A crise energética no Amapá entrou no 21º dia nesta segunda-feira (23) e se tornou motivo de denúncia internacional. Segundo o correspondente da TV... Quilombolas denunciam governo Bolsonaro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos

A crise energética no Amapá entrou no 21º dia nesta segunda-feira (23) e se tornou motivo de denúncia internacional.

Segundo o correspondente da TV DEMOCRACIA na Suíça, Jamil Chade, a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Rurais Quilombolas (Conaq) e Terra de Direitos acusaram o governo Bolsonaro de colocar em risco a vida e a integridade física das comunidades quilombolas do estado.

Denúncia neste sentido foi apresentada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) na última sexta-feira (20).

As entidades brasileiras pediram à CIDH que cobre do governo federal o “restabelecimento imediato dos serviços de distribuição de energia elétrica em todo Amapá, garantindo acesso ao serviço essencial a todas as comunidades quilombolas, inclusive aquelas privadas do fornecimento antes do apagão”.

Elas também querem que o governo brasileiro envie ajuda humanitária para as populações quilombolas afetadas, incluindo água potável, alimentação e acesso à saúde.

No Amapá, vivem cerca de duas mil famílias quilombolas na capital Macapá e nos municípios Calçoene e Santana.

O estado enfrenta um apagão desde o dia 3 de novembro, quando ocorreu um incêndio na subestação de energia de Macapá deixando todas as 13 cidades sem energia.

Desde então, já aconteceu outro apagão e o fornecimento de eletricidade é prestado precariamente e em esquema de rodízio.

No final de semana, o presidente Jair Bolsonaro esteve no Amapá para ligar geradores termelétricos e foi alvo de protestos de vários moradores de Macapá durante uma carreata.

No documento, as entidades enfatizou que a situação, que estava agravada pela pandemia da Covid-19, piorou com um cenário de “graves violações de direitos humanos, que estão causando danos irreparáveis e causarão danos ainda maiores à vida, à saúde, à integridade física e moral dos povos quilombolas”.

Elas disseram que 258 comunidades rurais quilombolas estão há 18 dias sem água potável, eletricidade e, em muitos casos, sem alimentos.

“Além dos 24 óbitos de quilombolas em decorrência da Covid-19, foi registrada também a primeira morte em decorrência do apagão. O presidente da comunidade quilombola de São Francisco do Matapi, Sergio Clei Almeida de 50 anos, morreu eletrocutado ao tentar restabelecer o fornecimento de energia elétrica para a comunidade localizada em Macapá”.

A denúncia cita que muitas comunidades quilombolas dependem da energia elétrica para o fornecimento de água potável porque elas usam um sistema regulado por meio de chaves instaladas em postes, que foram danificadas com o apagão.

A Conaq e Terra de Direitos acusou a Polícia Militar de uso excessivo da força na repressão aos protestos da população, com relatos de pessoas feridas com tiros de balas de borracha.

“No território quilombola de Casa Grande, em Curiaú, por exemplo, várias pessoas ficaram feridas depois que 13 viaturas da PM e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do estado do Amapá, foram enviadas ao território para reprimir um protesto dos moradores”.

Equipe TV Democracia

Nenhum comentário ainda. Comente!

Be first to leave comment below.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *