O mundo já registra 655.300 mortes e 16.540.137 casos de coronavírus. Os números foram informados pela universidade americana Johns Hopkins Às 15h30 desta terça-feira... Professor chinês acusa Pequim de esconder informações e atrasar o combate ao coronavírus

O mundo já registra 655.300 mortes e 16.540.137 casos de coronavírus.

Os números foram informados pela universidade americana Johns Hopkins Às 15h30 desta terça-feira (28).

Os Estados Unidos lideram o ranking dos países com mais casos e mortes. O estado da Flórida teve número recorde de 6.117 óbitos em 24h.

O filho do presidente americano, Donald Trump Jr. teve a conta no Twitter suspensa por 12h. A medida foi confirmada pelo porta-voz de Trump Jr. e estrategista do partido Republicano, Andrew Surabian, que acusou a rede social de ser “a maior ameaça à liberdade de expressão”.

O filho de Trump compartilhou um vídeo sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. Não há nenhuma prova científica da eficácia do medicamento. Como é uma fake news e isto fere as regras do Twitter, a conta foi suspensa.

Em entrevista ao programa Panorama, da rede britânica BBC, o professor Yuen Kwok-yung, de Hong Kong, denunciou o governo chinês por não ter alertado a população sobre os riscos de contaminação do coronavírus em humanos.

O professor disse que avisou as autoridades chinesas no dia 12 de janeiro. Ele tinha diagnosticado uma família de sete pessoas com a doença, em Shenzhen, a 1,1 mil quilômetros de Wuhan, o primeiro epicentro do coronavírus no mundo. Mas, a notícia só veio a público uma semana depois, no dia 19 de janeiro.

Yuen, que também ajudou a identificar um surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), a epidemia que se espalhou pelo mundo em 2002, descobriu que alguns membros da família estiveram em Wuhan e alertou Pequim sobre o risco da contaminação.

A versão oficial das autoridades chinesas de saúde é que, não houve encobrimento dos fatos e que o anúncio público sobre a transmissão do coronavírus entre humanos foi divulgada quando houve evidências claras sobre o assunto. Há suspeita de que a notícia não foi dada antes para não causar pânico na população. Às vésperas do Ano Novo Lunar, o maior feriado nacional, milhões de chineses se preparavam para viagens domésticas e externas.

O embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, defendeu o governo: “Quando você está lidando com algo perigoso, sempre existe o risco de entrar em pânico. É preciso garantir que não haja pânico”.

A demora para assumir que o surto era grave causou críticas internacionais. A China também não levou a sério o alerta do médico Wenliang.

Ele já tinha avisado os colegas sobre o vírus no final de dezembro. Wenliang, que tratou pacientes com Covid-19, morreu no começo do ano.

O professor da Universidade de Hong Kong também acusou o governo chinês de orientar médicos e cientistas para destruírem provas científicas e permanecerem em silêncio. Alguns chegaram a desobedecer a ordem, mas foram obrigados a recuar.

Yuen foi convocado por Pequim para verificar o caso da família. Ele visitou o mercado, de onde teriam saído os primeiros casos de coronavírus em humanos, e ficou preocupado com o que viu.”Eles me disseram que o lugar estava muito sujo, com urina e fezes de animais, ratos correndo”.

Porém, o mercado foi fechado três semanas antes e foi completamente desinfetado como “se tivessem apagado as marcas de um crime”, comparou o professor. Por isso, não foi possível identificar nenhum hospedeiro que tivesse potencial para transmitir o vírus a humanos.

Yuen não conseguiu informações sobre o número de pessoas infectadas e se a equipe médica teve contato com o vírus. Para ele, um grande erro: “Suspeito que eles (as autoridades de Wuhan) estavam fazendo algum tipo de acobertamento. Elas deveriam transmitir informações, mas não fizeram isso tão rapidamente quanto deveriam. Se eles tivessem feito isso mais rápido, esse desastre seria 100 vezes menor”.

O diretor do Centro de Estudos sobre a Ásia da Henry Jackson Society, Matthew Henderson, também criticou a omissão: “Eles deveriam ter alertado a população de Wuhan, mas não fizeram isso. Permitiram que as pessoas viajassem dlocal que sabiam se tratar do epicentro da pandemia”.

O professor da universidade britânica de Southampton, Andrew Tatem, que estudos os dados de celulares em Wuhan, comentou sobre o Ano Novo Lunar: “É a maior movimentação de seres humanos do planeta”. Calcula-se que, só desta metrópole chinesa, cinco milhões de pessoas aproveitam o feriado para viajar.

O resultado foi catastrófico. O coronavírus se espalhou pelo país e pelo mundo. Em 18 de janeiro, a China dizia que houve apenas 45 casos confirmados da doença. O que é negado por especialistas britânicos que estimam em mais de 4 mil.

Tatem afirmou que a China foi lenta para tomar as medidas de confinamento: “Se as mesmas intervenções implementadas em 23 de janeiro fossem colocadas em 2 de janeiro, poderíamos ter observado uma redução de 95% no múmero de casos”.

Tese endossada pelo professor Yuen: “Sei que o vírus estava se espalhando de forma muito eficaz. Se você não corre contra o tempo, está com um grande problema”.

Pelos números oficiais, o coronavírus foi a causa da morte de 4.656 pessoas na China, número bem abaixo do que especialistas ocidentais acreditam.

Equipe TV Democracia

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