d/14wInCH5IngckdSRgQNcs3UnP9CNCsJm4/view?usp=sharing

“A violência contra manifestantes pacíficos na Bielorrússia é apavorante. O Reino Unido não aceita os resultados das eleições presidenciais fraudulentas e pede uma investigação urgente através da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa”, disse Dominic Raab, ministro britânico dos Negócios Estrangeiros.

 

https://drive.google.com/file/d/12cKEJbDUmiPrIvlnKwkn8DZ1ncS4KOOD/view?usp=sharing

No domingo (16),  uma manifestação de 200 mil pessoas em Minsk exigiu a demissão de Lukashenko, após uma semana de contestação nas ruas.

https://drive.google.com/file/d/1KjDKaVR2ORADgAUZ85J-W64veNbEtB07/view?usp=sharing

Segunda-feira (17), a oposição na Bielorrússia convocou uma greve geral, depois de, no final da semana passada, vários setores industriais – outrora bastiões de apoio a Lukashenko – terem começado a contestar o regime e a juntar-se aos manifestantes que exigem a saída do atual presidente, que governa o país há 26 anos. 

A expectativa é de que a greve se estenda a outros setores, incluindo refinarias, fábricas de tecidos e fertilizantes, bem como aos media, numa altura em que cada vez mais jornalistas queixam-se das restrições que lhes têm sido impostas na cobertura dos protestos.

A emissora estatal BT entrou em greve, depois de vários jornalistas e funcionários se terem juntado aos manifestantes na semana passada. Durante a manhã, antes do noticiário, foram transmitidos programas antigos e, nas redes sociais, circulam vídeos de redações vazias, com música de fundo. 

https://drive.google.com/file/d/1ahvP-M3eun0M9_GsXglXvxs-xPfK2uwq/view?usp=sharing

Pressionado interna e externamente, Lukashenko virou-se para a Rússia durante o fim de semana para pedir ajuda e alertou que a escalada de contestação poderia chegar a Moscou. Do Kremlin, recebeu a garantia de que os “problemas serão resolvidos em breve”, tendo Vladimir Putin mostrado abertura para enviar ajuda militar.

Seria mais um sinal de que Putin pode recorrer a todos meios para travar as democracias que podem florescer ou de as corromper onde estão consolidadas – na Europa e nos Estados Unidos – com total impunidade.

O presidente bielorrusso falou duas vezes com o seu homólogo russo sobre apoio de Moscou. Lukashenko confirmou que as tropas russas podem entrar no país e, como gesto de boa fé, libertou 33 mercenários do Grupo Wagner, próximos do Kremlin, acusados de preparar “atos terroristas” em Minsk.

https://drive.google.com/file/d/1hKQXQR6E-NvopuFA_Qmt9Hfk7q0ktjwX/view?usp=sharing

A estabilidade da Bielorrússia, que faz fronteira com a Rússia, também é do interesse de Moscou, por entender que o Ocidente (UE e OTAN) explora a crise política no país vizinho para avançar com os seus interesses – um dos argumentos que usou para justificar a anexação da Crimeia, em 2014, e apoiar os separatistas pró-russos no Leste da Ucrânia. 

O que se passar estes dias em Minsk e em Moscou dirá muito sobre o futuro da democracia e sobre a relação entre o Ocidente e o Leste da Europa.

Depois da Crimeia, de dar a mão ao sírio Assad e ao turco Erdogan, de se imiscuir no “Brexit” e na Catalunha, de apoiar os fascistas Salvini e Orbán ou a nova plêiade de aspirantes a ditadores, uma intervenção na Bielorrússia transformaria a nova guerra cínica entre a UE e a Rússia num conflito grave.

 

https://drive.google.com/file/d/1UpKANBMfFGwBBrTJEOm0w13nBFwjDq7p/view?usp=sharing

 

 

Milton Blay

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