Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris No Mundo Num Instante de hoje vamos comentar as consequências da prisão de Steve Bannon.... Mundo Num Instante:  Os efeitos da prisão de Steve Bannon na extrema-direita

Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris

No Mundo Num Instante de hoje vamos comentar as consequências da prisão de Steve Bannon.

Uma a uma, caem as máscaras dos profetas da extrema-direita populista, abrindo espaço para verdadeira face desses hipócritas corruptos e amorais, missionários da regeneração da ordem moral.

Primeiro, foi Heinz-Christian Strache, presidente do Partido da Liberdade da Áustria, de 2005 a 2019, obrigado a se demitir depois que os jornais alemães Süddeutsche Zeitung e Der Spiegel, publicaram imagens comprometedoras do então número 2 do governo.

Nelas, Strache é visto negociando com uma pretensa herdeira da oligarquia russa apoio à sua campanha em troca da obtenção de mercados públicos.

https://drive.google.com/file/d/11KtQ4_KtKID5YSpt3tnnUrD4PeI9mnyT/view?usp=sharing

Depois, foram os negócios suspeitos patrocinados por Moscou na Itália de Matteo Salvini e nos Estados Unidos de Trump, sem falar é claro das relações íntimas entre o presidente brasileiro e seus filhos 01, 02 e 03 com as redes milicianas do Rio de Janeiro.

 

https://drive.google.com/file/d/1y2CimiscSnnPIjOqVUoSyFw_oehtyBNh/view?usp=sharing

Neste 20 de agosto foi a vez do pseudo intelectual e rei do marketing eleitoral, com um projeto mundial de transformação político-ideológica, ser preso como um banal vigarista: Steve Bannon, responsável pelas estratégias eleitorais de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, foi preso, acusado de ter-se apropriado de US$ 1 milhão de doações destinadas à construção do muro na fronteira sul dos Estados Unidos.

Segundo a acusação, Bannon desviou esse dinheiro para gastar em coisas como carros novos, obras em casa e tratamentos estéticos e de cirurgia plástica. Vejam e ouçam a reportagem da Agência France Press (AFP):

 

https://drive.google.com/file/d/1u_4zR9_tlmwMZJhzhdgWtEQPOZ0JCkGQ/view?usp=sharing

Rei da mentira, das fake news, do mundo pós-verdade, ideólogo do neofascismo, do hipernacionalismo, o exemplo de Bannon desvenda a natureza daqueles que se propõem a restaurar as sociedades conservadoras, começando pela caça aos imigrantes. Juram acabar com a corrupção, são os primeiros corruptos.

A queda de Steve Bannon é particularmente importante para desmascarar a extrema-direita, pois ele tinha se tornado o impulsionador da estratégia para criar uma espécie de internacional populista, que ele próprio denominou “Movimento”, com sede em Bruxelas, para financiar e prestar apoio a partidos de extrema-direita. 

Depois de se afastar, ou melhor de ter sido afastado por Trump, e de abandonar os panfletos extremistas no site Breitbart News, Bannon empenhou-se em disseminar o vírus neofascista na Europa.

O seu papel no apoio a Nigel Farage para garantir o “Brexit” foi fundamental; Victor Orbán é o seu modelo; seu projeto de fundação de uma universidade perto de Roma para disseminar o populismo foi barrado; sua proximidade com Eduardo Bolsonaro e Olavo de Carvalho foi importantíssima na eleição do capitão; é conhecida a sua amizade com Marine Le Pen e, ainda mais, com sua sobrinha Marion Maréchal Le Pen, que lançou em 2018 o Institut des Sciences Sociales, Économiques et Politiques (ISSEP). A aula inaugural foi pronunciada por Steve Bannon.

Em sua cruzada, em setembro de 2019, Bannon contou com um novo membro de peso para o seu O Movimento: Matteo Salvini, então ministro do Interior italiano e líder do partido de extrema-direita Liga, juntou-se à fundação.

Salvini era visto por Bannon como um modelo a ser seguido e o exemplo do que quer para todo o continente europeu. Alguém que desafiou o establishment, tendo por base uma política antiimigração e ultraconservadora, que foi capaz de formar um governo numa das principais economias europeias juntamente com o Movimento 5 Estrelas.

Em entrevista ao site norte-americano The Daily Beast, em julho, Bannon afirmava: “A Itália é o coração pulsante da política moderna. Se funcionou lá, pode funcionar em qualquer lugar. Salvini é um gênio, tem uma intuição fora do comum”.

