A crise humanitária global, que já é agravada pela pandemia do coronavírus, poderá atingir o número recorde de 235 milhões de pessoas em 2021... ONU alerta para o agravamento da crise humanitária global em 2021

A crise humanitária global, que já é agravada pela pandemia do coronavírus, poderá atingir o número recorde de 235 milhões de pessoas em 2021 e exigirá um esforço inédito na história da Organização das Nações Unidas (ONU).

As informações estão em um relatório apresentado nesta terça-feira (1º), cujos detalhes o correspondente da TV DEMOCRACIA em Genebra, na Suíça, Jamil Chade, teve acesso.

A ONU traçou um cenário pessimista para o ano que vem.

Disse que há um risco real da futura vacina contra Covid-19 chegar apenas para uma parcela rica do planeta e que milhões de pessoas precisem esperar meses ou anos para serem imunizadas.

O orçamento para o socorro de populações mais pobres e famintas em 56 países como Brasil, Colômbia, Ucrânia, Haiti, Afeganistão, Paquistão, Venezuela e Síria, foi estimado em US$ 35 bilhões.

“Conflitos, mudanças climáticas e a Covid-19 geraram o maior desafio humanitário desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou o secretário-geral da ONU, o português Antônio Guterres.

A ONU prevê um aumento de 40% no número de pessoas afetadas por crises humanitárias em 2021.

É quase três vezes maior que em 2015.

“Se todos aqueles que precisarem de ajuda humanitária no próximo ano vivessem num país, seria a quinta maior nação do mundo, com uma população de 235 milhões de habitantes”.

A ONU planeja uma operação para alimentar e dar abrigo para 160 milhões de pessoas em 2021.

Uma das áreas críticas é a fronteira do Brasil com a Venezuela, onde há milhares de refugiados venezuelanos.

O relatório das Nações Unidas diz que todo o planeta foi abalado pelo impacto da pandemia, mas que a situação piorou para quem já vivia em péssimas condições.

“Aqueles que já vivem no fio da navalha estão sendo atingidos de forma desproporcionalmente dura pelo aumento dos preços dos alimentos, queda dos rendimentos, programas de vacinação interrompidos e fechamento de escolas”.

A situação na América do Sul é citada no documento em tons pessimistas: “A pandemia secou as economias informais, diminuindo os meios de subsistência e o acesso aos alimentos e aumentando os riscos de proteção”.

De acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e Caribe, 231 milhões dos 656 milhões de habitantes da região estarão em situação de pobreza no início de 2021, o pior patamar desde 2005.

“O impacto generalizado das economias deprimidas conduzirá a mais migração, insegurança alimentar e preocupações de saúde e proteção no meio de elevadas vulnerabilidades a riscos naturais, redes de segurança governamentais em tensão e potenciais agravamentos de tensões sócio-políticas profundamente enraizadas”.

O chefe humanitário da ONU, o economista britânico Mark Lowcock declarou que “o dmundo rico pode agora ver a luz ao fundo do túnel. O mesmo não se passa nos países mais pobres. A crise da Covid-19 mergulhou milhões de pessoas na pobreza e fez disparar as necessidades humanitárias. No próximo ano precisaremos de US$ 35 bilhões de dólares para evitar a fome, combater a pobreza, e manter as crianças vacinadas e na escola”.

“Temos uma escolha clara diante de nós. Podemos deixar que 2021 seja o ano em que 40 anos de progressos sociais serão desfeitos — ou podemos trabalhar em conjunto para garantir que todos encontraremos uma saída para esta pandemia. Seria cruel e insensato da parte dos países ricos desviar o olhar diante dessa realidade. Os problemas locais tornam-se problemas globais, se os deixarmos”, acrescentou.

No informe, a ONU analisou os efeitos dramáticos da “recessão global mais profunda desde a década de 1930”. Entre eles, o aumento dos índices de fome e de pobreza.

“A pobreza extrema aumentou pela primeira vez em 22 anos, e o desemprego aumentou dramaticamente. As mulheres e os jovens entre os 15 e os 29 anos que trabalham no setor informal estão sendo os mais atingidos. O fechamento das escolas afetou 91% dos estudantes em todo o mundo”.

Como se não bastasse o impacto da pandemia na economia, há a constatação de que os conflitos políticos são mais intensos e estão causando um impacto pesado à população civil, com número cada vez maior de refugiados.

“A última década assistiu ao maior número de pessoas deslocadas internamente pelo conflito e pela violência, com muitas presas nesta situação por um período prolongado. Estima-se que haja 51 milhões de deslocados internos novos e existentes, e o número de refugiados duplicou para 20 milhões”.

Outro dado assustador é o de 77 milhões de pessoas de 22 países que estão em situação de fome aguda, número que poderá chegar a 270 milhões ainda este ano.

“Os impactos da pandemia e das alterações climáticas estão afetando seriamente os sistemas alimentares em todo o mundo”, diz a ONU.

A instituição fez um apelo internacional por US$ 9 bilhões, quase o dobro do que era necessário há cinco anos, para atender as populações em situação de insegurança alimentar aguda.

As mudanças climáticas terão cada vez mais impacto na vida de milhões de pessoas. Segundo a ONU, os últimos 10 anos foram os mais quentes desde que os registros começaram a ser feitos e, ao mesmo tempo, catástrofes naturais estão agravando as vulnerabilidades crônicas em diferentes partes do mundo.

Para piorar, 2021 é o ano do fenômeno La Niña, que poderá provocar alterações climáticas significativas.

O relatório enfatiza outros problemas de saúde além da Covid-19: “Os surtos de doenças estão aumentando e a pandemia tem dificultado os serviços de saúde essenciais em quase todos os países. Mais de 5 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade enfrentam as ameaças da cólera e da diarreia aguda. A pandemia pode acabar com 20 anos de progresso na luta contra o HIV, tuberculose e malária, duplicando potencialmente o número de mortes anuais”.

A educação foi outro item afetado pela pandemia. De acordo com a ONU, cerca de 24 milhões de crianças, adolescentes e jovens (11 milhões de meninas e mulheres jovens) poderão não voltar mais à escola no ano que vem.

Guterres enfatizou que “a crise está longe de ter terminado” e que faltam recursos.

“Os orçamentos para a ajuda humanitária enfrentam déficits terríveis à medida que o impacto da pandemia global continua a agravar-se”.

Ele pediu que governos mobilizem recursos e e que sejam solidários com as pessoas “na sua hora mais negra de necessidade”.

O montante recorde de US$ 17 bilhões recebido de doadores internacionais em 2020 é menos da metade do que foi pedido pela ONU e outras organizações multilaterais, que tiveram as necessidades aumentadas com a crise sanitária.

Equipe TV Democracia

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