O Brasil foi criticado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por fechar acordo bilateral para a compra de vacinas contra o coronavírus. O ministro... OMS critica “nacionalismo” do Brasil ao fechar acordo bilateral para compra de vacina contra a Covid-19

O Brasil foi criticado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por fechar acordo bilateral para a compra de vacinas contra o coronavírus.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou da primeira reunião da conselho internacional do Aliança Mundial de Vacinas (Facility ACT) da OMS, que também vai administrar o ACT-Accelerator, o programa de aceleração no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19.

Por videoconferência realizada nesta quinta-feira (10), ele cobrou transparência da comunidade internacional como condição para o Brasil aderir ao projeto e lembrou que o país será um dos maiores contribuintes da aliança.

O correspondente da TV DEMOCRACIA na Suíça, Jamil Chade, acompanhou a reunião.

O Brasil e outros 24 países fazem parte do conselho coordenado pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg.

Pelas regras da aliança, por ser considerado um país de renda média, o Brasil não receberia vacinas gratuitamente. Mas, com uma das maiores populações, poderá ser um dos maiores investidores do programa.

Se optar por vacinar 20% da população, teria que destinar R$ 4,4 bilhões para a aliança.

Segundo Chade, nos bastidores, o governo brasileiro reclama da falta de transparência na tomada de decisões.

Um dos aspectos é a transferência de tecnologia aos governos que investirão bilhões na compra.

Outra desconfiança é que há uma percepção de que, como o projeto é liderado pela União Europeia (UE), poderá atender às orientações estabelecidas em Bruxelas, sede do Parlamento europeu.

O general Pazuello, que no próximo dia 15, vai completar quatro meses como ministro interino da Saúde, discursou diante do conselho:
“Não poderíamos ter decidido de outra forma: cooperação e solidariedade são princípios consagrados na nossa Constituição, e a iniciativa ACT-Accelerator promove esses princípios. Posso dizer com segurança que o Brasil sempre estará ao lado de qualquer iniciativa que promova o acesso justo e equitativo a diagnósticos, vacinas e tratamentos e o fortalecimento de sistemas de saúde”.

Ele alertou para a possibilidade do Brasil ser o maior investidor, mas cobrou transparência: “Espero que este órgão de governança traga mais transparência e inclusão à iniciativa, a fim de mantê-la fiel aos seus princípios fundamentais. Enquanto o Brasil e muitos outros países estudam a possibilidade de aderir ao Covax Facility, é preciso defender esses princípios. Caso optemos pela adesão, o Brasil poderá ser o maior contribuinte”.

O Brasil foi criticado indiretamente pelo secretário-geral da Organizações das Nações Unidas, o português Antônio Guterres, e pelo diretor-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom.

A OMS criticou os governos que tiveram iniciativas bilaterais com a indústria farmacêutica para compra e distribuição de vacinas contra o coronavírus, advertindo que este tipo de ação nacionalista pode dificultar o fim da pandemia.

É o caso do Brasil que firmou acordo de quase R$ 2 bilhões com a AstraZeneca para receber doses da vacina Oxford.

A instituição avalia que, ao fechar acordos bilaterais, países com recursos podem garantir a vacinação para uma parte da população, mas criam obstáculos para um plano global de produção e distribuição de vacinas.

“A pandemia só chegará ao fim quando todos estiverem protegidos. Caso contrário, a ameaça continuará a existir”, alertou Adhanom.

Guterres voltou a afirmar que a maior ameaça à segurança mundial é o vírus e que só a vacina não basta:”Muitos têm esperança na vacina. Mas vamos ser claros: não existem panaceias nessa crise. Sozinha, a vacina não pode resolver essa crise, certamente não no curto prazo”.

O secretário-geral da ONU informou que, até agora, a aliança recebeu menos de US$ 3 bilhões: “Precisamos agora de US$ 35 bilhões a mais. Nos próximos três meses, serão necessários US$ 15 bilhões. Caso contrário, a janela de oportunidade para lidar com a pandemia vai se fechar”.

A inclusão do Brasil no conselho da ACT ocorre pela dimensão de seu mercado e por sua influência, diante de sua população, para determinar preços e volumes da vacina no mundo.

Criada em abril, a aliança tem como objetivo, evitar uma corrida mundial pela vacina e uma guerra financeira, deixando milhões de pessoas em países mais pobres sem o produto.

Num primeiro momento, todos os países que fazem parte da aliança receberiam o equivalente a 3% da população e a prioridade seria a vacinação dos profissionais da saúde que trabalham no combate à pandemia.

Na etapa seguinte, o número subiria para 20% da população desses países, que são os idosos e pessoas com doenças crônicas.

O governo brasileiro demorou para aderir à iniciativa da OMS, principalmente, por causa da ala ideológica ligada ao “guru” Olavo de Carvalho e influente no Itamaraty, entre outros órgãos do primeiro escalão.

Porém, semanas depois, manifestou interesse em participar da aliança.

No começo do mês, o país confirmou presença desde que o sistema permita implementar certas flexibilidades na compra dos remédios.

Para poder ter direitos para adquirir doses de vacinas para 20% da população (cerca de 21 milhões de habitantes), o Brasil vai precisar desembolsar quase R$ 4,5 bilhões.

Equipe TV Democracia

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