A poluição na cidade de São Paulo está 20% menor este ano em relação ao mesmo mês de 2019. A constatação é do Instituto...

São Paulo (foto Beno Suckeveris)

A poluição na cidade de São Paulo está 20% menor este ano em relação ao mesmo mês de 2019. A constatação é do Instituto de Astronomia, Goefísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).

Na primeira semana da quarentena obrigatória no estado de São Paulo, em abril, a queda de concentração de poluentes era ainda maior (50%).

A flexibilização da quarentena, que trouxe mais veículos às ruas, a falta de chuvas e o clima seco, são as causas apontadas para o aumento da poluição.

Nesta quinta-feira (23), a Companhia Ambiental do estado (Cetesb) encontrou qualidade moderada na maior parte das estações de medição de poluentes na região metropolitana de São Paulo. Pelos padrões da Organização Mundial da Saúde (OMS), significa que a poluição está acima dos valores recomendados.

A professora do IAG-USP, Maria de Fátima Andrade, reforça a avaliação da OMS: “Moderada já não é boa. É diretamente proporcional a relação entre o índice de isolamento social e a queda de poluentes. Quando tínhamos mais participação no isolamento, a qualidade de ar era melhor. De todas as cidades em que houve estudo, inclusive fora do Brasil, se observou o mesmo fenômeno. É muito proporcional, porque nas grandes cidades a principal fonte de poluição são os veículos”.

Ela lembra que, além dos veículos emitirem monóxido de carbono pelos escapamento, eles liberam partículas poluidoras com a ação abrasiva dos pneus no asfalto.”Então menos movimento, menos liberação de partículas. O uso de máscara é bom até para isso, para não respirar essas partículas porque você evita inalar as maiores”, diz a pesquisadora.

A gerente da divisão de qualidade do ar da Cetesb, Maria Lúcia Guardani, ressalta que, o clima mais seco dos últimos dias também é motivo para a poluição maior.

“Com a queda de temperatura durantes as noites de inverno, o ar quente sobe e os poluentes ficam presos a uma altura de cerca de 160m na nossa atmosfera. Essas partículas não conseguem romper a barreira de ar frio e permanecem lá até esquentar. No meio da manhã, a poluição se dispersa porque o ar quente já atingiu as camadas mais altas e a barreira é rompida. Sem chuva, a camada seca se mantém. Isso acontece porque há muitas partículas de poluição suspensas na atmosfera, é um pó fininho que fica visível. O céu está bem azul, mas tem uma mancha.A luz bate nelas e tem um espalhamento em várias regiões, o que faz como que fique ainda mais intensa essa luz amarronzada que vemos de manhã”, explicou a gerente da Cetesb.

Essa condição típica de inverno, a chamada inversão térmica é bem conhecida dos paulistanos.

Guardani prevê o aumento da poluição: “Mais veículo e mais atividade significam mais poluentes. Se o isolamento estivesse maior agora, teríamos uma condição melhor na atmosfera. Ainda temos sorte, menos quantidade de veículos na rua, mas já tem trânsito”.

Uma pequena chuva é esperada para o próximo fim de semana, mas não deve ser suficiente para melhorar a qualidade de ar na capital paulista. “Se chove, a chuva faz uma limpeza geral em todas as partículas. No inverno, tem poucas chuvas e vento e isso faz com que os poluentes fiquem. Isso vai se arrastar para agosto. Se começar a chover e tivermos uma condição melhor, os poluentes também diminuem”, completou.

Equipe TV Democracia

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