O Brasil, com mais de 100 mil mortes e 3 milhões de casos de coronavírus, foi assunto da coletiva desta segunda-feira (10) da Organização... OMS comenta os números do Covid-19 no Brasil e diz que a doença ainda está longe do controle no país

O Brasil, com mais de 100 mil mortes e 3 milhões de casos de coronavírus, foi assunto da coletiva desta segunda-feira (10) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As informações são do correspondente da TV Democracia, em Genebra, na Suíça, Jamil Chade.

O diretor executivo de emergências da OMS, o irlandês Mike Ryan, alertou que a proliferação do coronavírus no país não cai, que a doença continua ativamente se espalhando pelo país e a cloroquina não funciona.

Ryan recomendou que o governo mantenha o apoio financeiro à população mais vulnerável e que mantenha o distanciamento social:”É difícil para muito no Brasil. Muitos vivem em locais lotados e na pobreza. Manter essas atividades é muito difícil. O governo deve continuar a dar apoio à sociedade. É difícil agir como comunidade se não recebe apoio. Não se pode empoderar comunidades com palavras. Elas precisam de ações. Ela precisa de recursos e conhecimento. Sociedades não podem agir com as mãos atadas nas costas. Elas precisam receber recursos e meios para agir”.

Com números altos de casos por dia e uma taxa de proliferação entre 1,1 e 1,5, o diretor da OMS lembrou que “o vírus ainda está ativamente se espalhando por parte do país”.

Ryan elogiou os profissionais do sistema de saúde do país e destacou como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estão lidando com a crise: “Em alguns locais, a ocupação varia entre 80% e até mais de 90%. Qualquer um que trabalhe nisso reconhece a pressão. Manter isso por vários meses é uma tarefa praticamente impossível”.

Ele também considera muito elevado a média de 20% de pessoas testadas no Brasil que estão contaminadas pelo coronavírus.

O diretor da OMS repetiu uma velha afirmação sobre a hidroxicloroquina que é ignorada pelo governo Bolsonaro: “Num cenário com ele (hidroxicloroquina), o remédio não é a solução e não é a bala de prata. Por meses, a agência (OMS) realizou testes com o remédio. Mas chegou à constatação de que ele não traz benefício. Cabe ao governo de forma soberana decidir qual é o melhor tratamento. Mas, no momento e a partir dos testes, ele (o remédio) não se mostrou eficiente”.

Sobre as críticas do presidente brasileiro contra vacinas chinesas, que insinuou que não seriam eficientes, Ryan foi categórico: ” Todas as vacinas serão colocadas sob o mesmo teste rigoroso. Não há motivo para ter suspeita de nenhuma delas. A OMS não dará sinal verde para nenhuma das 160 vacinas sob teste hoje se não houver eficiência e segurança”.

Uma das vacinas chinesas, a coronavac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, está sendo testada no Brasil.

Equipe TV Democracia

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