Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris A tragédia de Beirute, no dia 4 de agosto, transformou o Líbano numa nova arena... Mundo num Instantes: Mediterrâneo ameaçado por conflitos e a influência da China no Oriente Médio

Por Milton Blay, correspondente da TV DEMOCRACIA em Paris

A tragédia de Beirute, no dia 4 de agosto, transformou o Líbano numa nova arena da competição geopolítica num Mediterrâneo já agitado por outros conflitos.

A decomposição econômica do País do Cedro pode ter aberto a porta a uma potência até agora afastada da região: a China.

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Os focos de incêndio no Mediterrâneo, que ameaçam diretamente a Europa, são inúmeros.

O conflito mais “quente” é a guerra líbia, que opõe a Turquia e o Catar ao Egito, Rússia e Emirados Árabes Unidos (EAU).

Em conexão com a Líbia, desenha-se outro conflito sobre a soberania de águas territoriais e reservas de gás: de um lado a Turquia e do outro Grécia, Chipre e Egito. A França enviou reforços aeronavais para a zona de conflito, em apoio a gregos e cipriotas , em desafio a Ancara.

A Turquia pretende garantir o controle das águas do Mediterrâneo Oriental, região rica em gás natural. A Líbia, que dispõe das maiores reservas de petróleo da África, está dividida entre dois rivais: o Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) e baseado em Tripoli, e o marechal Khalifa Haftar, que reina no leste e uma parte do sul.

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Fragatas militares da Turquia e da Grécia colidiram em águas disputadas no Mediterrâneo. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste sábado (15) que não vai ceder a ameaças de sanções, nem recuar no caso de incursões em um território no mar Mediterrâneo reivindicado pela Turquia e pela Grécia.

As tensões aumentaram depois que a Turquia enviou um navio de pesquisa para a região, escoltado por navios de guerra, para mapear o território marítimo para possível perfuração de petróleo e gás – uma área onde a Turquia e a Grécia reivindicam jurisdição.

O navio de pesquisa turco Oruc Reis está se movendo entre Chipre e a ilha grega de Creta, à sombra de várias fragatas gregas.

Na quarta-feira (12), uma delas, o Limnos, estava se aproximando do navio de pesquisa quando ela entrou no caminho de uma de suas escoltas navais turcas, a Kemal Reis.

A Turquia acusou nesta sexta-feira  (14) a França de se comportar como “mestre” do Mediterrâneo oriental e emitiu um severo aviso à Grécia, no momento em que os países europeus se reuniam em Bruxelas para apoiar Atenas.

A situação no Mediterrâneo é explosiva.

A França respondeu mobilizando navios e aviões de guerra nesta área do Mediterrâneo na terça-feira para deixar claro seu apoio às autoridades gregas nesta crise.

Uma decisão que levou o ministro turco das Relações Exteriores a acusar a França de se comportar como um “valentão”.

Ministros de Relações Exteriores da União Europeia (UE) —que tem a Grécia como membro— afirmaram que as ações da Turquia são antagônicas e temerárias. Segundo eles, as movimentações navais da Turquia levariam a uma “elevação no risco de incidentes perigosos”.

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A França, com fortes laços históricos com o Líbano, é a única potência europeia que até agora se moveu: Emmanuel Macron visitou Beirute logo no dia 6.

Faltam entrar em jogo outros atores: os Estados Unidos, os rivais Irã e Arábia Saudita, não se deverá esquecer a Rússia, ancorada na Síria. Ainda nenhuma potência pôs as cartas na mesa. Temos agora um convidado surpresa: a China.

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Saliente-se, por fim, algumas mudanças drásticas no Médio Oriente, sobretudo no que diz respeito a quatro atores interessados no Líbano: China, Irã, Arábia Saudita e Israel.

Em junho, Pequim e Teerã fecharam um acordo de parceria econômica e de segurança, que assegura à China uma larga presença em setores e infraestruturas vitais, com vultosos investimentos, em troca do fornecimento de petróleo, com desconto, durante 25 anos.