Outra personalidade da Península que aderiu à fundação de Bannon: Giorgia Meloni, líder do partido conservador e eurocético Irmãos de Itália, ainda mais à direita que a Liga no tabuleiro político italiano. Por essas razões, Bannon tinha escolhido a Itália como base de sua revolução conservadora; Gina Marques:


https://drive.google.com/file/d/1713EyKpiton2hdHDlizKQheunhW5Sf4b/view?usp=sharing

Eis aqui a opinião de Bannon sobre Salvini e Bolsonaro:

https://drive.google.com/file/d/1N8EtW8n1Vv8T7yky9LC1MIS9svQ9j2lm/view?usp=sharing

Para o antigo estrategista de Trump, o Movimento também tinha uma outra função:dar uma resposta a George Soros, o megaespeculador multibilionário norte-americano de origem húngara e à sua Open Society, tido como uma espécie de “inimigo número 1”, o típico globalista fruto do “marxismo cultural” instaurado pelo Iluminismo.

Por tudo isso, a prisão de Steve Bannon é carregada de simbolismo, mesmo se horas depois ele pagou US$ 5 milhões de fiança e foi libertado. O que é interessante é que, após pagamento da caução,  os líderes da extrema-direita mundial já se solidarizavam com ele, alegando que “a prisão de Steve Bannon por uma questão qualquer de angariação de fundos” seria um sinal de “instrumentalização da justiça”.

Há uma bela locução latina que diz muito sobre a forma de interpretar esta solidariedade preventiva para com o demagogo da extrema-direita internacional. “Excusatio non petita, accusatio manifesta” — ou seja, quem oferece justificativas que não lhe foram solicitadas se acusa de culpas próprias, como um vigarista que defende outro vigarista para antecipar as desculpas que usará se as suas vigarices vierem a ser descobertas.

Como se lê no editorial do jornal Público, de Lisboa, “de suposto intelectual com um projeto mundial de transformação, passou a ser um banal suspeito de vigarice”.

Na extrema-direita internacional, a vigarice é mais do que uma compulsão. É um dos fundamentos da sua ideologia: o vigarismo, que funciona assim: convencem-nos de que a sua nação é a melhor do mundo mas que ao mesmo tempo é vítima dos malandros estrangeiros; insinuam-lhes que os “outros” acham que eles são estúpidos, mas que eles podem contra-atacar mandando dólares para construir um muro que era suposto ser feito pelo governo e pago pelos mexicanos. Enquanto isso, Bannon bebe champanhe no iate de um oligarca chinês. É o nacional-vigarismo no seu esplendor.

Na verdade, quem acha que o eleitorado é estúpido é a extrema-direita. Um vigarista político como Bannon ou os seus imitadores em todos os países, incluindo o Brasil, não pode deixar de ver os seus próprios apoiadores como otários.

Nessa linha, Trump negou todo envolvimento com Steve Bannon; declarou-se surpreso e triste:

https://drive.google.com/file/d/1uTb71pLiy6qddze6lvIYU4qe-QlhNxRB/view?usp=sharing

É de se esperar que a eventual condenação de Bannon pesará na balança da extrema-direita mundial, embora não seja suficiente para acabar com o perigo do autoritarismo, do ultranacionalismo e da xenofobia que paira sobre a Europa e o mundo.

Se juntarmos a eventual derrota de Trump, a completa descredibilização de Bolsonaro, Duterte e Modi, a reabilitação das forças democráticas na Itália, o fortalecimento da União Europeia pós-Covid, a recuperação de Macron na França, poderemos ao menos respirar. Será um grande alívio.

Hoje, ao menos, temos o que festejar: a prisão de Steve Bannon é mais uma de tantas e tantas provas de que os populistas de extrema-direita não estão a salvo da Justiça nem do julgamento da história e que no fundo não passam de meros estelionatários da pior espécie.

No mistério do universo musical, tons maiores são alegres e tons menores são tristes. A Quinta Sinfonia foi composta em um momento difícil da vida de Beethoven e sua surdez se acentuava. Provavelmente, por isso tenha composto, pela primeira vez em sua obra, uma Sinfonia em tom menor.

Nos parece interessante “compor em tons menores” este texto, pois o momento é grave, mas acreditamos que o mundo em que estamos, apesar de triste, irá revolucionar sua existência após a pandemia, e o que se faz hoje determina as condições de construir um novo futuro que não seja o passado com outro nome.

No primeiro movimento da Quinta Sinfonia, o “pam pam pam paaaam” representa o destino batendo à porta, o dilema da mudança. Já no segundo movimento, predomina uma melodia triste, porém, muito bonita, refletindo as desilusões do autor e, por outro lado, seu otimismo. Nos movimentos finais, terceiro e quarto, há uma orquestração solene, representando a esperança de novos rumos que a vida podia tomar. Entretanto, não há um gran finale e a tensão do início volta ao final, deixando em aberto o próprio destino.

Na Sinfonia desafinada da extrema-direita, que tem Trump como seu primeiro violino, Bolsonaro é análogo a um oboé, que desafina toda a orquestra e emite sons insuportáveis quanto mais se pronuncia fora do tom. Sua atuação é, sem dúvida, a mais criminosa do mundo e contra ele estamos no front da guerra.

https://drive.google.com/file/d/1U0jtCYDvJuBOCgS3URPapXSvOMUQULqj/view?usp=sharing

Milton Blay

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