A crise na Saúde no RJ teve mais um capítulo nesta segunda-feira. Fernando Ferry pediu demissão. É o segundo secretário da Saúde que deixa... RJ: secretário da saúde pede demissão

Governador do RJ, Wilson Witzel

A crise na Saúde no RJ teve mais um capítulo nesta segunda-feira. Fernando Ferry pediu demissão. É o segundo secretário da Saúde que deixa o governo de Wilson Witzel (PSC-RJ) durante a pandemia.

Em vídeo, Ferry agradeceu o governador e pediu desculpas à população. Ele estava no cargo desde o dia 17 de maio. O sucessor será o coronel do Corpo dos Bombeiros, Alex da Silva Bousquet, de 43 anos.

Segundo assessores ligados ao ex-secretário, um dos motivos alegados para a saída foi a pressão que ele vinha sofrendo para manter pagamentos de contratos com problemas.

Alguns contratos estão sob investigação do Ministério Público Federal. Entre eles, os de construção de hospitais de campanha para atender casos de coronavírus e os de aquisição de equipamentos de saúde sob suspeita de superfaturamento.

Na semana passada, o MPF denunciou 17 pessoas “por danos à Saúde do RJ”. Entre eles, o empresário Mário Peixoto e o ex-deputado Paulo Melo. É um desdobramento da Lava Jato. A Operação Favorito foi deflagrada no dia 14 de maio. Os contratos suspeitos são um dos motivos alegados para o pedido de impeachment do governador.

Cinco hospitais de campanha que deveriam ter sido entregues no dia 30 de abril, ainda não estão prontos. São os das cidades de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Nova Friburgo, Casemiro de Abru e Campos de Goytacazes. Outras duas unidades, as da cidade de São Gonçalo e do Maracanã, na cidade do Rio, foram entregues com atraso.

Um estudo de uma equipe técnica da secretaria estadual de Saúde recomenda que os cinco hospitais não sejam abertos. Os motivos são o custo mensal de leitos e a taxa de ocupação das UTIs. Mesmo que aconteça uma segunda onda após a flexibilização da quarentena, não há necessidade dos hospitais de campanha. Segundo a pesquisa, a taxa de ocupação é de 59,9% para UTI de adultos e 56,7% para enfermaria de adultos.

O custo mensal por leito de UTI no hospital de apoio é de R$ 43.780,82. Na enfermaria, R$ 33.952,45. Os dois cálculos incluem o de pessoal.

O governo Witzel destinou R$ 1 bilhão para o combate ao coronavírus. R$ 836 milhões foram para o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS), que deveria construir e administrar os sete hospitais de campanha contratados. Sem entregar um só leito, o IABAS já havia recebido R$ 256 milhões.

No começo do mês, o governador assinou decreto afastando o IABAS por causa dos atrasos nas obras.

Equipe TV Democracia

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