“O desespero de Teerã empurrou-a para os braços da China, que tem tecnologia para modernizar a exploração do petróleo iraniano e um grande apetite pelo mesmo petróleo”, escreveu o New York Times.

Este acordo, com um componente militar, marca uma viragem estratégica do Irã. Os aiatolás nunca a desejaram. O Irã olhou sempre para o Ocidente e, em especial para a Europa, em matéria de comércio e investimento.

Mas, como é sabido, a China nunca coloca todos os ovos num mesmo cesto. Paralelamente ao acordo com Teerã, Pequim celebrou importantes acordos com a Arábia Saudita que deseja que a China lhe forneça centrais nucleares, que os americanos lhe negam.

O petróleo não é eterno e os sauditas querem diversificar as fontes de energia. É um acordo “utilitário”, mas não estratégico como no caso do Irã.

“A habilidade da China para cooperar com dois inimigos ao mesmo tempo é um comportamento de superpotência”. O envolvimento chinês na região muda as regras do jogo e exige um pensamento novo.

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A presença iraniana na Síria pode tornar-se num problema menor para Israel, se comparado com o desafio sino-iraniano.

Numa outra jogada, os Emirados Árabes Unidos reconhecem Israel.

Foi uma vitória de Benyamin Netanyahu, Trump e dos EAU e uma derrota do Irã e do Hezbollah, o movimento xiita libanês .

Sobre o interesse da China no Líbano escreve na Foreign Policy, Anchal Vohra, correspondente da Al-Jazeera em Beirute: “Pequim está pronta para abrir uma nova via da Nova Rota da Seda no corredor comercial do Levante”, explorando a relutância do Hezbollah e de outros partidos libaneses em aceitar as exigências de reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O seu interesse direto é comercial, mas também “estabelecer-se como ator no complexo teatro do Médio Oriente e competir com a hegemonia americana”.

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Os libaneses estão desesperados, famintos, mas o Hezbollah veta as negociações com o FMI. Os Estados Unidos não darão qualquer ajuda enquanto o Hezbollah não desarmar.

Os olhos voltam-se para a Europa, mas a UE está ocupada em financiar os seus programas de recuperação pós-Covid-19 e dificilmente disporá da massa financeira urgente para o Líbano.

Os olhos voltam-se depois para a China: dispõe de fundos e está interessada em grandes investimentos, sobretudo nas infraestruturas.

Num discurso pela televisão há cerca de um mês, Hassan Nasrallah, chefe do Hezbollah, declarou que o Líbano deve “olhar para Leste”, pois a China seria a salvação nesta crise. A mensagem era clara: não ao FMI. O temor não é uma política de austeridade num país em descalabro e que importa 80% da sua alimentação.

O Hezbollah recusa o desarmamento. A sua oposição às reformas poderia ser ultrapassada via Irã, “desde que seja preservado o status quo estratégico”, ou seja, o estatuto dominante do Hezbollah.

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De resto, há outras milícias rivais: xiitas, sunitas, cristãs ou drusas. Não faltam armas.

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O modo como se vão entrelaçar os vários focos de conflito no Mediterrâneo, o que pesará na evolução do Líbano, é ainda uma incógnita. À primeira vista, a potência em melhores condições para beneficiar da crise parece ser a China, que se mantém afastada dos outros conflitos, que nada tem a perder e gostaria de desempenhar o papel de “salvadora do Líbano”. Mas, repita-se, as cartas ainda não estão em cima da mesa.

O Líbano precisa de liquidez imediata, precisa do empréstimo do FMI. Os investimentos chineses apresentarão resultados dentro de cinco ou seis anos. Talvez seja tarde demais. Nessa altura o Líbano já estará morto e o Mediterrâneo em chamas.

Enquanto isso, tomados pelo desespero, refugiados tentam ainda atravessar o Mediterrâneo rumo à Europa, onde esperam ter condições de sobreviver. As cenas que seguem mostram como eles são tratados.

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Diante da desumanidade dessas imagens, que nos remetem a tempos tenebrosos, depois de falarmos de violência, de guerra, de fome, mudamos de registro e deixamos vocês com um hino, um hino de amor, de loucura, de beleza infinita.

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Milton Blay

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