Edição de Rafael Bruza O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, optou pelo silêncio diante da presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em... Novo ministro da Saúde se cala diante da ida de Bolsonaro a atos com alglomerações

Edição de Rafael Bruza

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, optou pelo silêncio diante da presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em manifestações de Brasília que tiveram aglomerações de pessoas, neste domingo (19).

Os atos – que pediram intervenção militar, fechamento do Congresso e até um novo AI-5 no país – contrariaram orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate ao novo coronavírus, por gerar multidões de pessoas que podem disseminar a doença através da proximidade entre os cidadãos presentes.

Mas, procurado pela imprensa, o Ministério da Saúde informou que não comentaria a participação de Bolsonaro nas manifestações.

O silêncio de Teich diverge da conduta do anterior mandatário da pasta, Luiz Henrique Mandetta, que questionava a presença do presidente em locais com aglomerações, em respeito às orientações da OMS.

Mandetta acabou demitido por Bolsonaro na semana passada, após divergências sobre a gestão da crise do coronavírus e por conta de seu aumento de popularidade – que irritou o presidente.

Qual a postura de Teich?

A ida de Bolsonaro aos atos que pediram intevenção militar no Brasil foi vista por deputados como o primeiro teste para avaliar a conduta de Nelson Teich na pasta que cuida da crise do coronavírus à nível federal.

Estes parlamentares avaliam que Teich não apresentou até agora detalhes do que pensa sobre isolamento social ou medidas contra o novo coronavírus.

O silêncio do domingo reforçou a ideia de que o novo ministro da Saúde está totalmente submisso à Jair Bolsonaro – com possibilidades de que o Ministério da Saúde aceite a ideia presidencial de por fim a medidas de isolamento social, adotadas por Estados e municípios, em conformidade com as orientações da OMS.

Deputados do centro e da oposição ainda cogitam convocar Nelson Teich para obter esclarecimentos sobre as ações que ele quer aplicar no combate ao novo coronavírus.

Multidões são foco de contaminação

A Organização Mundial da Saúde propõe o isolamento social como uma das principais medidas para conter a dissminação do coronavírus, que se transmite pelo ar e pode infectar grandes grupos de pessoas em uma única multidão – tal qual ocorreu no jogo entre Atalanta e Valência, na Itália, que reuniu 40 mil pessoas em março e foi visto por autoridades italianas como uma “bomba biológica”, na época, por conta do grande aumento no número de casos na região, após a partida.

A cidade de Brasília, onde ocorreram os atos por intervenção militar, que tiveram presença de Bolsonaro, tem a maior contaminação proporcional de coronavírus – número de infectados a cada 100 mil habitantes – no Brasil.

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em atos que tiveram aglomerações de pessoas

Fabio Pannunzio

Nenhum comentário ainda. Comente!

Be first to leave comment below.

O seu endereço de e-mail não será publicado.