O cenário o que se descortina é o de uma guerra civil. O aumento da tensão é diário. Encastelados no Palácio do Planalto, os... Os brucutus saem da toca

$12.8M Suit Filed by Estate of Man Killed in WWII Tank BlastO cenário o que se descortina é o de uma guerra civil. O aumento da tensão é diário. Encastelados no Palácio do Planalto, os generais bolsonaristas seguem dando escala às ameaças e estressando as instituições de maneira a conduzir o confronto para o imponderável.

A lógica é a da guerra suja. Um dos lados trabalha com um arsenal composto por manipulação, fake news e a construção de uma grande milícia, tanto no mundo virtual quanto no real. O outro lado, aturdido, sequer consegue formar uma ordem unida contra a usurpação da democracia.

Segundo o antropólogo Piera Leirner, os generais de pijama que hoje comandam a sublevação permitiram que a AMAN se transformasse em palanque para Bolsonaro fazer sistematicamente o proselitismo golpista durante os oito anos que antecederam sua eleição.

Paraninfo de todas as turmas entre 2011 e 2018, o capitão indisciplinado foi ali plantar a semente do dragão antidemocrático que agora vemos despertar. Foram estes, segundo Leirner, os primeiros movimentos de um projeto político engendrado pela direita americana.

O projeto está claro agora. Com a população isolada em casa pelo coronavírus, a esquerda desunida pela vaidade de líderes que só pensam em si e a população inerte pela falta de uma voz de comando para a resistência, forma-se o quadro ideal para o generalato golpista deflagrar sua Batalha da França.

O fisiologismo minou a resistência. O espírito do General Petain parece ter se apoderado de figuras centrais como Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, cuja impetuosidade patriótica parece ter sido refreada pela chegada do Centrão à boca do cofre.

Além dos generais de pijama, o golpista Bolsonaro articulou sua milícia unindo a extrema direita brasileira ao crime organizado. Arregimentou os piores quadros do País, gente que nem se sabia que existia.

Conseguiu um judeu que se vale de emblemas nazistas para a propagando oficial, um negro racista para a Fundação Palmares, uma mulher machista para cuidar da família e dos direitos humanos, um neonazista obscuro e xenófobo para tocar a educação, um maluco terraplanista para desmoralizar o Itamaraty, acercou-se de militares sem nenhuma altivez para resolver a pandemia e de um guru esquizofrênico e perverso para obscurecer-lhe o caminho.  Criou assim uma autêntica caquitocracia, o regime dos párias, o governo dos piores entre os piores.

Todas essas almas penadas se uniram em torno de uma estratégia que visa impedir que os crimes da família Bolsonaro sejam investiagdos. Rachadinha, milícias, enriquecimento ilícito, nepotismo, crimes contra a Lei de Segurança Nacional. A capivara da primeira-família é longa e as provas que se avolumam conta ela é densa. A democracia e a Constituição de 88 vão cair porque a elite militar brasileira decidiu se transformar em guarda pretoriana do crime organizado.

Quem embarca numa aventura golpista sabe que os risco são altos. A história costuma funcionar como um depurativo eficiente. Prisão, banimento, degredo e morte cruel são as perspectivas que se colocam no horizonte de todo protoditador. Mussolini, Strossner e Pinochet tiveram um ocaso indigente depois de impor muito sofrimento ao seu próprio povo. Essas lembrança (que apontam para o que efetivamente pode acontecer a quem brinca com a democracia) servem como um elemento de contenção, ainda que o revisionismo dos nossos dias teime em não projetar esses fatores.

Um golpe dos fascistas brasileiros seria rechaçado pelas democracias ocidentais – Estados Unidos entre elas, uma vez que a condução catastrófica da pandemia derreteu as chances de Trump se reeleger. O Brasil seria isolado do mundo civilizado e sofreria enormemente as consequências. O Brasil se tornaria uma espécie de Irã neonazista, ou um califado neopentecostal.

Mas até que isso aconteça, muita gente terá sido assassinada, torturada, morta, deportada ou terá de partir para o degredo, o exílio. A fúria desmedida contra a Imprensa faz antever a censura que se avizinha e um recrudescimento na perseguição contra jornalistas, intelectuais e agentes culturais.

Para a consecução de seu projeto, o bolsonarismo tem os generais, as PMs milicianas,apoio popular de fanáticos religiosos e de empresários oportunistas. Tem também apoio de parte da mídia corrupta (Record, SBT, Rede TV) e os robôs que infernizam a internet. Mas não se sabe como agirão as demais forças nem os novos oficiais. Ninguém fora da caserna sabe ao certo o que se passa na cabeça de quem tem voz de comando na tropa, que está sofrendo os efeitos da má gestão da crise sanitária e não é imune à radicalização que domina o País.

Enquanto isso, a sociedade, desmobilizada e atônita, não consegue dar os primeiros passos no sentido de organizar uma rede de proteção à democracia. Políticos vaidosos demais pensam em disputar entre si um espaço eleitoral que nem se sabe se existirá em 2022. Ainda não entenderam que, consumado o golpe do capitão, não haverá o que disputar daqui a dois anos e meio – não haverá democracia onde travar a luta política.

A despeito disso tudo, as ameaças veladas e explícitas dos últimos 18 meses nos deram a força necessária para entender que teremos sim que purgar esse suplício. Pois então, que venha logo o golpe miliciano. Só assim saberemos se os fascistas que se assenhoraram do Poder têm mesmo a força que dizem ter – ou se são meros bravateiros, jogadores de truco que tentam ganhar roubando.

Que venha logo esse golpe, se é que o golpista tem mesmo o cabedal que diz ter. Se não tem, será desmascarado e varrido para o porão da história. Se têm, não há mesmo remédio.

Nesse caso, é melhor purgar a tristeza de ver nossa democracia ser desmanchada do que vivermos amedrontados esperando a chegada do carrasco.

 

 

 

 

 

Fabio Pannunzio

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